Lucas Albuquerque: «Gosto de uma coisa no jogador que é quando ele sente a necessidade de melhorar»

"Logo no início, perguntavam-me se um alimento era bom ou se o jogador consumia um tipo de alimento durante muito tempo e o mesmo era positivo. Também perguntam se um suplemento em concreto faz efeito. "

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• Foto: Vilafranquense

RECORD - Que conselhos é que os jogadores habitualmente vos pedem?

LUCAS ALBUQUERQUE – Gosto de uma coisa no jogador que é quando ele sente a necessidade de melhorar. Acho muito importante. Tem de ter a vontade de ser sempre melhor. Pode ser titular e quer continuar a sê-lo, é suplente e ter a vontade de ser titular. Se não é convocado, tem de ter a vontade de o ser. É o que move um jogador. Este é um grupo muito bom para trabalhar, procura sempre mais. A mim, o jogador pede-me um trabalho de fortalecimento para membros superiores e inferiores, ainda que seja algo que já fazemos habitualmente. Já temos isso. Numa folga, perguntam-me o que podem fazer do local de treinos e um pouco a mais que não seja um problema. É um grupo muito bom a quem dou a essas dicas. Vejo isso na minha parte e na parte da fisioterapia. Perguntam-me que tipo de alongamentos podem fazer e é algo que me pedem muito no clube.

DOUGLAS OLIVEIRA – Logo no início, perguntavam-me se um alimento era bom ou se o jogador consumia um tipo de alimento durante muito tempo e o mesmo era positivo. Também perguntam se um suplemento em concreto faz efeito. Todos eles começaram a perguntar para que servem as cápsulas e proteínas. Acredito que queriam também conhecer-me e conhecer a minha opinião sobre o que já faziam e o que lhes estava a propor. Hoje em dia, a alimentação e quando podem saltar as regras são as perguntas que costumam fazer. O nosso grupo é muito profissional quanto a isso. Não têm essa vontade de querer comer sempre algo diferente e fugir. Toda a gente tem os seus dias, os seus momentos e as suas refeições. ‘Gostaria de comer a coisa X. Qual é o momento em que posso comer?’, é algo frequentemente questionado. Eu explico o momento. As perguntas acabam por ir por aí: inserir um tipo de alimentação que eles gostam, que é muito calórico ou que de repente não seria o momento indicado.

R – É habitual os jogadores comerem piza após os jogos. O que representa para eles? É um escape?

DO - É reposição de hidratos. É uma situação simples e eu falo isso com eles, em forma de brincadeira. Eles perguntam se é permitido e eu digo que podem. Nós temos sempre duas opções. Uma que é uma refeição completa, com arroz e proteína e legumes; e uma piza que eles podem comer. Trata-se uma reposição de carbohidratos. Jogaram 90 minutos, 100 por vezes, e é o momento em que precisam de repor aqueles hidratos e naquele momento, o corpo tem de recuperar o que perdeu. Se for o hidrato da piza, brinco com eles e escolho sempre os sabores. Alguns não gostam da mistura (risos). Nunca coloquei com ananás pela mistura agridoce. Há pizas que não podem comer porque estaria já a envolver outras coisas, entrando no campo inflamatório até. Digo-lhes que dentro de um limite, na alimentação, é possível transitar tranquilamente. Não há nenhum monstro. E se comer aquilo, irá fazer mal? Não. Na verdade, uma piza é um pão com queijo e com frango. Colocar um alimento inflamatório quando o jogador já está inflamado devido ao jogo… É preciso acabar por ter mais cuidado.

R – Como encaram o consumo de bebidas alcoólicas?

DO – Sempre falei isso com eles. A proibição de uma bebida ou de uma comida é algo complicado de fazer. Agora, existem momentos e existe também o oferecer ou não oferecer. Nunca iria virar-me para um jogador e oferecer-lhe uma bebida alcoólica dizendo: ‘Bebe porque agora vai ser bom’. Entendo que os jogadores tenham os seus momentos, tenham as suas folgas e de repente tenham um jantar de família ou o aniversário da filha. O que lhes recomendo é ter um controlo. Havendo esse controlo, uma taça de vinho é muito bem. Tem antioxidantes. Há todo um processo benéfico para o corpo. Três garrafas de vinho já fogem de uma melhoria, já atrapalha um treino no dia seguinte. Já não é bom mas sim muito mau para o corpo. Há um limite e uma adequação. O pior a dizer é: ‘Já que vou fazer, vou fazer de verdade’. Não. Se fizerem com controle é possível adicionar a bebida alcoólica num momento específico nas férias. Mesmo nas férias, pelo facto de não estar a jogar, ao ingerir bebidas alcoólicas também vai redundar numa perda. Tudo controlado de forma civilizada.

 

R - Como foi a vossa passagem pelo Flamengo?

LA – O Flamengo abriu-me as portas em tudo, para ter troca de conhecimento com outras pessoas. Permitiu-me ver e viver situações, trabalhar com equipas técnicas diferentes, vendo o que se acha que é melhor e o que acha que é pior. Assim, é possível alguém ir-se moldando. O Flamengo foi tudo.

DO – O Flamengo foi a minha formação. Foi o meu primeiro contacto com o futebol profissional e futebol no geral. Foi onde eu aprendi realmente a prática da nutrição desportiva no futebol. É muito parecido com a teoria só que há algumas particulares diferentes. Foi onde cresci e aprendi muito. Troquei muita coisa, conheci muitas pessoas, de culturas muito diferentes, de outros lugares. Temos contactos com equipas técnicas diferentes, chegam para ajudar e vão agregando outras coisas. A pessoa que chegou ao Flamengo e a que eu sou hoje devido ao Vilafranquense também… Sou agora muito melhor do que quando comecei e também melhor do que quando saí do Flamengo. A minha base foi lá.

R - 2019 foi um ano para não mais esquecer? Há algo que foi decisivo.

LA – Foi um ano inesquecível. Ganhámos tudo o que podíamos ganhar naquele ano. Fica para sempre. Brinco com os meus amigos dizendo que é história para a vida toda. Para mim, foi inesquecível. Não sei se vou ter algo parecido assim. O trabalho foi bem feito. Todas as mãos que estavam envolvidas naquele ano trabalharam. Conseguimos representar o nosso trabalhar daquela forma.

DO – Foi realmente um ano mágico, totalmente diferente. Deu tudo certo, as coisas encaixaram. O clube estava muito bom e os jogadores estavam muito bem. Não dá para explicar, não é muito racional. Há coisas que ajudaram mas foram um dos anos profissionais de auge. A sintonia do grupo foi encaixando com o tempo, tudo foi acertando até chegarmos a 2019.

R - O Jorge Jesus deu entrosamento ao grupo com a sua chegada?

LA – Com certeza. Ele chega a meio do ano. A mão dele foi superimportante para a conclusão daquele ano.

DO – Todo o staff que veio com ele, cada um tinha a sua mão ali dentro. Eu tinha muito contacto com o João de Deus que passava muita coisa para o Jorge Jesus. O Lucas tinha muito contacto com o Márcio. O Jorge Jesus, com toda a equipa dele, foi importante em vários pontos que foram encaixando até ficar de uma forma que correu da forma que se sabe.

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