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A fotografia é da época passada no jogo Benfica-V. Setúbal. Mas o fotógrafo brasileiro não vende só o seu trabalho para fins publicitários. Os jogadores e adeptos também são seus clientes
O PONTAPÉ de bicicleta de Ronaldo, defesa-central do Benfica, frente ao V. Setúbal na época passada, é a imagem da promoção de um televisor da Toshiba que irá ser lançado na Ámerica do Sul. A fotografia é da autoria de Chamaco e foi descoberta pela marca na Internet no ”site” que o próprio fotógrafo criou em Março do ano passado.
Chamaco, de 45 anos, é um dos melhores fotógrafos desportivos a trabalhar em Portugal, tendo alguma projecção a nível internacional. Além do jornal ”A Capital” e da revista ”Futebol Mania”, que acaba de sair para as bancas, colabora com o jornal ”Marca” (Espanha), com as revistas ”Guerin Sportivo” (Itália) e ”Placar” (Brasil) e com uma agência desportiva japonesa. Fora isso, também vende fotografias a jogadores, adeptos e treinadores.
O seu nome verdadeiro é António Augusto Turela Ferrão. A alcunha foi-lhe atribuída quando dava ”uns toques na bola” com os amigos do bairro: “Chamaco é o nome de um ex-jogador do Grémio, que não era propriamente um craque da bola, assim como eu.”
Natural de Porto Alegre, no Brasil, aos 33 anos trocou a sua cidade natal por Lisboa. Quem o trouxe foi o antigo jogador do Benfica, Valdo, que quando foi contratado pelo clube encarnado o convenceu a vir também. Mas o assédio já vinha de longe.
Jorge Baydek, ex-jogador do Belenenses actualmente a trabalhar com José Veiga, já tinha tentado, mas em vão.
A fotografia associada ao bichinho pelo jornalismo fizeram sempre parte da sua vida. Aos 16 anos, com o apoio dos comerciantes e dos políticos vendia o seu próprio jornal nas ruas. Quando resolveu apostar na carreira de fotógrafo andava atrás dos jogadores no estádio e nos hotéis para lhe comprarem as fotografias. Quando o dinheiro faltava vendia camisolas dos craques.
Estava em Lisboa há cinco dias, quando Record publica na 1ª página a sua primeira fotografia. “Quando Valdo veio para o Benfica, o empresário Manuel Barbosa segredou-me que o Lima estava com um pé em Portugal. Acertei.” O início foi auspicioso, mas depois vieram os tempos difíceis.
Dois anos depois, já com o bilhete na mão para regressar ao Brasil e com as malas feitas, na véspera da viagem, foi ao Estádio da Luz para se despedir. E foi nesse dia que encontrou a sua ”madrinha”: “Encontrei a Leonor Pinhão, que me convidou para ir trabalhar com ela quando era editora de desporto. Por isso, carinhosamente, chamo-a de madrinha. Se não fosse ela eu tinha regressado.”
Três anos depois, quando pensava em regressar, teve um acidente de automóvel que o obrigou a ficar. Já lá vão 12 anos e agora não pensa em voltar. “Estou no auge da minha carreira.”
Sempre, sempre a fotografar futebol, Chamaco faz um pedido: ”Deixem os jogadores ser os protagonistas e não tomem as fotografias como um tapa-buracos.”
COBRANÇA MAIS MAIS DIFÍCIL
Após muitos anos de contacto com jogadores, Chamaco estabeleceu relações de amizade com muitos deles. Mozer, ex-jogador do Benfica e, agora, seu treinador adjunto, foi um deles. Foi, porque já não é.
Durante o tempo de jogador, Mozer comprou-lhe muitas fotografias. Mas Chamaco não guarda uma boa recordação da última encomenda: “Sempre confiei nos jogadores. Quando não tinham dinheiro para pagar eu esperava. Mas Mozer demorou tempo de mais. Ficou a dever-me 150 mil escudos.” “Aguardei que me pagasse, mas nunca mais chegava o momento. Um dia, perguntei-lhe pelo dinheiro. Sabe o que ele respondeu? Eram as últimas fotografias que me comprava, por isso, pensava que era de borla. Até hoje ainda não recebi o dinheiro.”
Mas não foi só com Mozer. Amunike, ex-jogador do Sporting, foi outro. “Mas esse pagou-me. Demorou muito, mas pagou. Fui insultado, chamou-me mentiroso à frente dos colegas e dos sócios. Estive umas semanas sem aparecer em Alvalade, mas antes falei com Oceano, que era na época o capitáo da equipa. Quando regressei ao estádio, Amunike veio ter comigo e pagou a dívida: 128 contos.”
JOÃO PINTO, FIGO E JARDEL RENDIDOS À SUA OBJECTIVA
Quando Chamaco chegou a Portugal, há doze anos, João Pinto, jogava ainda no Boavista. “João Pinto é um jogador carismático dentro do campo. Comecei a fotografá-lo ainda no Boavista e tenho seguido toda a sua carreira.” Assim que conheceu o trabalho de Chamaco, João Pinto não se tem cansado de comprar fotografias. Recentemente, o jogador mudou de casa e disponibilizou uma divisão só para expor os momentos altos da sua carreira quase todos da autoria de Chamaco.
Pedro Barbosa, Figo e Jardel são outros admiradores do seu trabalho. “Algumas fotografias publicadas no livro de Figo [”Figo – Nascido para Vencer”] são minhas.” Aliás, o nº 10 do Real Madrid também lhe abriu as portas para outro bom negócio. A fotografia de Figo afixada no edifício da PT Multimedia é da sua autoria.
Há duas semanas, Jardel gozou umas miniférias em Portugal, tendo aproveitado também para se ”abastecer” das últimas fotografias com a camisola do FC Porto. Os árbitros e os treinadores também são “apanhados” por Chamaco O ex-treinador do FC Porto e do Sporting, Bobby Robson, deslocou-se mesmo a Portugal para lhe comprar fotografias, que saíram publicadas no seu livro.
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