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COMECEMOS pelo fim. Primeiro para concluir que FC Porto e Sporting proporcionaram excelente espectáculo, surpreendentemente bom para esta fase da época, diga-se de passagem, depois para situar na recta final da partida o que de melhor os portistas ofereceram nos 90 minutos e que lhes valeu o empate numa fase em que a derrota começava a parecer um facto consumado: espírito de conquista indomável, temperamento de quem nunca se dá por vencido, de quem descobre forças quando elas parecem já não existir. É uma questão filosófica do dragão, suportada por uma história feita de muitas conquistas, algumas das quais obtidas em sofrimento, com os dentes cerrados e em situações adversas.
Começar pelo fim, neste caso, é começar tendo por base um resultado cuja justiça nunca se discute. O que nem sempre é um bom sintoma. À entrada para os últimos dez minutos do encontro, o Sporting estava à frente do marcador e do jogo, fizera um golo e desperdiçara, logo a seguir, mais duas ocasiões de ouro para selar o triunfo. Mas esses dez minutos finais não constituem apenas o período em que o FC Porto chegou à igualdade. Esse foi o período em que o Sporting, por estoiro físico, desapareceu de cena, Paulinho Santos foi expulso e os azuis e brancos conseguiram ultrapassar à custa do tal espírito indomável os efeitos da desinspiração que marcara a sua actuação até ali. Chegaram ao empate. E procurando sempre não engrossar a lista dos que analisam o jogo apenas e só tendo como orientação o resultado final, chegaram bem, sobretudo porque durante a primeira parte, mesmo tendo havido mais Sporting em termos de produção global, o FC Porto dispôs de boas oportunidades para chegar ao intervalo a ganhar.
FC PORTO REGRESSA AO 4X3X3
Que era a doer percebeu-se desde o primeiro minuto, pela atitude dos jogadores e pela forma como as equipas se apresentaram. Fernando Santos recuperou o 4x3x3 da sua preferência e o FC Porto reencontrou o sentido de orientação do seu jogo, ausente em Bruxelas, para não ir mais longe. A equipa mostrou-se mais confortável assim, com melhores armas para se defender de situações adversas, para não expor a sua integridade colectiva. Mais isso que a criação de condições para recuperar o fulgor e tomar nas mãos o seu próprio destino. Isto porque, ao mesmo tempo, desencontrou-se do seu artista principal, o russo Alenitchev e tinha na direita um jovem (Cândido Costa) com vocação para outras coisas que não passam tanto pelas linhas (a lateral e a de fundo).
Aconteceu que o FC Porto viveu sobretudo do voluntarismo de Chainho, da segurança de Paulinho Santos, dos salpicos de talento de Drulovic, mas sem continuidade e sem acutilância suficiente para servir o ponta-de-lança Domingos. Foi um bloco compacto no equilíbrio da partida mas foi disperso na criação de jogo.
O Sporting confirmou que está mais senhor de si, que domina melhor todas as fases do jogo, que conhece o terreno como as palminhas das mãos e já automatizou os pontos mais sensíveis: a dupla Paulo Bento-Bino e a sua integração no esquema global; a colocação de Horvath sobre a esquerda, com a cumplicidade de Rui Jorge e o agradecimento dos médios de zona central pelo auxílio prestado; o entendimento entre João Pinto e Acosta, sendo que no caso do ex-benfiquista o campo de acção se estende a outras zonas do campo.
SPORTING MARCA E PODE MATAR O JOGO
Mesmo dando a ideia de maior coesão, de constituir bloco mais sólido, de ter mais soluções para criar desequilíbrios, a verdade nua e crua para o Sporting era esta: chegava ao intervalo empatado e tinham sido do FC Porto as melhores oportunidades de golo. Estavam decorridos 18' quando Chainho cruzou da esquerda, Schmeichel saiu da baliza mas não interceptou, permitindo o cabeceamento de Drulovic, nas suas costas, que saiu por cima da barra. Mas a grande ocasião aconteceu quando Cândido Costa lançou Chainho pela direita, que por sua vez descobriu Domingos no coração da área, isolado, rematando na zona de “penalty” contra as pernas de Schmeichel. Estavam decorridos 34'.
A segunda parte foi generosa para com o melhor futebol do Sporting. Aos 59 minutos, João Pinto isolou Acosta, que não perdoou à saída de Ovchinnikov. Esse golo leonino teve duplo efeito: desorientou o adversário e constituiu o tónico que faltava para que a sensação de superioridade passasse à prática. O que era suspeita transformou-se em certeza: Sporting mais equipa, mais forte, mais adiantado na assimilação do conceito de jogo que o seu treinador pretende. E nessa altura, para acentuar esse estado de coisas, apareceu João Pinto em grande destaque. Para além do passe para o golo, deixou Acosta em situação de marcar mais duas vezes - aos 64', através de excelente passe de cabeça, e dois minutos depois, sobre a direita, colocando a bola sobre a esquerda da área, valendo aos portistas a intervenção de Ricardo Silva - e lançou Edmilson (81') para um toque de calcanhar que permitiu o remate de César Prates, com o pé esquerdo, que passou por cima da barra de Ovchinnikov.
Logo a seguir, Paulinho Santos foi expulso. Por incrível que possa parecer, o Sporting acabou aí. Um estoiro de todo o tamanho, que se ouviu por todo o lado. Ao mesmo tempo, o FC Porto cresceu, olhou em frente e percebeu duas coisas: que tinha pouco tempo para evitar o desaire e que, não sendo possível lá chegar com ordem e cabeça fria, teria de recorrer ao coração e à alma. Assim foi. Os dragões empurraram o adversário para a sua grande área, criando a sensação de que tudo podia ainda acontecer. Não obstante os moldes em que a reacção portista se desenvolveu, o golo, mesmo ao cair do pano, teve a assinatura de Alenitchev, a estrela da companhia.
Ao cabo de um jogo de pormenores quase todos inconsequentes, o russo teve o pormenor mais importante da equipa.
GLOBALMENTE BEM
José Pratas teve actuação global claramente positiva. Nunca conseguirá ultrapassar a imagem de fragilidade psicológica que fomentou ao longo da carreira, mas foi suficientemente firme para não passar por momentos delicados.
Esteve bem na expulsão de Paulinho Santos, condescendeu com algumas atitudes de Jorge Costa e vistas as coisas uma vez só, como convém para que o jornalista não tenha vantagem sobre o árbitro, parece ter errado no lance do golo portista (Romeu deu a ideia de estar em fora-de-jogo) e num lance em que Cândido Costa foi empurrado (65') pode ter ficado uma grande penalidade por assinalar.
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