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O empresário José Veiga apresentou ontem a empresa que detém em sociedade com Alexandre Pinto da Costa, a Superfute, num hotel de Paris, acção promocional que teve por objectivo abrir o apetite aos franceses para investirem nos títulos da sociedade que estarão à venda em secção bolsista da Euronext de Paris, a 10 de Dezembro. Dez por cento do capital da empresa será alienado (cerca de 7 milhões de euros – um milhão e quatrocentos mil contos), de preferência a investidores institucionais, mas, segundo o próprio Veiga, tal operação não tem a ver com problemas financeiros ou dívidas da Superfute. Simplesmente, quer expandir a actividade e tornar a agência dele num nome de referência no mundo do futebol.
De Lisboa trouxe muitos convidados para dar brilho à sala. Desde logo Eusébio, apresentado como "o Zidane do tempo dele" (assim os franceses mais novos percebem melhor), bem mais mediático que Hermínio Loureiro, secretário de Estado do Desporto que destacou a "iniciativa empresarial da Super- fute" num vídeo elogioso à empresa, onde também debitavam adjectivos, entre outros, Florentino Pérez e Jorge Valdano (presidente de director des- portivo do Real Madrid, respectivamente), Bobby Robson (treinador do Newcastle), Bernard Tapie (ex-presidente do Marselha), Paulo Futre (director desportivo do Atlético de Madrid) e alguns dos jogadores mais importantes que Veiga representa, como Fernando Couto, Jardel, João Pinto, Simão ou Nuno Gomes.
Explicando que a Superfute esteve directamente ligada às duas maiores transferências de sempre do futebol, as de Figo e Zidane para o Real Madrid, o senhor Thannberger, responsável pela empresa que lidera, em França, o processo de adesão à bolsa, fez-se valer de todos os argumentos para dizer claramente aos franceses: invistam na Superfute, que é um negócio de alta rendibilidade.
Para demonstrar, por uma última vez, toda a pujança do projecto, Veiga garantiu que deseja ser "líder de mercado, a nível mundial, dentro de três anos", apontando o ano de 2004 como "muito bom" para os negócios que a empresa espera concretizar, já que "detém a maioria dos jogadores internacionais portugueses que vão jogar o Europeu" em casa. E para aqueles que revelavam cepticismo em relação à capacidade da Superfute para tornar-se um negócio aliciante, o ex-emigrante no Luxemburgo juntou mais esta ideia: "Hoje em dia compra-se tudo em 'leasing'. Também nós daremos aos clubes a possibilidade de adquirem jogadores dessa forma. Qual a vantagem? Passam a poder utilizar, por aluguer, atletas de um nível que nunca pensaram conseguir ter."
José Veiga: «Títulos não nos interessam»
Quando Veiga explicou que a Superfute tem interesse em "comprar e vender os seus próprios jogadores, porque garante maior rendibilidade", logo um jornalista francês o alertou para o facto de os passes, por lei da FIFA, terem de pertencer a clubes.
O empresário português já tinha a resposta pronta: "Claro, por isso é que a Superfute controla dois clubes, o Bonsucesso, no Brasil, que comprámos por 100 mil euros, com o estádio incluído (20 mil contos), e o Estoril-Praia, em Portugal. Não temos esses clubes para ganhar títulos, não é isso que nos interessa, mas sim a rendibilidade que tiramos deles. Esses clubes estão ao serviço da Superfute e não me interessa que ganhem ou subam de divisão. Através deles podemos inscrever os nossos jogadores. E o nosso próximo alvo é adquirir um clube em África e outro no Leste da Europa. Assim, podemos passar a formar os nossos próprios jogadores e, através das pessoas que trabalham nesses clubes, fazer a prospecção desses mesmos mercados."
Próxima estação: Bolsa de Lisboa
A Superfute, anunciou ontem José Veiga, vai dar passos no sentido de conseguir transaccionar acções na Bolsa de Lisboa. Esse é o próximo passo da estratégia empresarial que tem desenhada. Vai pedir uma reunião à CMVM para expor a ideia e espera que tão breve quanto possível esse desejo possa concretizar-se. Não revelou, contudo, a quantidade do capital que está disponível para negociar na praça lisboeta.
Negociar sem dizer qual o destino final
Veiga não escondeu nada da estratégia que tem em mente para valorizar a Superfute. Um dos planos passa por, no futuro, negociar transferências de jogadores sem dizer ao clube vendedor quem é o comprador. Dessa forma, os grandes clubes europeus ficarão a salvo de preços inflaccionados, desde que os vendedores aceitem, claro, ceder jogadores nestas condições.
Só Dani e Emerson de entre os jogadores
Os jornalistas franceses pensavam que teriam oportunidade de ver ali Figo ou Zidane. E viram. Só que em vídeo, porque os jogadores do Real Madrid viajaram para Tóquio, onde vão jogar o título mundial. Presentes, apenas Dani e Emerson (Atlético de Madrid) que, de resto, entraram e saíram rapidamente, mal se dando pela presença deles.
De Portugal, deslocaram-se Luís Filipe Vieira (Benfica), Paulino Pavão (Santa Clara), Fernando Oliveira (Sp. Braga), Manuel Damásio (Estoril), Fernando Gomes (ex-jogador), Artur Jorge (treinador desempregado) e Humberto Coelho (treinador desempregado).
Basile Boli, ex-jogador do Marselha e Milan, também marcou presença e mostrou agrado pelo facto de Veiga anunciar que pretendia adquiri um clube africano. Boli é da Costa do Marfim.
Pinto da Costa? Onde?
No decorrer da cerimónia de apresentação da Superfute, o senhor Thannberger tentou explicar aos jornalistas e convidados franceses quem ali estava para dar apoio à iniciativa de José Veiga e associados. Para além de chamar "ministro" ao secretário de Estado português, ainda garantiu a presença do "presidente do FC Porto", o que fez com que José Veiga sorrisse, dado que, obviamente, Jorge Nuno Pinto da Costa não estava ali por razões que toda a gente conhece: eles não se falam. Para compensar, estava o filho Alexandre, aliás sentado à direita de José Veiga...
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