António Oliveira crítico no adeus ao Benfica: «Nos últimos dois meses deixámos de ser um grupo...»

Treinador da equipa B fala no "contexto muito complicado" vivido no clube e menciona título da Youth League: "Não é uma vitória de uma só pessoa..."

• Foto: Rui Minderico

António Oliveira atribuiu justiça ao resultado no Olival (triunfo do Benfica B por 3-2), afirmando que a sua equipa se manteve sempre fiel ao estilo de jogo que praticou durante toda a época, explicando ainda a opção por Fabinho na ala esquerda da defesa encarnada em detrimento de Rafael Rodrigues.

"Independentemente de serem duas partes distintas, o Benfica sempre propôs mais o jogo do que o FC Porto. Percebemos também que o lado direito do FC Porto era o mais acionado, principalmente em situações de um contra um, em que nós tivemos algumas dificuldades e por onde nasceram os dois golos do FC Porto. Conseguimos em algumas situações, dentro daquilo que foi o plano de jogo, roubar algumas bolas no meio-campo ofensivo do FC Porto, constrangindo os espaços que achámos que eles poderiam tirar mais vantagem e a partir daí chegar mais perto da baliza do adversário. Na segunda parte, advém as dificuldades do Fabinho em estar a controlar os movimentos do Gonçalo mas às vezes as pessoas, por determinadas opções que nós temos, não sabem porquê que as tomamos. O Rafael Rodrigues, independentemente de sabermos que é a sua posição-mãe, há uma semana e meia que não treina, teve alguns problemas respiratórios e por isso a decisão pelo Fabinho. De qualquer das formas, acho que o resultado se aceita. Fomos uma equipa competente. Nunca fugimos da nossa matriz e acho que se assenta uma vitória justa, frente a um FC Porto bem orientado, com excelentes valores individuais. Engraçado que um [dos valores], tive o prazer de defrontá-lo no Brasil e depois viemos cruzar-nos aqui", disse.

Em jeito de balanço do que foi a sua passagem pelo comando técnico do Benfica B, António Oliveira deixou críticas ao clube, apontando as várias dificuldades que a equipa B teve até ao final da temporada, realçando o facto de ter 'vendido' aos jogadores o sonho da conquista do título da Liga Sabseg, um sonho que disse ser impossível tendo em conta os objetivos do clube.

"Mas acima de tudo, e se me permite, acho que é de valorizar o que esta equipa fez. Chegar, ainda não sabemos se 4.º ou 5.º lugar, mas se formos quartos será a melhor classificação de sempre, batemos o recorde de vitórias, o número de golos, fomos a melhor equipa a jogar fora. Se conseguíssemos materializar isso em casa talvez pudéssemos... [chegar ao título]. Há dois meses percebi que era difícil. Eu vendi um sonho aos jogadores que mais tarde percebi que era muito difícil de alcançar, que era o título na 2.ª Liga, uma vez que o projeto desportivo do Benfica passava pela Youth League, pelos sub-19 e pela equipa A. De qualquer das formas, fica o registo porque muitas vezes somos quase um grupo, aliás, no último mês e meio dois meses deixámos de ser praticamente um grupo. Até lá, fomos mais ou menos estáveis, estávamos em primeiros, acreditei sempre que isso fosse possível dentro de uma estabilidade diferente que aquela que não era proporcionada porque os objetivos da equipa B para o Benfica estavam concluídos. Tive um enorme prazer e um orgulho fazer esta caminhada com estes jogadores, com este staff, pus sempre por este projeto desportivo, vim num momento em que o Benfica estava a atravessar um momento difícil, vim com uma missão em que eu tenho a certeza absoluta que a cumpri. Mesmo num contexto muito, muito complicado. Pus sempre os interesses do Benfica à minha frente. Agora vou dar seguimento, retomar a minha carreira e pensar mais em mim. Vou seguir o meu caminho", atirou.

Sobre o futuro, António Oliveira assumiu que irá procurar um novo lugar para prosseguir carreira, num contexto que seja de acordo com as suas ambições profissionais, "com uma estabilidade diferente" e "mais fechado".

"Foi um prazer e um orgulho enorme poder representar o Benfica. Já o tinha feito enquanto jogador, fi-lo enquanto treinador. Tenho a certeza que um dia poderei regressar mas as minhas prioridades, e toda a gente sabe por onde eu andei, o que já conquistei, fiz com orgulho e com esse prazer. Mas agora também não interessa o meu futuro. Mais tarde ou mais cedo vai-se saber. Ou em Portugal, ou fora do país onde felizmente deixei mercado. Portanto, acima de tudo é valorizar os jogadores e esta equipa dentro de circunstâncias muito difíceis. Como já disse, muitas vezes quase que nos reunimos na véspera para poder jogar no fim de semana seguinte. Esta equipa é responsável, e isto também gostaria de mencionar, 60% dos jogadores - alguns não estão aqui - são responsáveis pela conquista da Youth League. E quero o reconhecimento também das pessoas que acompanham e com quem eles trabalham mais tempo, ok? É um trabalho de um conjunto de treinadores que são o reflexo dessa conquista. Não é uma vitória de uma só pessoa, mas acima de tudo do Benfica. Portanto, o meu futuro a seu tempo se saberá. Mas será sempre de acordo com as minhas ambições, com uma estabilidade diferente e numa coisa mais fechada, alcançar aquilo que eu ambiciono para a minha carreira", terminou.

Por Record
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