«Rui Pinto não ganhou um cêntimo e não foi movido por motivação clubística»

Francisco Teixeira da Mota lamenta ainda a 'bipolarização' do processo

Seguir Autor:

Adicione como fonte preferencial no Google

Francisco Teixeira da Mota, advogado de Rui Pinto, garantiu esta manhã, nas alegações finais do julgamento do processo 'Football Leaks' no Campus de Justiça, em Lisboa, que o seu cliente "não ganhou um cêntimo" com as suas divulgações e que não foi o interesse clubístico a motivar as suas ações, frisando que este não é um "criminoso informático" e sim um denunciante.

"Não podem haver acusações em relação a vantagens económicas do meu constituinte. Desde agosto de 2015 até à sua detenção, não há nenhum movimento de entradas de dinheiro, tentativas de obtenção de dinheiro, seja o que for. O meu constituinte vivia de forma modesta, do negócio do seu pai, que é a venda de memorabilia. Ninguém pode dizer que Rui Pinto ganhou um tostão com a sua atividade. Não ganhou um cêntimo!", exclamou. "O arguido foi transformado no inimigo número um, que vinha colocar em causa o estado de direito, era o alvo a abater", lamentou.

"A acusação pública pretendia imputar ao arguido uma motivação clubística. De facto, o arguido é adepto do FC Porto. No entanto, ficou inequivocamente provado que a atividade do Football Leaks não se moveu por isso. A maioria dos contratos divulgados era do FC Porto. Não houve motivação clubística. Nem interesse clubístico nem económico motivou o arguido", vincou.

Teixeira da Mota criticou ainda a forma como o tribunal tentou bipolarizar o julgamento do 'Football Leaks', alegando que os conteúdos divulgados pelo pirata informático têm interesse público. "Este processo não é uma luta entre a civilização, a democracia, o estado de direito e a anarquia, o vale tudo, a criminalidade à solta, o fim do estado direito. Não é verdade, nenhum arguido aqui defende que os fins justificam os meios e que o sigilo profissional dos advogados não deve ser respeitado. É um argumento que aqui foi lançado para condicionar o Tribunal, para criar aqui a ideia de que está em causa a civilização. O arguido foi claro na sua contestação, não defende que os fins não justificam os meios. Isto tem de ser visto pelo tribunal com olhos de conclusão global e não na forma estrita a que se quer reduzir este processo a uma questão civilizacional", sublinhou.

"Falou-se daqui da distinção do interesse do público e do interesse público. É uma distinção clássica das pessoas que querem minimizar o acesso à informação. Como é evidente, não há fronteiras definidas. É algo que varia circunstancialmente", lembrou o advogado. "Estas questões não são preto e branco. Na atividade do meu constituinte há coisas de grande interesse público, outras do interesse do público e que podem ser relevantes. Veja-se o caso do ordenado do treinador Jorge Jesus, isso não tem importância nenhuma", explicou.

Deixe o seu comentário
Newsletters RecordReceba gratuitamente no seu email a Newsletter Premium ver exemplo
Ultimas de Football Leaks
Notícias
Notícias Mais Vistas