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Árbitro luso-guineense estreou-se no segundo escalão no Tondela-FC Porto B de 19 de agosto
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O árbitro luso-guineense Fá Sanhá sonha dirigir encontros internacionais de futebol após a estreia na 2.ª Liga portuguesa, numa carreira de uma década que progride com "passos pequenos e consistentes", entre uma "rotina muito intensa".
Natural de Bissau, Fá Sanhá mudou-se para o Porto aos cinco anos, com a família, radicou-se em Lisboa aos 16, cumpriu o primeiro jogo oficial em janeiro de 2014 e estreou-se no segundo escalão luso em 19 de agosto deste ano, no Tondela - FC Porto B (2-2), ambicionando subir mais patamares enquanto um dos juízes registados como estrangeiro pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF).
"O principal objetivo é chegar à 1.ª Liga e, quem sabe, a árbitro internacional. Quem olha para o futebol de topo e vê as grandes competições sonha sempre lá chegar. Sem chegar à 1.ª Liga, não consigo ser árbitro internacional. Sem chegar a árbitro internacional, não consigo ser árbitro de elite da UEFA e fazer os grandes jogos. Mas mais do que subir de divisão, quero tentar ser melhor árbitro no jogo seguinte", afirma em declarações à Lusa.
Disposto a atingir o principal campeonato luso na próxima época, o árbitro de 32 anos realça que a lesão sofrida há dois anos o ensinou a batalhar por "objetivos maiores" com "passos pequenos e consistentes", num setor em que "um amarelo bem ou mal exibido" pode ser a diferença entre subir ou não de categoria.
A sua carreira descolou após se inscrever na academia da Força Aérea Portuguesa para cumprir o ensino superior. Sem hipóteses de deixar as instalações militares durante a semana e de jogar futebol como atleta federado, Fá Sanhá enveredou pela arbitragem, concluiu o curso na AF Lisboa e exibe hoje uma rotina que se desdobra entre a Força Aérea e treinos presenciais em Odivelas.
"Acaba por ser uma rotina muito intensa. Procuro não falhar com a minha entidade patronal. Temos um polo profissional onde temos três treinos presenciais semanais. Depois temos o acesso a preparadores físicos que nos fazem um plano de treinos diário até ao dia do jogo. Tentamos seguir esse plano de treinos. Isto ocupa grande parte do meu dia. Sobra pouco tempo para outras coisas", descreve.
Ciente de que a arbitragem melhorou as suas capacidades de "resiliência perante o erro" e de "comunicação verbal e não verbal" com jogadores, treinadores e dirigentes, o juiz sentiu que a sua carreira "tinha pernas para andar" antes da subida às competições nacionais, na época 2019/20, por estar bem preparado, física e psicologicamente, e pela "paixão enorme" que nutre pelo futebol.
O árbitro enaltece ainda a criação da Liga 3 na época 2021/22, por ser "uma competição que suaviza imenso a transição para o futebol profissional", com "qualidade de jogo acentuada", em que os juízes trabalham de "forma mais incisiva" e passam a dispor de videoárbitro.
Fá Sanhá reconhece também que a principal diferença da 2.ª Liga relativamente aos campeonatos em que apitou previamente é a noção de que as decisões passam a estar "debaixo de um escrutínio" de mais gente.
Atento à integração dos outros 24 árbitros registados como estrangeiros pela FPF nesta época, o número mais elevado até agora, o luso-guineense crê que todos têm "condições para singrar" e dá o exemplo de Halim Shirzad, juiz da Associação de Futebol de Santarém que também dirige jogos da 2.ª Liga, após deixar o Afeganistão em 2021, ano do regresso dos talibãs ao poder.
"É normal que, tendo eu uma situação não igual à dele, mas alguns pontos de contacto, tenha uma relação muito próxima com ele. Quem queira abraçar esta vida, vindo de outros países, tem todas as condições para singrar. Evidentemente terá de trabalhar como todos os outros, mas não tem entraves ou obstáculos por ser de outro país", reitera.
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