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Governo da ilha cria "task force" e pede a cidadãos para criarem reservas de comida
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O primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, já avisou a população daquela que é a maior ilha do mundo para se preparar para uma possível invasão por parte dos EUA. As ameaças do Presidente norte-americano ao controlo da Dinamarca sobre o território têm levantado graves preocupações em relação ao futuro da ilha e da própria NATO e, embora reconheça que um avanço militar seja "improvável" para já, o líder do Governo gronelândes não exclui que aconteça no futuro.
"Não é provável que haja um conflito militar, mas [a idea] não pode ser descartada", afirmou Jens-Frederik Nielsen numa conferência de imprensa na capital do território, em Nuuk, esta terça-feira. O primeiro-ministro revelou que está a ser criada uma "task force" para preparar a população para qualquer disrupções no seu quotidiano, formada por todas as autoridades locais relevantes, e já recomendou aos seus cidadãos que tenham comida para, pelo menos, cinco dias reservada em casa.
Para Donald Trump, a anexação da Gronelândia é vital em matéria de segurança nacional, devido à sua proximidade com os EUA. O Presidente norte-americano afirma que o território está rodeado de navios chineses e russos e, ainda na madrugada desta terça-feira, publicou nas suas redes sociais uma imagem criada através de inteligência artificial que mostra o republicano a colocar a bandeira dos EUA no território. Para conseguir tornar a imagem realidade, Trump tem aumentado a pressão sobre a Europa e, no fim de semana, anunciou tarifas adicionais de 10% contra oito países do Velho Continente. Já esta terça-feira, gravitou em torno da ideia de aplicar tarifas de 200% às importações de álcool francês.
Em resposta, a Dinamarca e outros países aliados enviaram uma série de tropas para a Gronelândia. Para o ministro gronelândes das Finanças, Mute B. Egede, o território está "sob grande pressão" e é necessário que a população esteja pronta "para todos os cenários" - o que inclui uma possível invasão militar.
A Comissão Europeia, Berlim e Paris estão a preparar uma resposta coordenada contra os EUA e, por agora, todas as hipóteses estão em cima da mesa. É necessário uma resposta "urgente", dizem, que pode passar pela reativação do pacote anti-tarifas de 93 mil milhões de euros equacionado antes do acordo comercial com Administração Trump do verão passado, mas também por uma eventual ativação do Instrumento Anti-Coerção da UE, com a possibilidade de imposição de limites a investidores externos.
Já o Parlamento Europeu decidiu suspender o processo de ratificação do acordo comercial entre a União Europeia (UE) e os Estados Unidos, em resposta às mais recentes ameaças do Presidente norte-americano, indicaram esta terça-feira os principais grupos políticos.
Existe um "acordo maioritário" entre os grupos políticos para congelar o acordo comercial celebrado no ano passado entre os Estados Unidos e a UE, assegurou o presidente do grupo S&D (Socialistas e Democratas, que inclui o PS), Iratxe García Pérez, citado pela agência France-Presse (AFP).
Esta terça-feira, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, advertiu para o que seriam "grandes consequências" para os dois lados do Atlântico, caso as ameaças de Trump sejam materializadas. "Se uma guerra comercial for lançada contra nós, o que não posso recomendar, então teremos, naturalmente, de responder. Seríamos forçados a fazê-lo", afirmou durante uma sessão de perguntas e respostas no parlamento dinamarquês. "Espero que não cheguemos a esse ponto. Espero que consigamos convencer os americanos de que este não é o caminho que devemos seguir", atirou.
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