Foram divulgadas as comunicações entre árbitros nos principais lances de arbitragem da 1.ª e 2.ª jornadas da Liga Betclic e Liga Meu Super
Manuel Mota [VAR]: Malheiro, daqui VAR, aconselho a ir à zona de revisão para um penálti.
Manuel Mota [VAR]: O jogador número 23 atinge-o nas costas.
Manuel Mota [VAR]: Tens aqui a imagem.
Manuel Mota [VAR]: É no canto, Malheiro.
Manuel Mota [VAR]: Queres outra imagem?
Hélder Malheiro [Árbitro]: Parte disciplinar.
Manuel Mota [VAR]: Cartão amarelo por negligência.
Hélder Malheiro [Árbitro]: Este pé está muito esticado.
Manuel Mota [VAR]: É negligente, mas tu é que estás aí, decide.
Hélder Malheiro [Árbitro]: Eu vou dar cartão vermelho. Número 23, falta grosseira.
Explicação de Duarte Gomes: Sabemos que o jogador teve toda a intenção de jogar a bola. Não se coloca aqui a questão da cabeça baixa, porque não baixou a um nível inferior ao da cintura do Gonçalo Inácio. Esta entrada é completamente despropositada, que deixou marcas. É uma entrada de perna esticada, numa zona onde já não está a bola já é com uma consequência física visível. Na nossa opinião as recomendações são sempre para o cartão vermelho. Já o penálti nem se coloca [em discussão].
O lance que esteve em análise:
Ricardo Moreira [VAR]: Miguel, aconselho a ir à zona de revisão para um penálti por mão.
Ricardo Moreira [VAR]: O jogador número 10 tem o braço aberto e desvia a bola com a mão.
Miguel Nogueira [Árbitro]: Ok, já cá estou.
Ricardo Moreira [VAR]: Estou a mostrar o ponto de contacto, ok?
Miguel Nogueira [Árbitro]: Ok.
Miguel Nogueira [Árbitro]: Ok, tem o braço muito aberto.
Ricardo Moreira [VAR]: É tranquilo, é um desvio claro.
Miguel Nogueira [Árbitro]: É isso, para mim sem cartão.
Ricardo Moreira [VAR]: Certo.
Miguel Nogueira [Árbitro]: Só penálti.
A explicação de Duarte Gomes: "O jogador estica o braço direito e acaba por desviar [a bola], numa posição que nem era necessária nem natural. Portanto é um penálti bem assinalado, dentro daqueles penaltis que preferíamos que não existissem. Mas o braço é evidente, está fora do corpo, faz movimento em direção à bola, desvia a trajetória."
O lance que esteve em análise:
João Bento [VAR]: Daqui VAR, peço que venhas à zona de revisão para veres uma entrada de sola na perna. Luís, este é o ponto de contacto. A bola não está perto. E vou mostrar-te atrás e à frente e depois velocidade normal. Vou dar-te novamente. Agora vou dar-te em aberto.
Luís Filipe [árbitro]: Certo, cartão vermelho por força excessiva. É o jogador número?
João Bento [VAR]: 11.
Explicação de Duarte Gomes: Para este tipo de situações e que isto seja muito claro, as recomendações quando um jogador entra de sola, mostra os pítons a frente e atinge claramente uma parte do corpo em que a bola não está em disputa, queremos cartão vermelho. Até podemos correr o risco de parecer algo exagerados, a ideia não é expulsar jogadores a torto e a direito, é ter uma linha de prevenção para quem sofre a falta, para que não haja lesões e o futebol seja jogado com lealdade.
João Almeida [VAR]: Daqui VAR, vou só confirmar a fase de ataque e depois vou-te chamar à zona de revisão para cancelar um penálti.
Luís Godinho [árbitro]: Então vou já.
João Almeida [VAR]: Quando chegares avisa.
Luís Godinho [árbitro]: Já estou cá.
João Almeida [VAR]: Olha, Godinho, o atacante vai cabecear a bola e o defesa vai ser atingido por ela sem movimento nenhum do braço, ok? Ele é atingido, não há movimento nenhum. Ele tem lá o braço numa posição completamente natural.
Luís Godinho [árbitro]: Tens outra câmara? Quem é que é atingido?
João Almeida [VAR]: O atacante cabeceia a bola e o defesa é que tem a mão, não há nenhum movimento do braço do defesa para a bola.
Luís Godinho [árbitro]: Pára no momento do contacto da mão com a bola. Não tens outra imagem?
