Balanço final de João Ferreira
"Quarenta jogos, 5 intervenções. Uma das cinco foi errada, mas outras quatro corretíssimas."
SportTV apresentou as conversas nos lances polémicos
"Quarenta jogos, 5 intervenções. Uma das cinco foi errada, mas outras quatro corretíssimas."
A explicação de João Ferreira (Conselho de Arbitragem):
"Claro que sim. É um lance que não é fácil. Ver a mão não é fácil. O Bruno vem da esquerda para a direita e consegue ver a mão, mesmo tendo um jogador no seu campo de visão. Relembro que a lei mudou. Quando falamos de mãos dentro da área, uma vez que é penálti, o entendimento é o mesmo das faltas na disputa da bola. Há uma exceção de quando a mão é deliberada, aí mantém-se como até aqui. Sendo um ataque prometedor é amarelo. O Bruno vê e a decisão dele é penálti e cartão vermelho. Mas não deteta que há um jogador por trás, que pode cortar a bola. A partir do momento em que há um jogador com possibilidade de jogar a bola, deixam de estar reunidas as circunstâncias para ser uma clara oportunidade de golo, passa a amarelo. Se fosse um segundo cartão amarelo, o VAR teria de recomendar na mesma. Porque se o árbitro dá um vermelho errado, mesmo assim tem de ser chamado, para ser o segundo amarelo. Não podia manter. Passou de vermelho para amarelo, decisão final corretíssima. Já vamos na oitava época de VAR e não tenho grande memória de lances assim. Não me lembro de lances em que não esteja lá o guarda-redes e não seja vermelho. É um exemplo único, mas ainda bem que o João Gonçalves viu este lance e o corrigiu para o bem do futebol. Marcou bem o penálti, mas tirou-se o vermelho."
João Gonçalves (VAR): Bruno, Bruno, daqui VAR!
Bruno Vieira: Diz, João!
João Gonçalves (VAR): Peço que venhas à zona de revisão para confirmares o penálti, porque para mim é penálti, a decisão está confirmada, mas para mim não é vermelho. Porque tem o defesa atrás e pode cortar a bola. Ok, ok, ok.
João Gonçalves (VAR): Vou dar-te um momento em que ele toca a bola com o braço.
Bruno Vieira: Já estou cá, já estou cá.
João Gonçalves (VAR): Agora estás a ver o 77 que está atrás? Ele tem toda a possibilidade de cortar a bola.
Bruno Vieira: Ok!
Bruno Vieira: Tem uma de frente? Tem uma de frente?
João Gonçalves (VAR): Dou dar-te uma de frente.
Bruno Vieira: O guarda-redes não está lá, ele tira a bola e depois está lá aquele jogador.
João Gonçalves (VAR): Exatamente. Se vires, a bola até acaba por lhe tocar.
Bruno Vieira: Ok, ok, ok, ok. Está bem. Então vamos confirmar o penálti... ok? E vamos passar para cartão amarelo. Para o número 26, certo?
A explicação de João Ferreira (Conselho de Arbitragem):
"Vamos tentar perceber o que as leis do jogo nos falam do 'agarrar'. Se nos cingirmos ao 'agarrar' e só à língua portuguesa, é fácil. Isto é agarrar (gente de agarrar o braço levemente). Mas isto tem efeito? Não tem. Os dois jogadores estão a segurar-se mutuamente, mas nenhum movimento impede que o outro se desloque. Na nossa opinião este agarrar não é faltoso, é dentro do espírito do jogo, de procurar posição, em que ambos estão a segurar-se um ao outro, mas nenhum é impedido de chegar à bola. Na nossa opinião foi uma intervenção fora do que queremos, de um erro claro e óbvio. Daí que o Fábio quando vai ver a imagem, não fica muito convencido. Ele jogou futebol e tem noção do que é marcar um adversário. Fez essa abordagem muito correta. 'Isto é muito normal!'. O que é estranho é que depois se deixa influenciar pelo João Pinheiro e muda a decisão. Quem ouve isto de forma límpida percebe que o Fábio nunca vai mudar a sua decisão, porque tem a sua consciência de que não é falta. De que não há nada. Mas depois, de repente, 'então é amarelo'. Há uma mudança mental no processo de decisão. Há uma explicação para isto: na nossa formação, o aspeto principal é que o árbitro decide. Por norma há um princípio que está subjacente: se o VAR está a chamar, muito provavelmente - diria a quase 100%, este lance foge à exceção -, o VAR tem razão. Já viu tantas vezes, se tomou a decisão de chamar, está consciente de que quer corrigir e chamar o colega. O princípio é que quando o árbitro vai mudar, vai de espírito aberto, mas com a sensação de que 'vou ver para mudar'. É este o princípio da revisão. Provavelmente o Fábio confiou. E este trabalho de VAR e árbitro é de equipa, de confiança. Funcionou aqui, no caso negativamente. Houve confiança, que provavelmente existiria ao contrário. A equipa de arbitragem são 6 elementos. E o Fábio seguiu esta recomendação, mas na nossa opinião devia ter mantido a decisão."
João Pinheiro (VAR): Recomendo que venhas à zona de revisão ver um possível penálti, por agarrão do Borevkovic, que está a agarrar claramente o jogador do Braga.
Fábio Veríssimo: Bora, anda para trás. Já cá estou, João.
João Pinheiro (VAR): Okay, estou a mostrar-te.
Fábio Veríssimo: Epa, esta é uma jogada normal. Estão os dois com o braço um em cima do outro. Mostra-me lá...
João Pinheiro (VAR): Repara só na camisola...
Fábio Veríssimo: Tens alguma imagem aproximada? Mais para trás.
João Pinheiro (VAR): Para mim está com a camisola totalmente agarrada.
