Ricardo: «Eu sou o rosto de uma doença que muitas pessoas atravessam»

Guarda-redes falou pela primeira vez sobre o cancro na semana em que voltou aos treinos

• Foto: Leandro Coutinho

No final do treino desta manhã do Chaves, o guarda-redes Ricardo falou aos jornalistas sobre o cancro nos testículos que enfrentou ao longo dos últimos três meses, ele que já trabalha sem limitações às ordens de José Mota desde segunda-feira.
 
"Quero dar o rosto por pessoas que estão numa situação muito mais difícil do que a minha. Nós vamos sempre buscar forças àqueles que nos são mais próximos, que nos acarinham todos os dias, a nossa família, os nossos amigos. Também tive alguma sorte, o meu caso foi apanhado numa situação embrionária, o que fez com que não tivesse de fazer tratamento e estar de volta agora", afirmou o guardião.
 
De seguida, Ricardo partilhou o que sentiu quando a doença foi diagnosticada. "É uma sensação indescritível, pensámos que vamos morrer, a palavra cancro é muito forte. Passa-te mil e uma coisas pela cabeça. Não sabes o que se vai fazer, é uma ansiedade tremenda, sempre à espera dos exames…", contou.
 
O guarda-redes agradeceu também todo o trabalho de quem lidou com ele no IPO Porto, referindo-se ao procedimento cirúrgico que foi feito com ele: "Nunca pensei deixar o futebol, mas no momento deixei de lado porque o meu foco era lutar pela minha vida. As pessoas do IPO foram fantásticas e fizeram sentir-me em casa, um grande beijinho para a doutora Matilde, que foi o meu anjo da guarda. Eu sou o rosto de uma doença que muitas pessoas estão a passar e estão a passar por muito mais do que eu. Tirei um testículo, coloquei prótese, estava tudo ok. Fiz exames e análises ao corpo a ver se o tumor estava metastizado. Foi a conselho de urologia e concluíram que estava apto para voltar a competir. Tenho de fazer exame de três em três meses no primeiro ano."
 
O lado psicológico é algo que também terá de ser gerido daqui para a frente, atesta o guardião, de 37 anos. "A parte psicológica é mais no ‘pós’… porque qualquer sintoma que tenhamos pensamos que pode estar associado à doença. Se fizesse quimioterapia ou radioterapia, é que poderia ficar infértil, mas, em relação a essa questão, não corro esse risco. Graças a Deus tenho dois filhos fantásticos e não pretendia ter mais filhos", afirma.
 
Quanto ao presente e ao regresso ao desempenho da sua profissão, o capitão só quer ajudar o Chaves a regressar à 1ª Liga, ele que está a um jogo dos 60 pelos transmontanos. "Agora é tentar recuperar porque estive dois meses e meio praticamente parado. Sou mais um para ajudar. Sinto-me bem fisicamente e o primeiro jogo depois disso vai ser sempre especial porque vai ser um troféu para mim que ultrapassei uma coisa muito dolorosa que é o cancro. Podia ser o jogo 60, 100, 1000 ou 1001. O meu foco principal é em ajudar o clube a alcançar o objetivo que é a subida de divisão", expressa.
 
Por fim, o guarda-redes termina com a mensagem inicial, a que quer passar: "Eu espero que o meu exemplo seja força-extra para os outros, há outras pessoas que terão situações bem mais complicadas do que a minha. É essa a mensagem que quero deixar."

Por Paulo Silva Reis
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