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Parte o último dos grandes treinadores portugueses dos anos 60 e 70
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Faleceu Manuel Oliveira, o último dos grandes treinadores portugueses que lideraram o futebol nos anos 60 e 70. Depois de Pedroto, Wilson, Juca, Meirim, Cabrita, Caiado, Carlos Silva e Medeiros, entre muitos outros, chegou a vez do mestre da tática, o eterno pensador do jogo, génio da conceção, homem fiel às suas convicções, figura que nunca se furtou à polémica e ao combate de ideias. Aos 85 anos, parte o general implacável que deixou marcas na quase totalidade dos jogadores que lhe passaram pelas mãos.
Só nos últimos tempos da existência apaziguou os ímpetos e resguardou-se, vítima de problemas de saúde que o afastaram dos palcos onde se sentia como peixe na água. De qualquer modo, esteve sempre presente e próximo de antigos jogadores que herdaram dele o prazer do treino e do jogo.
A CUF como referência
Feita a formação como jogador no Barreirense, seguiu para o Sporting, seu clube do coração, no qual coincidiu, como jovem promessa, com os eternos Cinco Violinos. "Passava horas a vê-los treinar, seduzido pela qualidade que tinham individual e coletivamente", afirmava com a felicidade estampada no rosto, apesar de ter como ídolo Carlos Canário, o médio-direito dessa equipa extraordinária. Um dia mostrou um recorte de jornal que trazia na carteira: era um jornal da época em que um jornalista lhe chamava "novo Canário", tais as semelhanças entre ele o grande craque à volta de quem girava a grande formação leonina.
Depois de passar pelo Atlético, consolidou a carreira ao serviço da CUF, clube no qual pendurou as botas em 1962/63, para ali dar início à atividade que, em abono da verdade, o notabilizou.
Grandes e Seleção
O currículo de Manuel Oliveira fala por si. Deixou marcas indeléveis na quase totalidade dos clubes que representou, pelos bons resultados das equipas mas também pela qualidade do futebol que praticavam. Como à esmagadora maioria dos generais da sua geração, não chegou nem a um grande nem à Seleção Nacional – só José Maria Pedroto, Mário Wilson e Juca tiveram esse privilégio. Mestre da tática, permanente inovador nos sistemas que utilizava (tinha provas de que foi o primeiro português a utilizar o 3x4x3), terá lugar na história como um dos maiores expoentes do futebol nacional. E um dos principais responsáveis pelo jogo na transição dos anos 60, a seguir aos Magriços, até à segunda metade da década de 80.
À família enlutada, Record apresenta sentidas condolências.
Um livro publicado e outro à espera
Manuel Oliveira editou, em outubro de 2009, um livro que apresentou no Estádio Alfredo da Silva, sob o título "Memórias de um Treinador de Futebol". Nessa cerimónia esteve presente o seu discípulo com maior sucesso: Jorge Jesus. O treinador do Sporting, três vezes campeão nacional pelo Benfica, nunca escondeu que Manuel Oliveira foi o seu mestre, a quem deve "muito do treinador em que me tornei". O próprio Jesus atribui ao seu mentor a introdução do 3x4x3 no nosso país, situando a invenção num jogo pelo Olhanense, na Luz, "que empatámos 2-2 e no qual participei com apenas 19 anos". Para JJ, "Manuel Oliveira ensinou-me a viver a paixão pelo jogo".
Testemunho de que manteve interesse pelo jogo, suas origens e incidências do dia-a-dia, Manuel Oliveira tinha, há ano e meio, um livro quase pronto à espera de publicação. Uma preciosidade que, acreditamos, não ficará eternamente numa gaveta.
'Record de Ouro' em dezembro de 2015
Manuel Oliveira recebeu o galardão de Record para as figuras mais relevantes do desporto português com visível emoção. Já com o estado de saúde muito debilitado, o Mestre estava feliz quando agradeceu a entrega feita pelo diretor António Magalhães e pelo redator principal Rui Dias. "Fico muito grato por se lembrarem de mim e por reconhecerem o meu trabalho ao longo de todos estes anos a servir o futebol", afirmou então. Nesse dia, Manuel Oliveira salientou ainda que "está a jogar-se muito pouco em Portugal" (a perpétua insatisfação relativamente à qualidade do jogo), ao mesmo tempo que relevava a distinção, até porque "o Record foi sempre uma grande referência para mim e um parceiro nesta longa caminhada". No fundo, tudo se resumia a uma frase: "Agradeço do fundo do coração a atribuição deste prémio, que me provoca um profundo sentimento de felicidade."
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