Fábio Veríssimo: Mas há uma causa/efeito... O jogador atira-se...
João Pinheiro (VAR): Mas impede de lá chegar, na minha opinião. Tu é que sabes.
Fábio Veríssimo: Então cartão amarelo?
João Pinheiro (VAR): É a tua decisão!
Fábio Veríssimo: Qual é o número do jogador?
João Pinheiro (VAR): É o Borevkovic, número 24.
Fábio Veríssimo: Okay, vai para a rua o Borevkovic.
Fábio Veríssimo: Após revisão, o jogador defensor agarra o atacante. Decisão final, penálti e cartão amarelo.
A explicação de João Ferreira (Conselho de Arbitragem):
"Muitas vezes antes de percebermos o erro, temos de perceber o que podemos fazer para evitar o erro. A jogada vai muito para a direita, o João persegue o atacante na direita e perde os que estão no lado esquerdo. Eventualmente, exigia-se outro tipo de trabalho de equipa, do quarto árbitro e do auxiliar, para detetar esta infração que seria fácil de perceber dentro do campo. O João está a olhar para o lado direito. É sempre uma jogada complicada, pois perdeu o lado esquerdo. Não detetou a falta. Mas há um facto: há um empurrão nas costas, há um benefício próprio. É a mesma fase de ataque. A intervenção foi precisa, correta e fácil de análise, até porque o João Pinheiro chegou à sua análise rapidamente.
Papel do quarto árbitro podia ajudar?
O quarto árbitro tem essa tarefa de ajudar o árbitro. Não o substitui, mas na sua zona de ação consegue perceber, pois tem campos de visão mais limpos. Muito recentemente temos exemplos de quartos árbitros que detetam infrações dentro da área que o árbitro não consegue detetar. A sua posição pode dar para ajudar em situações mais difíceis. O produto final foi uma decisão correta, assinalar falta e de anular o golo."
André Narciso (VAR): André, daqui VAR. Peço que venhas à zona de revisão para cancelar o golo por falta na fase de ataque.
André Narciso (VAR): João, o Samu empurra o jogador claramente, sem intenção de jogar a bola e tira-a da jogada e vai obter golo.
João Pinheiro: É falta, sim senhora. Tranquilo. Número 9, não é?
André Narciso (VAR): Sim.
A explicação de João Ferreira (Conselho de Arbitragem):
"Este lance é mais fácil do que o anterior. Este é menos interpretativo. Há um facto evidente: a mão está acima do ombro, uma posição não natural. Há um segundo facto: a bola tocar na mão. Não há outra interpretação. Daí ter sido mais célere, para corrigir um lance muito difícil dentro do campo. Porque o jogador está do lado de fora, está do lado contrário aos outros. O árbitro fica tapado na sua visão. São as câmaras que estão fora do campo que vão mostrar aquele facto. Braço elevado, é falta, é penálti. Não havia outra alternativa".
Tiago Martins (VAR): Sugiro que venhas à zona de revisão para um pontapé de penálti. Ok, a bola bate aqui na mão.
Luís Godinho: Ok, claramente!
Tiago Martins (VAR): Vou mostrar o cruazamento
Luís Godinho: Esta é clara, clara, lcara... a bola bate, seja... número 6 joga a bola com a mão de forma não natural.
Luís Godinho: Após revisão, o número 6 joga a bola com o braço de forma não natural. Decisão final, penálti.
A explicação de João Ferreira (Conselho de Arbitragem):
"Os factos são evidentes. o atacante do Boavista ao saltar empurra o defensor. Tira-o da jogada, tem benefício direto com isso. Acaba por passar a colega, que faz golo. É na mesma fase de ataque, de acordo com o protocolo é que esta é uma intervenção correta. E que o Luís Godinho fez bem em analisar o lance e invalidar o golo. [O que diz Luís Godinho] Há um aspeto que tentámos sempre esclarecer os árbitros. Muitas vezes os avançados sentem um ligeiro contacto e deixam-se cair. Não queremos que os árbitros marquem estas pseudo-faltas. A gravidade da falta do atacante tem de ser a mesma da que os defesas cometem, para ser um penálti. Olhando a este lance podemos entender que 'não seria suficiente para ser penálti'. Mas há um facto: o jogador é retirado da jogada. O facto do Luís dizer isso é porque quando fazemos VAR nos simulares, quando vemos muitas vezes o lance, isso pode condicionar o nosso processo mental. Daí aquele desabafo, porque ninguém gosta de errar. O que importa é que seja corrigido e haja justiça"
Tiago Martins (VAR): Sugiro ires à zona de decisão, para ver uma falta na fase de ataque. O jogador número 16 empurra o avançado com um braço nas costas e vai jogar a bola sem... retirando o defesa.
Luís Godinho: Já cá estou, Tiago.
Tiago Martins (VAR): Ok! Está aqui. Vou pôr agora em movimento... E depois vou por... tira o jogador do lance e empurra. Vou pôr em ângulo aberto, para ver com a evolução.
Tiago Martins (VAR): Não estou a ouvir, Luís!
Luís Godinho: Estou a pensar no que estás a mostrar. Estou a pensar no que estás a mostrar. Chegando aqui não posso fazer outra coisa. Passado dez vezes na televisão é falta!
Luís Godinho: Decisão final, jogador 16 empurra adversário, comentendo falta. Decisão: cancelar o golo e recomeçar o jogo com livre direto.
Boa tarde! O Conselho de Arbitragem divulga e analisa esta noite, em mais um programa 'Juízo Final', da SportTV, os áudios do VAR relativos dos lances mais polémicos das jornadas mais recentes a Liga Betclic. Fique por aí para saber tudo!
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