Luciano Gonçalves e a agressão ao árbitro José Rodrigues: «Isto é um crime público»

Presidente da APAF defende que agressor tem que ser detido e presente a tribunal

• Foto: Rui Miguel Pedrosa

Luciano Gonçalves, presidente da Associação Portuguesa de Árbritos de Futebol (APAF), considera "uma vergonha" situações como ocorrida este domingo no encontro entre o Rio Tinto e o Canelas e que resultaram numa agressão ao árbitro José Rodrigues, da Associação de Futebol do Porto.

"É mais uma situação que deve envergonhar o futebol português, deve envergonhar todas as pessoas que gostam de futebol. Será que depois disto as nossas intâncias desportivas não entendem que temos que tomar outras medidas? Que isto não pode continuar a acontecer, isto é vergonhoso", questiona o líder da APAF, considerando inaceitável estas agressões num país que, a diversos níveis, está no topo do futebol europeu e mundial.

"É vergonhoso o que está a passar-se num país campeão da Europa, num país que tem os melhores jogadores do Mundo, tem os melhores treinadores, que tem dos melhores árbitros do Mundo e, semana após semana, vamos passando, vamos falando, vamos falando disto com muita leviandade e, enfim, cá vão ficando os árbitros a sofrer", destaca Luciano Gonçalves, em declarações à CMTV, insistindo na necessidade das instâncias desportivas e judiciais olharem para o tema sem cinismo.

"Espero que as instâncias disciplinares olhem para isto, de uma vez por todas, com olhos de ver. E não consigo perceber como é que estas situações acontecem, em jogos que têm policiamento e as forças policiais não atuam como têm que atuar. Isto é um crime público", advoga o antigo árbitro, reforçando o seu ponto de vista: "A partir do momento em que um jogador agride um árbitro, que qualquer pessoa agride um árbitro, tem que ser detido, tem que ser presente a tribunal. É assim. Isto é um crime público e continuamos a ver isto como... mais um, mais um número. Só."

Após revelar uma reunião com a Fedração Portuguesa de Futebol, que já estava "previamente marcada", para abordar esta e outras questões, Luciano Gonçalves deixa algumas críticas às forças policiais e exige penas mais pesadas para os agressores.

"Se isto acontece num jogo com policiamento, imagine este jogo, como acontece em dezenas deles por esse país fora, que não têm polícia... A polícia interviu logo, imagine num jogo destes, uma situação destas sem polícia... Policiamento obrigatório, em todos os jogos, é o mínimo que pode exigir-se. Depois têm que existir castigos dignos destas atitudes. Não pode acontecer um jogador que agride um árbitro apanhar dois meses de castigo, dois jogos de castigo, como infelizmente está acontecer em algumas associações. Apanharem três meses de castigo, não pode acontecer. Qualquer jogador ou qualquer interveniente do jogo que agride um árbitro tem que ser punido de forma exemplar. Tem que existir uma suspensão, porque um jogador destes não faz falta ao futebol. Ninguém que agride um árbitro ou tem este tipo de comportamentos faz falta ao futebol. Portanto, se calhar, é melhor dedicar-se à luta livre, dedicar-se a outro tipo de desporto qualquer... Tudo menos ao futebol", argumenta o líder dos árbitros portugueses, defendendo medidas no campo deportivo, mas não só...

"Claramente têm que ser as associações e os conselhos de disciplina, quer a nível nacional quer a nível regional, primeiro eles, a darem o exemplo a nível desportivo, para que possamos ter algumas moral para que, a nível civil, também sejam castigados de forma exemplar", referiu Luciano Gonçalves, revelando dificuldades para entrar em contacto com o árbitro agredido: "Ainda não consegui entrar em contacto com ele. Quando soube do incidente tentei logo entrar em contacto com ele, mas não consegui. Espero entrar em contacto com ele nas próximas horas." 

Por João Lopes
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