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Especialista diz que sanções são "exercício de marketing" e não resolvem racismo
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A presidente da Associação de Filosofia do Desporto em Língua Portuguesa afirmou esta que as sanções contra o racismo no futebol são um "exercício de marketing", defendendo que o combate ao fenómeno exige uma reforma na formação de atletas.
"Se a resposta for apenas sancionatória, ficamos apenas no sintoma. O verdadeiro desafio é cultural, é educativo. Estas campanhas tendem a ser um bocadinho mais performativas do que transformadoras, na medida em que são um exercício, às vezes, de marketing, que depois, infelizmente, não resolve problemas que são estruturais", advertiu, em declarações à Lusa, Luísa Ávila da Costa, reagindo ao recente incidente entre Vinicius Júnior e Gianluca Prestianni.
Para a especialista em ética do desporto, o foco excessivo na punição ignora que o racismo é um problema "estrutural da humanidade" e que o ambiente do estádio, marcado pela "desinibição emocional coletiva", apenas potencia a visibilidade do insulto como arma de ofensa.
Para a investigadora, a abordagem disciplinar é importante, mas é insuficiente, ficando-se apenas pelo sintoma.
Luísa Ávila da Costa alertou para a falta de preparação dos protagonistas, notando que os jogadores profissionais, ao contrário de treinadores e árbitros, raramente recebem formação ética específica para lidar com estes episódios durante o seu percurso desportivo.
Estamos perante um problema cultural. Abordar apenas pela via sancionatória tem-se revelado ineficaz e até um pouco ingénuo
Presidente da Associação de Filosofia do Desporto em Língua Portuguesa
Embora reconhecendo a sua importância, a especialista critica ainda a "burocratização" de iniciativas como o cartão branco, defendendo que o combate à xenofobia e ao ódio não pode depender apenas de prémios ou castigos, mas sim de uma abordagem educativa e formativa.
"Estamos perante um problema cultural. Abordar apenas pela via sancionatória tem-se revelado ineficaz e até um pouco ingénuo", concluiu, reiterando que o fenómeno não é novo, mas encontra agora maior ressonância devido à exposição mediática permanente, na qual o futebol funciona como um "espelho amplificado" de conflitos sociais preexistentes.
Na terça-feira, em partida da primeira mão do playoff de acesso aos oitavos de final da Champions, que o Real Madrid venceu por 1-0, o avançado brasileiro Vinicius Júnior, após ter marcado o único golo do jogo, terá sido alegadamente vítima de um insulto racista por parte do argentino Gianluca Prestianni, extremo do Benfica.
O árbitro francês François Letexier interrompeu o encontro e acionou o protocolo antirracismo, retomando a ação quase 10 minutos depois.
Após o encontro, Prestianni negou qualquer insulto racista a Vinicius Júnior, enquanto o internacional brasileiro e outros jogadores do Real confirmaram a ofensa por parte do argentino.
O Benfica já veio a público reiterar total confiança na versão de Prestianni, que nega os insultos, lamentando o que considera ser uma "campanha de difamação".
O clube da Luz garantiu "total espírito de colaboração" com UEFA, que nomeou, entretanto, um Inspetor de Ética e Disciplina para investigar o caso, prevendo-se a audição de ambos os atletas nos próximos dias.
Prestianni poderá enfrentar uma suspensão mínima de 10 jogos e até uma queixa-crime em Portugal, caso se confirmem os insultos racistas a Vinicius Júnior.
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