Explicação de Duarte Gomes: a instrução é muito clara: é tomar sempre a decisão, sempre que a decisão seja a de não apitar. O arbitro nunca pode interromper uma partida para dizer 'aguardem que vou esperar para ver o que diz o VAR'. Neste caso demitiu-se da sua função e passou o ónus da decisão para o VAR, não é o que está protocolado, aliás, é absolutamente proibido, o árbitro está sempre obrigado a tomar uma decisão como se não tivesse VAR. Nós damos sempre estas indicações aos nossos árbitros de campo: não existe VAR. A perspetiva é: decidam sempre numa perspetiva em que estão sozinhos em campo com os vossos colegas de campo. A partir do momento em que tomam uma decisão, se ela estiver errada de clara forma e evidente, o que esperamos do colega de sala é que intervenha para repor a justiça. Neste caso, foi tudo cumprido corretamente e salvou-se a verdade desportiva porque este lance não é irregular.
Bruno Esteves [VAR]: Cláudio, daqui VAR, aconselho que venhas à zona de revisão para cancelar o penálti. Vou-te mostrar esta perspetiva, apenas a bola a bater na cabeça e a sair.
Cláudio Pereira [árbitro]: Tens de frente?
Bruno Esteves [VAR]: Vamos pôr outra. Provavelmente é ilusão da mão esquerda, mas é ilusão. Mas a perspetiva é só cabeça, ok?
Cláudio Pereira [árbitro]: Vou recomeçar com bola ao solo.
Bruno Esteves [VAR]: Com bola ao solo, sim. Dentro da área para o guarda-redes.
Explicação de Duarte Gomes: O que acontece é que o árbitro vê mão na bola, para percebermos que a proximidade nem sempre é amiga da qualidade de decisão. O árbitro está muitíssimo bem colocado, está a olhara para o lance, mas a sua perceção é que o jogador de trás toca a bola com a mão. Ele assinala a mão e como é errado, visto que o jogador joga a bola com a cabeça e não há mão, o VAR esteve muito bem. Não há mão de ninguém, há um toque de cabeça. A colocação do árbitro é ótima, mas estando de frente para os jogadores ele tem uma perceção errada por força daquela posição, portanto muito bem o videoárbitro, que o próprio árbitro aceita rapidamente ao ver que foi um choque de cabeça e não uma mão irregular na área.
O lance que esteve em análise:
Luís Ferreira [VAR]: Bruno, daqui VAR, sugiro que venhas à zona de revisão para uma COG [clara oportunidade de golo]. Este é o momento em que ele agarra, ele vem todo lançado lá de atrás e os colega estão muito afastados.
Bruno Costa [árbitro]: Número 13?
Luís Ferreira [VAR]: É o número 13.
Bruno Costa [árbitro]: Ok, vou dizer "após revisão, o jogador número 13 anula uma clara oportunidade de golo. Decisão final, cancelar o amarelo e exibir vermelho".
Luís Ferreira [VAR]: Exatamente, é isso.
Explicação de Duarte Gomes: Para nós, uma clara oportunidade de golo tem mesmo de ser uma clara oportunidade de golo. Ou seja, tem de estar todo os quatro fatores que a lei enuncia para o que lance seja mesmo óbvio. A direção, o sentido e a velocidade para a baliza, a distância e a posição e número de jogadores. Há aqui uma única dúvida que é a posição do defensor na dobra, que face à dinâmica da jogada, poderia ou não intercetar a bola e havendo uma pequena dúvida neste tipo de lances, preferíamos que o var não interviesse, ou seja, que a decisão de campo fosse respeitada independentemente de ser amarelo ou vermelho, porque há ali uma margem na possibilidade dos defesas fazerem a dobra, que estaria em aberto. De qualquer forma, com a intervenção do VAR, entendemos que o árbitro tem toda a legitimidade para mudar a decisão.
Manuel Oliveira [VAR]: Godinho, peça que venhas a zona de revisão para um penálti. O defesa atinge com o braço na cara do atacante.
Luís Godinho [árbitro]: Manuel, preciso disto em dinâmica.
Luís Godinho [árbitro]: Manuel, considerações: a única quqe coisa que aqui está é um braço na cara. Um braço na cara não, uma mão na cara ou uma cara na mão. O braço está aberto sempre, o jogador baixa o nível do corpo, o braço já la esta, esteve la sempre, não há movimento na direção da cara.
Luís Godinho [árbitro]: Não há penálti.
