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A luta da nova internacional portuguesa: Pauleta leva um jogo por dia a passar cremes

Pauleta, jogadora do Benfica, cumpre ritual diário de cuidados com a pele
• Foto: SL Benfica

Não é a doença que a define, mas a forma como a enfrenta diz muito do carácter empenhado e resiliente com que encara o futebol... e a vida. Paula Domínguez Encinas, Pauleta, centrocampista do Benfica nascida há 28 anos em Redondela, em Pontevedra, está há 10 anos em Portugal e foi a grande novidade da convocatória divulgada esta quinta-feira por Francisco Neto para os jogos da Seleção Nacional feminina com a Finlândia, a 3 de março, e a Eslováquia, dia 7, na caminhada de apuramento para o Mundial 2027. A par de Daniela Areia Santos, defesa de 22 anos do Valadares Gaia, e de Nádia Bravo, criativa de 21 anos do Sp. Braga, a luso-espanhola foi chamada pela primeira vez.

Depois de duas lesões graves (rotura dos ligamentos cruzados anteriores no joelho esquerdo, em março de 2023, e do direito, em outubro de 2024), que lhe limitaram a competição nas últimas épocas, a jogadora que chegou a Braga em 2016 e integrou o plantel do Benfica desde a sua criação, passados dois anos, viu agora concretizado o sonho de ser chamada à Seleção.

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Mas desde a infância que Pauleta enfrenta um adversário que vence diariamente: a dermatite atópica. Quando começou a jogar, na terra natal, aos seis anos - "Era uma coisa de miúdos, só rapazes", lembra -, deparou-se de forma mais concreta com um problema de saúde extremamente incómodo. "As primeiras lembranças que tenho de mim é com dermatite, com dor e eczemas. Percebi que tinha de sentir comichão, ter partes do meu corpo com feridas, que tinha algo diferente com que tinha de viver. Não havia mais nada a fazer", reconheceu em 2021 à Rádio Renascença, concedendo: "Tinha um balneário só para mim e não tinha problema nenhum. Tomava banho sozinha, vestia-me sozinha."

Mas a dermatite foi deixando marcas - na pele... e não só. "Como qualquer adolescente, queria ser como o resto do grupo, ser fixe, ser gira. E, afinal, tinha uma coisa na pele que era muito visível e que me faz ser muito diferente do resto. As pessoas, não querendo ser más, olhavam, faziam caras estranhas e perguntavam o que era." Ainda hoje, com a doença já controlada, há um ritual que cumpre escrupulosa e diariamente. "Passo um creme hidratante, um creme-barreira para proteger a pele e uma camada de protetor solar". Isto, antes de sair de casa, num procedimento que dura entre 15 a 20 minutos. Ao chegar ao treino, renova a camada. Depois do treino, o tempo de aplicação duplica. "Não é só proteger a cara ou as zonas mais visíveis... tenho de proteger o corpo todo e, além do hidratante, tenho de passar mais cremes específicos e, aí, já posso demorar mais 45 minutos", revela a jogadora que se licenciou em Química na Faculdade de Ciências de Lisboa que volta a repetir a primeira operação antes de dormir. Mais 15 minutos. "Portanto, ao final de um dia, se fizer as contas, posso passar uma hora e meia só a meter cremes." No fundo, um jogo de futebol por dia, sem falhar, nem facilitar.

Por Mário Duarte
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