"Tornado" do Bonfim não altera critérios

CA prevê que 144 dos 240 jogos da 1.ª Liga serão dirigidos por internacionais...

"Tornado" do Bonfim não altera critérios
"Tornado" do Bonfim não altera critérios

“Foi um tornado” reconhece, em jeito de desabafo, um elemento da estrutura da arbitragem a propósito da atuação de Vasco Santos no V. Setúbal-Sporting. Há a plena consciência da gravidade dos erros e das consequências nefastas que as decisões incorretas tomadas no jogo do Bonfim pela equipa chefiada pelo juiz do Porto, têm na imagem da arbitragem, mas existe também certeza de que as opções assumidas foram feitas de acordo com os critérios que sempre têm orientado o Conselho de Arbitragem da FPF e que respeitam um princípio inalienável, o qual se resume numa palavra: equidade.

A atuação de Vasco Santos no Bonfim teve o tal efeito de “tornado”, mas a nomeação do árbitro para este jogo foi devidamente ponderada e obedeceu aos critérios com que o CA se rege. E um deles tem a ver com o momento de forma do árbitro, o que, no caso de Vasco Santos, reforçava a convicção de que o jogo estaria bem “entregue”. O juiz portuense, recorde-se, dirigiu há duas jornadas o FC Porto-Estoril que foi decidido por um penálti aos 78’, bem assinalado pelo árbitro e cuja crítica “foi unânime em reconhecer a qualidade da sua atuação” (o nosso jornal atribuiu-lhe nota 4).

O episódio do Bonfim não irá alterar a linha de orientação do CA, sendo no entanto mais do que certo que Vasco Santos não voltará a cruzar-se com o Sporting até final da temporada.

O CA designa os árbitros para os jogos tendo em conta diversos critérios e assumindo a equidade como princípio e fim do plano de nomeações. Isto é: procura-se um ponto de equilíbrio entre árbitros e clubes, não deixando de ter em conta o número 5 do artigo 12 do Regulamento de Arbitragem: “Os clubes têm a mesma dignidade e são colocados em posição de igualdade, tendo em atenção o escalonamento dos jogos das competições organizadas pela Liga.” Neste sentido, o CA promove a rotatividade de árbitros por clube, e de clubes por árbitros, em função, obviamente, de outros critérios: eficácia do desempenho, compatibilização com competições internacionais e história recente.

Seis clássicos

Entre jogos da Liga, Taça da Liga e Taça de Portugal há mais seis embates de “alto risco”, sendo que o primeiro é já no domingo entre Sporting e FC Porto.

Na calendarização do CA, elaborada no início da temporada, estão previstos que 144 dos 240 jogos da 1.ª Liga (ou seja 60 por cento) sejam apitados pelos árbitros que integram o grupo de elite e C1 (todos eles ficaram entre os primeiros 12 classificados na última época). É ainda de considerar que a gestão do CA com o atual quadro de árbitros tem de ter em conta a nomeação para mais 462 jogos, referentes à 2.ª Liga.

Juiz levou “nega” do CA

“Não é verdade que algum árbitro tenha pedido para ser dispensado de dirigir jogos de um determinado clube. Melhor, houve um caso, mas este foi liminarmente recusado”, garante a Record fonte próxima do CA da FPF, a propósito de eventuais solicitações de árbitros no sentido de não apitarem jogos dos grandes.

O pedido em causa foi feito por um dos internacionais, e a “resposta foi a mesma que dada aos clubes quando estes pretendem que um árbitro não volte a ser nomeado para os jogos das suas equipas: o veto não é figura regulamentar”.

Na base desses pedidos estaria o facto de os árbitros arriscarem notas mais baixas em função do grau de dificuldade dos jogos (sempre maior quando se trata de encontros que envolvem os três grandes). Naturalmente, o CA tem em consideração que o escrutínio dos árbitros é muito maior (para não dizer total) quando estes dirigem jogos que são televisionados do que os outros que estão “a salvo” do controlo das câmaras.

Internacionais apitam 37% dos jogos grandes

Decorridos dois terços da época, conclui-se que só 37 por cento dos jogos realizados que envolveram os três grandes (30 em 81) foram dirigidos por árbitros internacionais. Segundo o quadro ao lado, Pedro Proença, o árbitro mais credenciado, é o que tem menos jogos, situação que inevitavelmente vai inverter-se até final da época.

Trio candidato ao clássico de Alvalade

Pedro Proença, Jorge Sousa e Olegário Benquerença “concorrem” para estarem em Alvalade, no domingo, a arbitrar o Sporting-FC Porto. Recorde-se que até final da época haverá mais seis clássicos, quatro deles entre FC Porto e Benfica (um da Liga, dois da Taça de Portugal e um da Taça da Liga).

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