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"Hoje, acreditamos que o trabalho transdisciplinar será a chave para o sucesso de uma equipa de futebol. Sempre tive muito boas relações com todos os treinadores."
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RECORD - Como é que os ambos, partindo de um clube gigante como o Flamengo, aterram no Vilafranquense, do segundo escalão português?
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LUCAS ALBUQUERQUE – Entrei no Flamengo com 22 anos e hoje tenho 27, foram cinco anos [por lá]. Sempre tive interesse em vir para a Europa. Sempre foi uma vontade minha em construir carreira no futebol europeu e quando surgiu o convite do Dr. Gustavo, aceitei logo e não pensei duas vezes. Era uma ambição pessoal. Aceitei vir para o clube, como coordenador do departamento médico. Depois fiz o convite ao Douglas, para uma área muito importante, onde o clube estava carente, na parte da nutrição.
DOUGLAS OLIVEIRA – Foi um desafio muito bom. Nós conversávamos muito sobre isso. Entrámos no Flamengo, quase na mesma época, entrei como estagiário e fui subindo e crescendo lá dentro. Falávamos sobre sair para algum lugar e vir fazer carreira na Europa. Quando surgiu a oportunidade, o Lucas ligou-me se queria vir. Já estava casado e é um desafio que partilho com a minha esposa, seja a carreira e uma nova vida.
R - Sem menorizar o Vilafranquense, mas estavam num dos maiores clubes do Mundo, o Flamengo. Não haveria um Benfica, Sporting, FC Porto ou Sp. Braga interessados? Como saíram do clube?
LA - Tudo na vida tem o seu momento. Gosto muito dos desafios e projetos. Subir até à 1ª Liga num curto espaço de tempo, montar uma estrutura do zero. Acabei por aceitar e agora é mostrar o meu trabalho e a ambição do clube.
DO - O maior desafio é esse. Contribuir para essa melhoria do clube. Sair de um lugar, para outro, são novos desafios. Estruturar a área da nutrição e como entender melhor o jogador. O que se fazia no clube e o que podemos implementar de diferente. Há um enorme desafio, começar uma coisa nova é muito importante.
R - A Globo garantiu, na altura, que um dos motivos da vossa saída era que o Flamengo não pagava ao staff técnico como verdadeiros profissionais. Isso teve influência para a vossa saída?
LA - Não vou dizer que não teve influência. Vale a pena ir em buscar de novas oportunidades, tentar entender-se como profissional que sou. Tenho 27 anos e quis buscar novos ares e conhecer-me melhor, entrar num projeto pela minha mão e quando vais para um clube grande, que já tem um projeto pronto, existe uma estrutura.
R - Sobre as vossas funções, o Lucas tem um cargo aqui mais abrangente?
LA - No Flamengo era fisiologista. Sou agora coordenador científico, coordeno o departamento médico do Vilafranquense como um todo. Coordeno fisioterapeutas, o médico e a preparação física. Como dizemos no Brasil, é um elo do trabalho transdisciplinar, pois todas as áreas atuam juntas, numa melhoria de performance e de rendimento. Coordeno todas essas áreas e acumulo a parte de fisiologista e de preparador físico, gerindo o departamento médico. Tínhamos 12 jogadores lesionados quando entrámos e passámos a pequenos casos isolados e o principal objetivo foi cumprido.
DO - O Lucas viu essa necessidade de ter um nutricionista em todos os treinos e jogos e ter esse contacto próximo com o jogador. Quando vim para cá, foi para melhorar a individualidade de cada atleta, às vezes faltava um pouco isso. Vim com a missão de tentar melhorar a parte mais pessoal de cada jogador e tentar atacar essas coisas pequenas que ainda faltavam.
R - Sentem que o vosso trabalho é cada vez mais valorizado nas equipas técnicas?
LA – Hoje, acreditamos que o trabalho transdisciplinar será a chave para o sucesso de uma equipa de futebol. Sempre tive muito boas relações com todos os treinadores. Todos acham essa troca de ideias e opiniões muito importante e acredito que o trabalho é mais valorizado.
