Uma noite com meninas depois da mariscada

Para a CD da Liga foi ainda claro que entretanto Araújo foi buscar as meninas e conduziu-as ao quarto de Paixão, pedindo-lhes para não falarem de dinheiro com os árbitros...

Uma noite com meninas depois da mariscada
Uma noite com meninas depois da mariscada

A Comissão Disciplinar da Liga, presidida por Ricardo Costa, que rebatizou o processo como Apito Final, deu como provado no chamado "Caso da Fruta" que o empresário António Araújo era sócio do FC Porto e acompanhava com regularidade a equipa do FC Porto.

Para a CD, Araújo tinha um relacionamento próximo com Pinto da Costa e era sócio de Reinaldo Costa numa empresa. Quanto à equipa de arbitragem comandada por Jacinto Paixão nomeada para o FC Porto-Estrela da Amadora a disputar a 24 de janeiro de 2004 no Estádio das Antas, o CD salientou o facto de logo que tomou conhecimento da nomeação ter comentado a possibilidade de passar a noite com "meninas" no Porto. O que os levou a contactar o amigo e também árbitro Luís Lameira.

Este último, refere-se ainda, conhecia Araújo e contactou-o no sentido de prestar o serviço pedido. A caminho do Porto, Paixão recebeu um telefonema de Araújo, que o questionou sobre as preferências dos árbitros. Posto o que Araújo, como consta das escutas, telefonou a Pinto da Costa dando-lhe conta que lhe tinham solicitado "fruta para dormir", perguntando-lhe se podia levar fruta à vontade.

O presidente portista quis saber quem estava a pedir fruta e Araújo disse-lhe que era o JP (posteriormente, em tribunal, a defesa de Pinto da Costa alegou que se tratava de Joaquim Pinheiro, irmão de Reinaldo Teles e também dirigente portista). "Diga que sim senhor", respondeu Pinto da Costa. Ainda deu para Araújo comentar as preferências dos árbitros e para informar que mais tarde diria o número dos quartos. Araújo contactou então uma tal Cláudia, dono de um clube noturno, para contratar o serviço e a seguir telefonou a Paixão. O CD da Liga deu também como provado que pouco depois Araújo se encontrou com Pinto da Costa. O FC Porto, treinado por Mourinho, liderava o campeonato com 48 pontos, seguindo-se o Sporting, com 43. O FC Porto venceu o Estrela por 2-0. A arbitragem de Paixão foi classificado com um "muito bom".

Ainda segundo a CD da Liga, durante o jogo Pinto da Costa comentou com a sua companheira de então, Carolina Salgado, que Araújo estava a arranjar umas meninas para os árbitros. No final do jogo, Reinaldo Teles seguiu à frente da viatura dos árbitros e conduziu-os a uma marisqueira de Matosinhos onde se encontrava o antigo árbitro António Garrido e a equipa de arbitragem que no dia seguinte ia apitar um jogo do FC Porto B.

Foi nessa mesa que se sentou a equipa de Paixão, bem assim como Reinaldo Teles. Noutra mesa encontravam-se Pinto da Costa e Carolina Salgado, tendo o presidente portista apenas cumprimentado as equipas de arbitragem.

No final do jantar, Paixão pediu a conta mas o empregado disse que estava paga e ninguém perguntou por quem. Foi então que Reinaldo Teles se ofereceu para indicar o caminho do hotel à equipa de árbitros alentejanos. Para a CD da Liga foi ainda claro que entretanto Araújo foi buscar as meninas e conduziu-as ao quarto de Paixão, pedindo-lhes para não falarem de dinheiro com os árbitros. Jacinto Paixão ficou no seu quarto com uma mulher chamada Celina. Manuel Quadrado e José Chilrito partilharam um quarto duplo com Emanuel e Hannah. Concluiu a CD da Liga que Pinto da Costa anuiu que António Araújo, em nome do FC Porto, contratasse as prostitutas com vista a obter uma atuação parcial dos árbitros no jogo em questão e noutros a disputar no futuro.

Para sua defesa, Pinto da Costa alegou inexistência de nexo causal entre a sua pessoa e os favores sexuais obtidos e também a impossibilidade de se usarem escutas telefónicas.

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