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Morais Santos, presidente do Lusitano, é o principal crítico da falta de entendimento, ilustrando o desencanto existente. A ideia da constituição de uma SAD, na qual os dois clubes entrariam como parceiros, "está morta", provando que a rivalidade é, praticamente, impossível de tornear
A CIDADE de Évora continua imbuída numa rivalidade quase ancestral. Lusitano e Juventude coabitam - curiosamente, até os respectivos estádios são contíguos - há cerca de oito décadas em permanente competição. Contudo, a glória e o fervor clubístico de outrora desvaneceram-se paulatinamente e deram lugar a tempos difíceis e a algumas frustrações. Recentemente, surgiu a ideia da formação de uma SAD, na qual ambos os clubes entrariam como parceiros estratégicos. Na perspectiva das duas Direcções seria a solução para os problemas económicos e para a viabilização de um grande clube em Évora, com condições para atingir o mais alto patamar do futebol português.
No entanto, segundo Branco Filipe, presidente do Juventude, "é uma ideia morta". A rivalidade ainda está latente e é, praticamente, impossível de tornear. Para o líder do Lusitano, Morais Santos, "são estas divisões que travam o crescimento" e "é uma dúzia de ‘Velhos do Restelo’ que existem nos dois clubes" que as mantêm vivas. "As pessoas gostam é do clubismo e não do futebol, como disse o Carlos Cruz. A sociedade não evolui com estes fundamentalismos", adiantou Branco Filipe.
"Gosto muito de futebol de qualidade, daí não me importar que haja um clube que represente Évora e não deixo de ser do Lusitano. Nunca se falou numa fusão, exclusivamente numa SAD para o futebol sénior", explicou Morais Santos, algo agastado pelo fraco acolhimento que a ideia teve. "Ninguém chegou a ouvir as diversas entidades oficiais. O Alentejo está na moda e Évora é a única cidade com condições - até José Manuel Nabeiro, como empresário, o afirma - para ter um clube na I Divisão. Mas há pessoas que fogem de falar nisso", sublinhou.
Branco Filipe considerou, por seu turno, que nas actuais circunstâncias o clube não poderá ir além de uma II B. "Não tenho dúvidas. As pessoas sentem-se bem assim..." Adepto da constituição de uma sociedade desportiva, recusa, porém, a possibilidade de uma fusão. "Não vejo isso nem daqui a 50 anos. Cada clube tem uma história, um património cultural e social. É impensável. Era como juntar o Sporting e o Benfica."
Nos últimos anos, Évora sofreu um desenvolvimento notável, beneficiando fortemente da instalação de pólos universitários. A cidade desfrutou, assim, de um grande rejuvenescimento e para estes jovens, de acordo com o presidente do Lusitano, "esta guerra não lhes diz nada". "Há dez anos, quando as duas equipas se encontraram na II Divisão, os jogos faziam faísca. Agora, a pobreza é tão grande que as pessoas ficam contentes com as desgraças do vizinho", salientou. "A rivalidade nota-se nos sócios mais velhos, na juventude é mais ténue", corroborou Branco Filipe. Todavia, não deixa de se manifestar, sobretudo nos momentos de desgraça do adversário. "Cerca de sessenta pessoas do Juventude regozijaram-se com os golos do Vendas Novas, no jogo que decidia a nossa subida", realçou Morais Santos. Do outro lado, há, igualmente, razões de queixa. "No Lusitano, também ficaram satisfeitos por termos descido", sustentou o líder do Juventude.
A hipótese de ambos os clubes desenvolverem uma estratégia comum morreu à nascença, perdurando a adversidade. "Assim o querem, assim o têm. Continuamos de costas voltas e vamos ver quem tem unhas para tocar guitarra", rematou Morais Santos.
RIVALIDADE QUASE NULA
Dinis Vital é uma figura proeminente no desporto de Évora e conhece bem a adversidade reinante entre as duas formações. Após 14 anos a defender a baliza do Lusitano, na altura em que o clube competiu na I Divisão (52/53 a 66/67), transferiu-se, depois de seis épocas no V. Setúbal, para o Juventude, onde, aliás, se iniciou como treinador. "Os sócios do Lusitano não gostaram e essa hostilidade perdura até hoje", salientou o internacional português, recordando que as únicas chicotadas psicológicas que sofreu foram, precisamente, no Lusitano, "numa altura em que podia atingir a I Divisão", recorda.
Apesar destes dissabores, frisa que, actualmente, "a rivalidade é, praticamente" nula". "Há trinta anos, Évora tinha paixão pelo futebol. Existiam jogadores de nível europeu a jogar aqui. A qualidade era boa e a rivalidade era grande, agora é, praticamente, nula. Hoje, o Juventude arrasta cerca de cem pessoas e o Lusitano pouco mais. São os de antigamente que vão ao futebol, os estudantes de fora não se interessam", afiançou Dinis Vital, ilustrando com um episódio recente: "Quando o Sporting conquistou o título foi uma grande festa, mas não ligam aos clubes de Évora."
A formação de uma SAD, como tábua de salvação, suscita algumas dúvidas ao antigo guarda-redes. "Até as entidades oficiais estão desligadas do futebol. O interesse estava ligado aos jogadores de valor que existiam na altura. As duas equipas tinham grande qualidade e os estádios estavam cheios. Neste momento não existem condições para ter um clube na I Divisão. Há um alheamento da cidade, Évora tem pouca indústria e o comércio atravessa sérias dificuldades", sustentou.
Caso os dois clubes se reencontrem no mesmo escalão, Vital adianta que o ambiente "nunca será como antigamente" e recorda que, anteriormente, "os jogos eram disputadíssimos, o clima era duro, de garra, de entusiasmo, de grande rivalidade, mas sem problemas de maior".
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