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Líder do FC Porto falava no lançamento do livro do antigo presidente do Benfica
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Pinto da Costa recordou Fernando Martins, antigo presidente do Benfica, "um homem de quem era fácil ser amigo, que se percebia de imediato que era diferente dos outros" e o quão apreciava o dia 25 de janeiro.
O líder azul e branco falava à margem do lançamento do livro "Fernando Martins - Retratos de uma vida, 1917-2013", precisamente no dia em que faria 100 anos, numa cerimónia em que estiveram presentes Humberto Coelho, vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol, o antigo presidente da República, o general Ramalho Eanes, e o filho do antigo presidente do Benfica, Raul Martins.
"Fernando Martins vivia apaixonadamente este dia e eu recordo-me de ele, a partir de junho ou julho, me dizer: 'Não te esqueças, janeiro!' e eu respondia-lhe muitas vezes 'Mas ainda faltam cinco ou seis meses. Sabe que ainda falta meio ano…' Tenho a certeza absoluta de que neste momento ele está muito feliz", recordou Pinto da Costa. "Era um homem como, infelizmente, há poucos. Era um homem de quem era fácil ser amigo, que se percebia de imediato que já nessa altura era diferente dos outros".
Era tão diferente dos outros que Pinto da Costa via em Fernando Martins não um inimigo, antes um adversário. O presidente portista recordou mesmo um episódio que o marcou.
"Para mim, foi sempre presidente de um clube adversário, nos termos do seu cargo desportivo e do meu, mas nunca presidente de um inimigo. Ele nunca foi um inimigo", lembrou. "Tive o prazer de, em 1982, no meu ato de posse, ter a presença do Fernando Martins, que foi propositadamente ao Porto dar-me um abraço. Três dias depois, eu vim a Lisboa para agradecer-lhe. Vim a um fim de tarde e acabei de jantar com ele às duas da manhã. A partir daí sentimos uma empatia que nos levou, até aos seus últimos dias, a estarmos sempre no mesmo barco".
Pinto da Costa lembrou igualmente os tempos conturbados do processo 'Apito Dourado', em que foi arguido, e o apoio público demonstrado por Fernando Martins.
"Eu recordo-me que vi, infelizmente há pouco tempo, aquando do seu falecimento, que a SIC passou uma reportagem sobre o famigerado 'Apito Dourado'. Entrevistaram o Fernando Martins, que disse. está gravado e eu puder rever na altura, 'Isto é tudo mentira! Sei de onde isso vem, isso não vai dar nada porque isso é tudo mentira!'", recordou o líder azul e branco. "E provou-se que ele tinha razão, provou-se que a confiança que ele tinha em mim estava correta, porque a prova de que era tudo mentira é que foi tudo anulado. Mesmo com recursos obrigatórios para a Relação, foi tudo arquivado, não tive a mínima pena sobre qualquer processo do 'Apito Dourado'. Isto demonstra a sua grandeza e amizade".
Mais uma prova da sua "grandeza e amizade" aconteceu quando Pinto da Costa apresentou o seu livro "Largos Dias Têm 100 Anos".
"Quero dizer que no dia em que eu apresentei o livro "Largos Dias Têm 100 Anos" houve muita gente, muitos políticos, que, pelo telefone, me deram a sua solidariedade e confiança. Mas qual foi a minha surpresa quando, na apresentação do livro, com milhares de pessoas, houve dois amigos que estiveram presentes. Foram exactamente Fernando Martins e o general Ramalho Eanes, que fizeram questão de estar presente para publicamente me dizer o que muitos me disseram ao telefone. Por isso, o Fernando Martins, infelizmente sem estar no meio de nós, mas está a qui a ouvir-me, e o sr. presidente Ramalho Eanes, são para mim duas referências que a morte não há-de separar-nos nunca".
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