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Clube inglês avança com iniciativa inspiradora contra a discriminação no desporto
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Adeptos dos Queens Park Rangers (QPR) vão lançar este mês um disco contra o racismo com a participação de músicos como Mick Jones, dos Clash, Glen Matlock, dos Sex Pistols, ou Peter Doherty, dos Libertines.
"Do que eu mais gostei na produção deste single em vinil foi quando Mick Jones dos 'Clash' me disse que 'as duas coisas que mais respeita na vida são o Queens Park Rangers e campanhas contra o racismo'. Glen Matlock também se envolveu muito. O racismo é insensato", disse à Lusa o produtor, Rick Blackman.
O Queens Park Rangers (QPR), fundado em 1882, é um dos mais antigos clubes de futebol de Londres, popular na zona noroeste da capital britânica, e disputa atualmente a segunda divisão da Liga Inglesa de Futebol.
"A música está presente nos jogos de futebol, mas quisemos associar uma mensagem política, neste caso contra o racismo e o QPR apoiou a iniciativa promovendo o disco, que vai estar à venda na loja oficial do clube", referiu.
Rick Blackman, adepto do Queens Park Rangers de 61 anos, é músico e professor de História Moderna na London School of Economics tendo publicado a investigação "Babylon's Burning -- Music, Subcultures and Anti-Fascism in Britain 1958-2020", sobre música, subculturas e anti-fascismo.
O livro detalha os acontecimentos iniciais relacionados com as agressões de organizações fascistas contra a primeira vaga de imigração das Caraíbas, sobretudo da Jamaica, em Notting Hill, Londres, em 1956, cobrindo também o movimento "Rock Against Racism", nos anos 1970 e 1980.
Blackman explicou que depois do afro-americano George Floyd ter sido assassinado nos Estados Unidos em 2020 pela polícia, os jogadores de vários clubes britânicos prestaram homenagem antes das partidas, ajoelhando-se.
Nessa altura muitos adeptos do QPR insultaram o gesto dos atletas, o que provocou "problemas raciais".
"Nós não queríamos regressar aos anos 1970 e aos anos 1980 quando os jogadores negros eram insultados por muitos adeptos nas bancadas durante os jogos", afirmou, considerando que a extrema-direita nunca esteve tão forte no Reino Unido como atualmente.
"Há muitas manifestações racistas contra migrantes. Em parte, o fenómeno foi exacerbado pelo Brexit, pelo que aconteceu durante a pandemia de covid-19 e também pelo Governo de Boris Johnson e pela Administração norte-americana de Donald Trump que banalizou o racismo", lamentou.
Em 2023 foi fundada por adeptos a organização "Love the R's, Hate Racism" ('R's' é o nome dado ao Queens Park Rangers pelos adeptos do clube) de sensabilização contra o racismo.
Para conseguirem financiar o grupo, decidiram publicar um disco, tal como fez o Chelsea F.C. no passado com o tema "Liquitador", gravado na Jamaica por Harry J. and the All Stars ou o Brentford F.C. que tinha um tema publicado pela banda jamaicana Brentford All Stars.
"Decidimos também fazer o mesmo. Não sei como é em Portugal, mas 98% das músicas ou cânticos de futebol em Inglaterra são horríveis. Fizemos um tema instrumental jamaicano e como não tínhamos uma letra, decidimos gravar os adeptos a gritar uma frase, incluindo os adeptos mais famosos".
No caso, destacou Mick Jones, dos Clash e Big Audio Dynamite, Glen Matlock, baixista dos Sex Pistols, e Pete Doherty, dos Libertines e Babyshambles.
Os músicos contribuíram diretamente dizendo a frase: "Apoia o QPR, Rejeita o Racismo", que também foi registada em vídeo.
Richard Simpson, um cantor de origem jamaicana, apoiante do QPR, fez um "toasting" (monólogo improvisado sobre o instrumental) no tema que pretende ser um hino contra o racismo no futebol britânico.
"A música 'The Return of QPR All Stars' não vai resolver o problema do racismo mas é uma maneira de alertarmos para o problema", concluiu Rick Blackman.
O QPR está atualmente na 11º posição da Segunda Divisão inglesa e inclui, entre outros, jogadores originários do Brasil, Marrocos, Noruega, Jamaica, África do Sul, Gana, Suécia ou Trindade e Tobago.
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