Mariana Cabral antevê Supertaça entre Benfica e Sporting: «Calendarização da final não faz muito sentido»

Treinadora das leoas critica data e local da prova, quarta-feira em Aveiro, mas espera ganhá-la

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• Foto: Rui Minderico

O Sporting prepara com confiança a final da Supertaça feminina, que terá lugar quarta-feira em Aveiro, contra o campeão Benfica. A técnica Mariana Cabral considera, todavia, que o jogo deveria realizar-se noutra data que não a meio da semana.

"Tenho pena e acho que é uma oportunidade perdida o dia da final. Não é um bom dia e não faz muito sentido a calendarização. Pela forma como aconteceu o Mundial feminino e como a seleção teve uma prestação tão positiva, podíamos potenciar mais o futebol feminino, pelo dia e local em que vamos jogar", criticou a responsável leonina, assinalando: "Tem-se falado muito de futebol feminino nos últimos meses, por boas razões, pelo Mundial, e por outras não tão boas também. Há que aproveitar agora para que as pessoas possam ver em canal aberto. É uma ótima notícia, tenho pena do local e do dia, mas espero que as pessoas que estejam perto de Aveiro possam assistir ao jogo".

Como é natural, a expetativa do grupo é grande. "Quando se disputa uma final, é sempre uma boa semana de trabalho, porque há sempre essa competitividade que é inerente a toda a gente e, obviamente, sabendo que estamos num clube tão grande. Sempre que é uma semana de disputar troféu, estamos todas muito motivadas e ativas para conquistá-lo", disse, pormenorizando: "Uma final tem sempre essa divisão de 50/50, no início de época é sempre difícil e com certeza que nem Sporting nem Benfica estão na sua máxima força. Acho que será um jogo muito dividido e, numa final, é preciso controlar também o fator emocional, pois não é só a questão física e tática. Para os adeptos é um jogo seguramente interessante".

A vitória obtida em março na Luz, que quebrou invencibilidade encarnada, não serve de referência. "As equipas estão um bocadinho diferentes. Acho que esse jogo já é passado, não importa nem esse nem os outros jogos, sinceramente. Numa final, nada disso importa, ainda por cima estamos numa nova época, com jogadoras novas no nosso lado, no lado do Benfica também, sensações e formas de jogar novas e são momentos diferentes. E dentro do próprio jogo há que saber geri-los, tendo em conta os pontos fortes do Benfica. Espero um jogo muito competitivo", defendeu Mariana Cabral, que venceu esta prova em 2021 pelo Sporting.

Demonstrar lá dentro

Também Ana Borges está preparada para dar boa resposta diante das encarnadas. "Mais motivadas não se pode estar quando se trata de uma final.  O último troféu que conquistámos foi em 2021 e queremos voltar a festejar, embora tendo a plena consciência que é um jogo difícil. A equipa está motivada, queremos muito, mas temos de demonstrar em campo. Não vale a pena estarmos aqui a dizer e, depois, chegarmos lá e não o demonstrarmos", notou.

A internacional portuguesa espera que o público compareça, aproveitando a onda positiva do Mundial da Austrália e Nova Zelândia. "Esperemos que sim, embora sabendo que é numa quarta-feira e muita gente já deve estar a trabalhar. E o estádio, se calhar, não é assim tão acessível para muita gente. Mas acreditamos que vamos ter um bom ambiente, uma festa do futebol feminino, pois quando é um dérbi chama muito mais gente. Mas o importante é dentro de campo: vamos buscar a força aos nossos adeptos, mas temos de mostrar o nosso futebol", observou.

A capitã do Sporting não entende que o velho rival tenha vantagem por ter mais jogos nas pernas nesta altura. "Não acredito que aqui haja mais para eles, por terem mais jogos que o Sporting. É um dérbi, uma final e isso não vai contar em nada. Aliás, no Mundial também jogávamos de 3 em 3 dias e não era por aí que as pernas estariam mais cansadas. O Benfica quer muito, nós queremos muito, elas têm mais rotina de jogos, mas quarta-feira teremos uma final entre duas equipas que querem conquistar o título e não vão pensar no que está para trás ou no que vem a seguir", considerou Ana Borges.

Na sua ótica, os reforços vieram acrescentar e o Sporting está hoje mais capaz de acabar com a hegemonia do Benfica. "Fomos contratar muito boas jogadoras, que vieram acrescentar ao nosso plantel. Claro que ainda não temos tantos jogos para elas se entrosarem, mas vão-nos ajudar ao longo da época. Não estamos mais fracas do que nos últimos anos. Sempre demos luta, tirando no ano passado os jogos da Taça de Portugal com o Benfica que, realmente, nos mandaram um bocadinho abaixo. Mas no ano passado fomos, se calhar, a única equipa que conseguiu fazer frente ao Benfica, com o poderio que elas tinham. Este ano esperamos dar mais luta e se possível conquistar este título", adiantou.

Frente a frente estarão colegas da seleção, que tão boa figura fizeram no Mundial, mas Ana Borges assegura que não há apostas feitas de parte a parte. "Não, não temos nenhuma aposta. Podemos falar antes, podemos falar depois, mas dentro de campo cada uma defende o seu clube. Queremos conquistar o título, sejamos nós para o Sporting ou elas para o Benfica, mas também não podemos esquecer que somos amigas, há amizades e é isso o que vamos levar daqui do futebol", concluiu.

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