Jogadores devem ganhar cinco mil contos no máximo

Os jogadores de futebol deviam ganhar, no máximo, 5.075 contos (25.314 E) por mês. E no mínimo, 2.372 contos (11.831 E), segundo uma sondagem Record/Aximage realizada entre os dias 16 e 18 deste mês junto de eleitores portugueses com telefone fixo. Para o cidadão comum os salários dos craques devem ser mais próximos dos auferidos pelos trabalhadores em geral, ou pelo menos, semelhantes aos dos quadros médios e superiores com funções executivas nas maiores empresas nacionais e internacionais.

Em Portugal, o salário mínimo actual é de 416 euros (83 contos), de acordo com os números do Eurostat. Um valor que no contexto da União Europeia está abaixo da Eslovénia (451 E), Espanha (526 E), Malta (535 E) e Grécia (605 E). E é superior apenas aos salários mínimos dos países candidatos à integração europeia: Bulgária, Roménia, Letónia, Eslováquia, Lituânia, Estónia, Turquia, República Checa, Polónia e Hungria.

Na presente sondagem, os inquiridos responderam 5.075 contos (25.314 E) é o máximo que o melhor jogador de todos os clubes portugueses deveria receber por mês. Mas o inquérito de opinião continha como pergunta inicial "qual deveria ser o ordenado mensal mínimo de um jogador de futebol que já tenha actuado na Selecção Nacional?" A esta questão os inquiridos responderam que, em média, os futebolistas internacionais deveriam receber no mínimo 2.372 contos (11.831 E).

Esta perspectiva, normal para a maioria dos inquiridos e dos cidadãos, contrasta fortemente com a realidade. A disparidade de salários é um facto no futebol profissional em Portugal. Mas o que se destaca são os números "top" dos futebolistas mais bem pagos, entre os quais se contam os frequentadores da Selecção Nacional. Contudo não são apenas os internacionais a auferir os salários mais chorudos. Ordenados mensais na ordem dos 30, 40 ou 50 mil contos são uma realidade no futebol português.

Neste ponto, a enormidade dos recibos é independente de os craques se chamarem João Pinto, Simão Sabrosa, ou Deco. A opção salarial dos clubes e SAD, dificilmente reflecte para o cidadão comum a qualidade futebolística e os critérios de razoabilidade que impõe uma situação económica difícil para o futebol profissional e para o País em geral.

O valor mínimo foi, contudo, harmonioso. E os inquiridos na presente sondagem referiram montantes salariais claramente acima da maioria das restantes profissões. Este estudo pode ser lido também nos jornais "Correio da Manhã", "Jornal de Negócios" e Grupo Guia.

Mãos largas são homens e residentes no Grande Porto

Os portugueses que responderam com valores salariais máximos mais elevados são em maioria do sexo masculino (7.119 contos), com idades entre os 30 e os 44 anos (6.566 contos), residentes no Grande Porto (6.709 contos), e com sentido de voto legislativo no Partido Comunista Português (7.118 contos).

Nos limites mínimos de salários para futebolistas internacionais, a tendência mais benevolente encontra-se também nos homens. Mas de 60 e mais anos, do Litoral Norte, e com sentido de voto no PS.

Ficha técnica

A presente sondagem de opinião Record/Aximage tem como objecto "Ordenados dos Jogadores" e foi realizada junto de um universo composto pelos eleitores residentes em Portugal, com telefone fixo. Feita com base numa amostra aleatória, estratificada por região, habitat, sexo, idade, actividade, instrução e voto legislativo, polietápica e representativa do universo, com 600 entrevistas telefónicas (340 a mulheres). A taxa de resposta foi de 77,9% com um desvio padrão máximo de 0,020. As entrevistas foram realizadas entre 16 e 18 de Junho, com direcção técnica de Jorge de Sá e Luís Reto.

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