Neil Young dá à Gronelândia acesso gratuito à sua música para aliviar do stress de Trump

Cantor é uma das vozes críticas da administração norte-americana

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Neil Young oferece música à Gronelândia contra o 'stress' de Trump
Neil Young oferece música à Gronelândia contra o 'stress' de Trump • Foto: AP

O cantor e compositor Neil Young anunciou esta terça-feira que está a disponibilizar ao povo da Gronelândia um ano de acesso gratuito ao seu arquivo de música e vídeo, para "aliviar do 'stress'" imposto por Donald Trump sobre o território.

"Espero que a minha música e os meus filmes aliviem algum do stress e das ameaças injustificadas que estão a sofrer por parte do nosso governo impopular e, espero, temporário", escreveu o músico nascido no Canadá no seu site, neilyoungarchives.com.

A publicação de Neil Young surge depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter ameaçado anexar a Gronelândia, território autónomo da Dinamarca, e de na semana passada, na sequência do discurso no Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça, ter optado por falar na "estrutura de um futuro acordo" sobre "a Gronelândia e toda a região do Ártico".

No seu 'site', Neil Young afirma ser seu "sincero desejo" que todos "possam desfrutar" da sua música na "bela Gronelândia, com a mais alta qualidade", afirmando-se "honrado" pela aceitação da dádiva.

"Esta é uma oferta de paz e amor", prossegue o criador de "Harvest Moon". "Toda a música que fiz nos últimos 62 anos está à vossa disposição. Podem renovar o acesso gratuitamente enquanto estiverem na Gronelândia. Esperamos que outras organizações sigam o nosso exemplo. Amem a Terra".

Neil Young é uma das vozes críticas da administração de Donald Trump, através das publicações no seu 'site'.

No início de janeiro, apelidou o Serviço de Imigração e Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) de "nova polícia brutal [thug] americana", após o assassinato de Renee Good, por agentes dessa força federal.

Numa reação à morte do enfermeiro Alex Pretti, numa rua de Minneapolis, baleado várias vezes por agentes do ICE, no sábado, Neil Young citou o governador do Minnesota, Tim Walz: "Se não conseguirmos concordar que acusar falsamente um cidadão americano, manchar tudo o que ele representa e pedir-nos para não acreditarmos no que vimos é inaceitável, não sei o que dizer".

"Donald Trump está a destruir a América com a sua equipa de aspirantes, pessoas sem experiência ou talento, alcoólicos que batem nas suas mulheres, líderes inexperientes que só sabem mentir para manter o favor das falsidades de Trump e, assim, permanecerem nos seus cargos imerecidos, no seu governo inepto, com um Congresso cheio de republicanos a agir como idiotas sem consciência", escreveu Neil Young, no início do mês.

Para Young, Trump quer apenas "criar instabilidade para que possa permanecer no poder".

Na semana passada, Young reforçou o seu boicote à Amazon, de onde retirou o seu catálogo em 2025, justificando, no seu 'site', que a plataforma "pertence a Jeff Bezos, um bilionário apoiante" de Donald Trump.

"As políticas internacionais do Presidente e o seu apoio ao ICE tornam impossível para mim ignorar as suas ações", declarou então o músico de "Rockin' in the Free World".

Em 2022, Neil Young tomara decisão semelhante quanto ao Spotify, por alojar o 'podcast' de Joe Rogan, outro apoiante de Donald Trump, tendo regressado a este serviço de 'streaming' dois anos mais tarde.

No ano passado, Young lançou o 'single' "Big Crime", sobre Donald Trump e a sua administração. A canção inclui versos como "há muito crime em Washington, D.C., na Casa Branca".

Em 2020, Young interpôs um processo contra Trump por a sua campanha ter usado a música "Rockin' In the Free World" na campanha presidencial.

Na altura, Young apoiou a candidatura do senador Bernie Sanders e disse que Donald Trump era "uma vergonha para o país".

Neil Young, que completou 80 anos em novembro, anunciou uma digressão europeia, a cumprir em junho e julho deste ano, no âmbito da "Love Earth World Tour", que passará pelo Reino Unido, Irlanda, França, Bélgica, Suíça e Itália, e que contará com Elvis Costello e The Imposters, em algumas datas.

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