Óscar não faz desporto

Maggie Fitzgerald já tem idade para ter juízo, mas aos 32 anos não se tem tempo a perder. Quer ser pugilista e lutar pelo título mundial e para isso coloca a sua vida, no ringue e fora dele, nas mãos de um velho treinador desiludido com a própria vida, igualmente no ringue e fora dele.

Clint Eastwood é realizador e actor em "Million Dollar Baby - Sonhos Vencidos", um filme candidato a sete óscares que vai ao boxe retirar lições de vida. Na madrugada de amanhã, a Academia de Hollywood vai escolher o melhor filme do ano e o Desporto lá estará com o seu representante.

Tal presença é coisa rara, diz a história da estatueta mais cobiçada no mundo do cinema, muito preguiçosa no que toca a praticar desporto. Os filmes com histórias enquadradas em modalidades desportivas regra geral não são considerados "artísticos" o suficiente para lutarem por tão grande distinção, e quando são catalogados como obras-primas, caso de "O Touro Enraivecido" (1980), de Martin Scorsese, perdem para gente vulgar. Ou melhor, "Gente Vulgar", de Robert Redford.

Excepções foram "Rocky" (1976) e "Momentos de Glória" (1981). O primeiro deixou a concorrência "ko" (pudera, com Stallone ao barulho) e o segundo correu mais rápido para a meta. Boxe e atletismo tiveram o seu momento de glória em Hollywood, e perto ficaram outras modalidades individuais, como o "pool", ciclismo e corrida de cavalos.

De futebol não reza esta história. O exemplo mais "hollywodesco" que se arranja é "Fuga Para a Vitória", de John Huston (lá está o Stallone outra vez, desta feita como guarda-redes frangueiro), pelo puro gozo de ver os prisioneiros de guerra Pelé, Ardiles, Bobby Moore e companhia darem uma lição à equipa nazi. Contudo, nada de candidaturas à estatueta.

Não é de estranhar que seja o basebol a modalidade colectiva com mais inspiração para Óscares. É o desporto norte-americano por excelência, criador de lendas e heróis na mentalidade do povo. Mas é o boxe a recolher maior atenção. E "Million Dollar Baby" respeita essa tradição.

Vencedores melhor filme

ROCKY (1976)

Nomeações: 10 Óscares: 3

Tal como a personagem central, Rocky Balboa, o filme de baixo orçamento realizado por John G. Avildsen lutou entre pesos pesados da indústria por um lugar ao sol. Com um então desconhecido Sylvester Stallone nas funções de argumentista e actor principal, "Rocky" bateu os favoritos "Escândalo na TV", "Taxi Driver" e "Os Homens do Presidente".

MOMENTOS DE GLÓRIA (1981)

Nomeações: 7 Óscares: 4

Eric Liddell é um escocês missionário cristão que corre pela glória de Deus. Harold Abrahams, um inglês judeu, quer ser o melhor no que faz para calar o anti-semitismo. Os dois homens encontram-se nos Jogos Olímpicos de Paris em 1924, competindo sob a mesma bandeira. Liddell correu os 400 metros e venceu, batendo o recorde do mundo. Atribuiu a vitória a Deus.

Candidatos derrotados

O CAMPEÃO (1931), de King Vidor

A história de um pugilista veterano, ex-campeão de pesos pesados, que tenta o regresso ao ringue ao mesmo tempo que lida com o alcoolismo, vício do jogo e luta pela custódia do jovem filho. Houve "remake" em 1979.

O ÍDOLO (1942), de Sam Wood

Gary Cooper interpreta Lou Gehrig, primeiro base dos Yankees, que marcou o basebol nos anos 20 e 30, até lhe ser diagnosticada uma doença neurológica terminal, que ficou conhecida por "doença de Gehrig".

A VIDA É UM JOGO (1961), de Robert Rossen

Paul Newman é "Fast" Eddie Felson, craque de "pool" (espécie de bilhar) que percorre os clubes de Nova Iorque à procura de dinheiro fácil. O actor voltaria à personagem 25 anos depois em "A Cor do Dinheiro" e levou o Óscar.

O CÉU PODE ESPERAR (1978), de Warren Beatty e Buck Henry

Warren Beatty produziu, co-realizou e protagonizou a história de um "quarterback" dos Los Angeles Rams (futebol americano) que é prematuramente chamado ao Céu e regressa à terra noutro corpo.

OS QUATRO DA VIDA AIRADA (1979), de Peter Yates

O jovem Dave Stohler e três amigos de Bloomington encontram numa prova de ciclismo a forma ideal para calar o "snobismo" dos colegas da Universidade de Indiana e mostrar orgulho no seu "provincianismo".

O TOURO ENRAIVECIDO (1980), de Martin Scorsese

Uma obra-prima que sublinha a conturbada vida dentro e fora do ringue do emocionalmente desequilibrado pugilista Jack LaMotta, campeão de pesos médios nos anos 40, até aos seus esforços para obter a redenção.

CAMPO DE SONHOS (1989), de Phil Alden Robinson

A pedido de uma voz misteriosa, Ray Kinsella (Kevin Costner), agricultor do Iwoa, constrói um campo de basebol no seu milheiral, na esperança que o antigo herói do pai, "Shoeless" Joe Jackson, volte dos mortos para jogar.

JERRY MAGUIRE (1996), de Cameron Crowe

Tom Cruise interpreta um agente de jogadores de futebol americano que tem uma epifania e resolve criar um código moral de conduta na profissão. Acaba ostracizado e com um cliente apenas na carteira.

SEABISCUIT - NASCIDO PARA GANHAR (2003), de Gary Ross

Em plena Depressão nos anos 30, um cavalo demasiado pequeno e um jóquei zarolho tornam-se na esperança dos americanos empobrecidos, ao vencerem corridas contra as probabilidades.

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