Explicação de Duarte Gomes: Este é um lance ingrato para os árbitros, porque este lance a primeira, visto em imagem corrida, há um pequeno toque, é um toque muito ligeiro e é perfeitamente normal q o arbitro tenha a interpretação que é um lance ligeiro, não é suficiente para ser faltoso. Ele estava muitíssimo bem colocado. A sensação que temos é que é um lance tão subjetivo, que o árbitro deve decidir. Isto quer dizer que a partida esta intervenção do VAR, não sendo de erro claro e obvio, seria desajustada. Agora há aqui a questão da factualidade da imagem: não é apenas o que vemos, mas a perceção das pessoas em relação aquilo que vemos. E com estas imagens do videoárbitro, onde claramente há uma mão para trás e a imagem mais lenta tende muito a dramatizar muito estes contactos, esperamos que o penálti seja assinalado. Eu compreenderia tão bem quanto a decisão de campo de um lance rápido, de um toque ligeiro em que o arbitro tem a primazia de dizer que não é suficiente, depois quando tem este tipo de imagens, compreendendo a sua opção, a nossa melhor decisão na nossa opinião seria assinalar o penálti.
O lance que esteve em análise:
Rui Oliveira [VAR]: Bessa, aconselho que venhas à zona de revisão para verificar um penálti, está bem? Vou-te mostrar uma imagem parada para veres o jogador número 10 a ser pisado no pé direito e a ser tocado no pé esquerdo. Esta é a melhor câmara que temos, ok?
José Bessa [árbitro]: Diz Rui, desculpa lá.
Rui Oliveira [VAR]: Esta é a melhor imagem que nós temos, agora posso dar um ângulo aberto se quiseres.
José Bessa [árbitro]: Sim, podes dar, mas já vi o toque, claramente derruba o jogador. Mas dá-me outro ângulo.
Rui Oliveira [VAR]: Vê aqui. O jogador ganha a frente, é derrubado e tocado nos pés. Dá-me só a última para finalizar. Toca no pé que está apoiado no chão.
Duarte Gomes: Esta é a imagem choque, a primeira que o videoárbitro fornece ao árbitro tem de ser aquela que melhor vende a decisão que o videoárbitro quer vender. Tem de ser a imagem que não deixe qualquer dúvida. A imagem parada não faz um lance, tem de haver dinâmica, mas quando revemos o lance, percebemos que o Pedro Carvalho corre demasiados riscos e comete uma infração que acaba por ser clara nas imagens. Nunca joga a bola e faz tropeçar o adversário. Apetece-me dizer, quem ainda critica a videoarbitragem em que percebemos que é absolutamente na verdade desportiva, vive num mundo alheado do nosso. Foi uma excelente intervenção e mais uma vez fez-se justiça, o penálti foi assinalado porque o árbitro aceitou a indicação.
O lance que esteve em análise:
Rui Costa [VAR]: Nobre, daqui VAR, aconselho a vir à zona de revisão para anulares o penálti. Não é fora. Vou-te mostrar é o jogador 19 que deixa a perna para trás.
António Nobre [árbitro]: Ok…
Rui Costa [VAR]: É ele que provoca o contacto. Ele lança a perna para trás…
António Nobre [árbitro]: Boa, correto. Dá-me outra vez. Vamos retirar o amarelo ao 23 e dar ao 19 porque não queremos estas ações e vamos dar amarelo ao 19 também.
Explicação de Duarte Gomes: O que acontece aqui é muito fácil de perceber, o avançado ganha a frente e leva deliberadamente a perna direita para as pernas do defesa que o persegue para provocar um contacto com o qual beneficiar. É um expediente tático de alguma esperteza, mas é ele que leva a perna direita para trás. É o próprio avançado que provoca o contacto. É uma excelente intervenção. Conseguimos rever um pontapé de penálti e aquilo que seria uma expulsão para uma equipa, para um cartão amarelo por simulação que é muito bem exibido ao jogador da equipa atacante.
Os áudios do VAR nas jornadas 1 e 2 da Liga Betclic Portugal serão hoje divulgados e analisados na Sport TV. Siga aqui tudo ao minuto.
Ex-árbitro marcou presença na conferência ION
Árbitro deu um exemplo concreto, quando Luis Díaz rematou a bola e, ao colocar o pé no chão, partiu a perna a David Carmo
Confusão terá envolvido Alex Merlim, capitão do Sporting
Novas medidas terão de ser aprovadas em Assembleia-Geral e entrarão em vigor a partir de 2026/27
Extremo 'explode' nas redes sociais
Antigo treinador de Sporting e Real Madrid tem 77 anos
Incidente deu-se no encontro com Quinta dos Lombos a que o ala assistiu. Jogava o seu filho
Bruno Andrade, extremo do AFC Rushden & Diamonds, é um jogador livre