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Moradores do Complexo da Penha levaram 64 corpos para uma praça onde estão expostos para identificação
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Um dia depois da megaoperação levada a acabo pela polícia civil e militar do estado do Rio de Janeiro e que já tinha contabilizado 64 vítimas mortais, eis que surgiram mais corpos 64 expostos na Praça São Lucas, no Complexo da Penha, uma das zonas visadas pela operação que visou o grupo Comando Vermelho. Sessenta e quatro corpos sem roupas - para facilitar a identificação através de tatuagens e marcas de nascença ou cicatrizes - foram deitados na praça e as autoridades confirmaram que não estavam contabilizados no balanço oficial de mortos, mas a imprensa já fala em 132.
Os corpos, todos de homens, estavam numa zona de mata, onde se concentraram os confrontos entre as forças de segurança e traficantes. Segundo a imprensa brasileira, haverá uma perícia para estabelecer se estas mortes estão ligadas à megaoperação.
Esta quarta-feira de manhã, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, já tinha classificado esta operação como um "sucesso" e que só os quatro polícias mortos seriam "vítimas". Por sua vez, críticos e ativistas descrevem esta ação como mais um exemplo de excessivo uso da força.
As autoridades entraram no Complexo da Penha e no do Alemão para dar cumprimento a 100 mandados de prisão alegadamente de membros do Comando Vermelho. Esta é já a operação policial mais mortífera da história da cidade. Estiveram envolvidos 2.500 polícias e soldados, em helicópteros, veículos blindados e a pé.
Depois dessa operação que durou o dia inteiro, a Associated Press descreve como os populares passaram toda a noite a recolher corpos. Os familiares que se concentraram junto aos corpos, gritavam por "justiça" e falavam em "massacre", acreditando que ainda não foram recolhidos todas as vítimas mortais deste confronto.
Ao final da manhã, as autoridades forenses foram recolher os corpos expostos na praça para levar a cabo perícias.
Um dos ativistas locais, Raul Santiago, contou aos jornalistas que estava numa equipa que encontrou 15 corpos. "Vimos pessoas executadas: baleadas nas costas, baleadas na cabeça, esfaqueadas, pessoas amarradas. Este nível de brutalidade, de ódio espalhado - não há outra forma de descrevê-lo se não como um massacre."
No balanço que fez da operação ainda na terça-feira, ogovernador do Rio de Janeiro sublinhou que o estado está em guerra contra o "narco-terrorismo" e que todos os que morreram resistiram à ação policial.
A cidade tem já um histórico de megaoperações deste género. Em março de 2005, 29 pessoas foram mortas na região da Baixada Fluminense e, em maio de 2021, 28 pessoas foram mortas na favela do Jacarezinho.
Comando Vermelho
O Comando Vermelho foi criado em 1979 nas prisões do Rio de Janeiro e é hoje considerada uma das organizações criminosas mais perigosas do mundo. Dedica-se principalmente ao tráfico de drogas e de armas, e o seu centro de operações situa-se no estado do Rio de Janeiro, onde controla algumas comunidades da cidade, embora tenha presença em grande parte do país, especialmente na região da Amazónia. A organização nasceu quando a ditadura militar concentrou nas mesmas prisões delinquentes comuns e membros de grupos de guerrilha com formação política e até militar.
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