DO - Hoje em dia consomem mais o trabalho da minha área. Existe uma interação muito maior. Antigamente não havia muito isso de querer entender como está o jogador. Se comeu no dia antes, no dia do jogo e como isso passa e interfere no rendimento dentro de campo, como isso desenvolve a performance do jogador. Sinto que todos, na equipa técnica, estão a ‘consumir’ mais a minha área, na nutrição.
R - Sentem o impacto da mudança nos vossos afazeres profissionais? Sentem diferença para o que fazem no Brasil e em Portugal, no futebol?
LA - Há uma diferença que se chama tempo. No futebol brasileiro o calendário é mais apertado. Fazemos praticamente recuperações o tempo inteiro. Aqui, temos um jogo por semana e um calendário mais equilibrado. Existe mais tempo para treinar e recuperar o atleta, conhecer o atleta e a diferença é muito grande. Aqui conseguimos aproveitar isso melhor.
DO – No Brasil, a minha área era mais ser bombeiro. Apagar incêndios e dar alguma coisa ao atleta para jogar outra vez. Aqui é permitido construir alguma coisa com o atleta. Não ficamos naquele ‘tem de recuperar para ir jogar temos mais tempo’ e há um plano diferenciado para resultados diferentes. Aqui temos acesso a outras culturas, na Europa. Por exemplo, nunca tinha tido um atleta que fizesse o Ramadão no plantel. Já tinha estudado mas não tinha feito na prática e isso foi só aqui que sucedeu.
R - Se conseguissem nomear um caso real do vosso contributo para o futebol qual seria?
LA – Quando se chega a uma equipa e temos jogadores lesionados e que não estão a render…. Conseguimos fazer com que todo o plantel esteja à disposição e mexer nas peças para que estejam no máximo da forma física. Conseguimos chegar ao fim com isto.
DO – Foi-me questionado a existência de cãibras nos jogos e acaba-se por ter de se tirar um jogador cedo em demasia, numa partida com um problema que pode ser solucionado com algumas estratégias. A cãibra tem alguns princípios que envolve a alimentação e hidratação. Se tiverem uma má hidratação e falta de energia, podem existir mais cãibras.
R - A maior diferença foi estar no Maracanã, com o estádio repleto, e passar a jogar em Rio Maior, com no máximo 300 pessoas?
LA – Ter 80 mil pessoas e gritar pelo seu clube faz diferença para o jogador. No nosso caso específico não altera, o que fazíamos no Flamengo tentamos aplicar aqui.
DO - Durante a pandemia jogámos sem público. O jogador pode sentir um pouco, mas a correria é igualm a sua concentração é igual e não mudou muita coisa, nós estamos envolvidos no trabalho.
R - Antes de virem para Vila Franca de Xira, já conheciam a terra das esperas e das corridas de toiros?
LA - Quando recebi a proposta, liguei a amigos e soube informações do clube e da cidade.
DO – Começámos a falar com alguns amigos e aí recebemos informações de Vila Franca de Xira.
R – Sobre as lesões dos jogadores, esse foi o maior progresso na temporada [2021/22]?
LA – É muito importante para nós e para o treinador e para todos que os jogadores estejam na melhor forma possível, que joguem 95 minutos intensos e da melhor forma até ao fim.
R – O André Ceitil teve um calvário de 14 meses sem jogar oficialmente. Que trabalho, até o nível psicológico, existiu e o que há aqui a fazer da vossa parte?
LA – O Ceitil tem uma mente muito forte. Cheguei ao clube e ele estava a iniciar a fisioterapia. Foi um trabalho muito bem feito por todos. Sempre disse que ia voltar e nunca se deu por vencido. Quando ‘peguei no Ceitil’ decidimos todos que ia voltar no início de janeiro. Foi uma alegria o regresso dele aos treinos e aos jogos. Fico muito feliz e honrado por ter participado no seu regresso ao futebol e ter iniciado e terminado um jogo. Hoje aguenta jogar 90 minutos.
DO – É fácil trabalhar com ele. Estivemos sempre em contacto com o jogador para ver como poderia melhorar rápido. O próprio jogador já tinha uma noção de nutrição muito boa. Fazia prontamente as indicações que lhe dávamos. A medalha é para ele e nós ajudámos um pouco.
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