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Antigo treinador do Vitória de Guimarães recorda episódio semelhante ao ocorrido com os jogadores do Sporting
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RECORD - O presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, quando comentou o ataque a Alcochete, estabeleceu um paralelo em termos de gravidade com a invasão ao treino do Vitória que aconteceu em janeiro. São incidentes comparáveis?
PEDRO MARTINS - O pós? Quanto ao pós não, mas porque eu fui um líder e consegui abafar tudo o que havia para abafar no Vitória. Havia uma imagem muito importante para manter que era a imagem do clube. Que foi grave, foi. Disse-o na altura. Mas, de facto, conseguimos manter a imagem do Vitória imaculada.
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R - Os acontecimentos foram tão graves como os de Alcochete?
PM - Foram.
R - Pensou bater com a porta?
PM - Naquele momento, jamais.
R - Sentiu-se ameaçado?
PM - O que digo é que nunca iria abandonar o grupo de trabalho naquele momento.
R - O caso deveria ter sido lidado de outra forma pela SAD?
PM - Não sei. Supostamente, a administração avançou com um processo-crime contra os invasores.
R - O que se passou no Sporting provocou-lhe alguma sensação mais forte por ter vivido um episódio semelhante?
PM - Ninguém gosta de ver aquilo que se viu. As medidas que foram agora aplicadas aos detidos têm de funcionar como um exemplo, demonstrando que algo assim não pode voltar a acontecer. Toda a gente tem de respeitar os profissionais. Sensível, sim, como é evidente, até porque não podemos deixar passar esta imagem para o Mundo inteiro. É algo que anda a acontecer pelos clubes todos e tem de acabar.
R - Viveu algum incidente semelhante, mesmo quando foi jogador do Sporting?
PM - Estas situações também não são normais. Passei por momentos como os que acontecem às vezes nos finais dos jogos, mas nada mais.
R - A seu ver, tanto como antigo jogador como treinador, e perante o que sucedeu em Alcochete, teria condições para jogar a final da Taça?
PM - O que se passou é lamentável. Fico triste pelo futebol português, acima de tudo. Aconteceu no Vitória e o Vitória foi jogar. Os meus jogadores estavam preparados e tivemos uma semana muito complicada. O que posso dizer é que a equipa preparou-se para aquilo. Estive como jogador numa final da Taça de Portugal, a do very-light, infelizmente de má memória, e aí sim. Ao intervalo, a partir do momento em que soubemos que tinha acontecido algo, e as nossas famílias estavam inclusivamente naquele sector, naquele momento o balneário entrou em pânico completo. Não sabíamos o que se estava a passar. Tentámos ligar às nossas famílias mas não se conseguia ter comunicação com ninguém. Portanto, aí sim, e por ter morrido uma pessoa, a final deveria ter sido cancelada. Este ano, o Aves não teve nada a ver com isso. Não foi um momento fácil, quer para o Jorge Jesus, quer para toda a estrutura, mas se isto acontece numa instituição os profissionais têm de dar resposta. Acho que havia condições para o encontro se realizar.
R - Ficou chocado quando viu o nome de João Aurélio envolvido na Operação ‘Cashball’?
PM - Não quero falar muito sobre isso. O que posso dizer é que o João Aurélio é um grande profissional. É um jogador à Vitória, que sente a camisola e que foi muito importante. Devo recordar que, no primeiro ano, quando tivemos muitas dificuldades porque vendemos o João Pedro e ainda não tínhamos o Zungu e o Rafael Miranda estava lesionado, o João Aurélio foi de uma importância fundamental. Naquele momento, adaptei-o a médio-centro e ele correspondeu. Como homem do futebol fico chocado com tudo o que vem a lume no futebol português. Nós não queremos isto. Não é isto que nos projeta para uma dimensão de excelência. Esta não é a imagem de Portugal e temos de mudar rapidamente.
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