Quem não vai à CAR não perde aceleração

Antigos juízes, como Isidoro Rodrigues e Vítor Reis, fazem revisão das avaliações...

Quem não vai à CAR não perde aceleração
Quem não vai à CAR não perde aceleração • Foto: David Santos

Como todos estão bem recordados, o início da época da arbitragem quase fez gelar a Serra de Estrela em pleno verão. Fernando Gomes, o presidente da FPF, teve mesmo de ir à Covilhã, onde decorria a inicial ação com árbitros da 1.ª categoria, para evitar a revolta dos árbitros a propósito das respetivas classificações, mas não só. Acabou por ser o líder da FPF a salvar Vítor Pereira. O presidente do Conselho de Arbitragem sobreviveu, mas saiu fragilizado.

A partir desse momento, nada foi como dantes. A nossa elite da arbitragem passou a ter uma palavra a dizer, para o qual muito ajuda o facto de Pedro Proença ser hoje um dos árbitros mais prestigiados do Mundo e também a existência de massa crítica entre os melhores árbitros portugueses, com destaque para o portuense Jorge Sousa. Olegário Benquerença, esse, há pelo menos dois anos que se tem mantido como que a correr por fora, desfrutando dos seus últimos anos na arbitragem (falta-lhe um para pousar o apito).

No meio da arbitragem, toda a gente sabe o que se passa. Os nossos árbitros de elite fazem tudo para escaparem dos jogos quentes e fizeram-no saber junto de quem de direito, sobretudo porque alguns deles já sofreram na pele as respetivas classificações. Tudo porque existe, no Conselho de Arbitragem, uma Comissão de Análise e Recurso (CAR), à qual os clubes podem recorrer das notas dos árbitros. Um conhecido comentador ligado ao Benfica já revelou mesmo neste ano que todos os recursos deste clube para a comissão foram atendidos, com as notas dos árbitros a descerem. Ora, os árbitros consideram isto uma forma de pressão que não admitem. Por isso, fazem tudo para reduzir ao mínimo os estragos que uma CAR formada por antigos árbitros pode causar.

A CAR, note-se, é formada por, entre outros, Isidoro Rodrigues (ex-árbitro de Viseu), Vítor Reis (ex-árbitro de 1.ª categoria, autor de manuais de arbitragem), Manuel Nogueira (Porto), José Rodrigues (Coimbra) e José Santana (Alentejo).

Uma classe claramente dividida

A nomeação dos nove árbitros internacionais – que em média ganham 6.000 euros por cada presença em jogos fora do país – e a atribuição de uma remuneração fixa mensal na casa dos 2.500 euros – além dos prémios dos nacionais – fraturaram claramente o grupo de árbitros de 1.ª categoria, criando um fosso que só será colmatado quando todos os árbitros passarem a ter estatuto idêntico. A separação é tão clara que nem quando os árbitros não profissionais pediram para se treinarem no mesmo horário, e com as mesmas condições dos árbitros profissionais, tal lhes foi concedido. Na área do Porto, por exemplo, os árbitros profissionais e não profissionais treinam no Estádio Municipal da Maia, os primeiros ao início da tarde e os segundos ao fim da tarde, com Carlos Xistra a juntar-se a Artur Soares Dias e Jorge Sousa.

Braga domina as presenças

Dois árbitros de Braga – Manuel Mota e Cosme Machado –, ambos com 25 jogos realizados nas competições da Liga, dominam o ranking de chamadas. Carlos Xistra, de Castelo Branco, igualmente com 25 chamadas, acompanha esta dupla, seguindo-se a este o portuense Rui Costa, com 24 presenças em jogos da 1.ª Liga, 2.ª Liga e Taça da Liga. Os estagiários têm uma média de dez presenças.

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