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Tinha 91 anos, morava em Nova Iorque e em 1935 foi capa de uma revista nazi que celebrava a perfeição ariana.
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Hessy Levinsons Taft tinha seis meses quando a mãe a levou a ser fotografada por Hans Ballin, um fotógrafo conceituado de Berlim na década de 30 do século passado. Meses depois, essa fotografia apareceu na capa da revista familiar nazi Sonne ins Hause, tendo Hessy sido nomeada como a bebé ariana mais bonita e a sua imagem circulava pelo país em postais de propaganda do Terceiro Reich para mostrar o quão perfeitos e superiores eram os bebés arianos. Mas Hessy era filha de Pauline e Jacob Levinson, dois judeus originários da Letónia. Hessy morreu no dia 1 de janeiro, avança o New York Times.
Os pais de Hessy mudaram-se em 1928 para Berlim, trabalhando como músicos. Mas em 1935, com a publicação das Leis de Nuremberga, que tiravam aos judeus o direito ao voto e a outros direitos civis, perderam acesso ao seu emprego na Ópera de Berlim. Foi nesse mesmo ano que a fotografia de Hessy chegou à capa das revistas. Tinha havido um concurso lançado pela revista nazi Sonne ins Hause onde se pedia que fossem enviadas fotografias de bebés. O fotógrafo Hans Ballin, sabendo que Hessy era judia, decidiu fazer pouco dos nazis e enviou a sua fotografia, inventando uma identidade para a criança.
Temendo que algo pudesse acontecer se fosse revelado que o bebé ariano perfeito era, na verdade, uma menina judia, a mãe de Hessy foi ter com o fotógrafo, pedindo-lhe explicações para o facto de a filha se ter tornado na criança-símbolo da propaganda nazi, tendo Ballin explicado que queria apenas ridicularizar os ideais nazi.
A história foi contada por Hessy Taft em em 2014 à revista alemã Bild. “Agora posso rir-me, mas se os Nazis soubessem quem eu era realmente, não estaria viva”, explicou. Em junho desse ano, a professora de química de então 80 anos ofereceu uma cópia da revista ao Yad Vashem, o museu do Holocausto em Israel. Depois, contou a sua história à Fundação Shoa.
Segundo o Telegraph, há quem acredite que a fotografia tenha sido escolhida por Goebbels, ministro da propaganda de Hitler. Na altura em que a imagem da filha estava por todo o lado – uma tia que vivia em Memel, que hoje pertence à Lituânia, identificou a sobrinha num postal -, os pais mantiveram Hessy em casa, por recearem que esta fosse reconhecida na rua.
Em 1938, o pai de Hessy foi preso pela Gestapo por acusações de fraude fiscal, mas foi libertado quando o seu contabilista, membro do partido Nazi, o defendeu. Depois disso a família deixou a Alemanha e fugiu para a Letónia e depois para Paris. Quando a capital francesa caiu nas mãos dos Nazis, em 1941, a família voltou a fugir, com a ajuda da resistência, para Cuba. Em 1949 mudaram-se definitivamente para os Estados Unidos.
Quando entregou a cópia da revista ao Yad Vashem, Hessy Taft sentiu “alguma vingança” e “uma espécie de satisfação”, escreveu o Telegraph em 2014.
Tinha 91 anos, morava em Nova Iorque e em 1935 foi capa de uma revista nazi que celebrava a perfeição ariana.
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