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"A páginas tantas, o tédio era tanto que chegou a pensar-se que um ponto para cada equipa seria, provavelmente, prémio exagerado para o espectáculo apresentado. Mas um golo de Quim, ao cair do pano, acabou por dar os três pontos aos insulares que venceram, mas não convenceram"
Num mau jogo de futebol o Marítimo teve a sorte do seu lado e derrotou o Belenenses. A páginas tantas, o tédio era tanto que chegou a pensar-se que um ponto para cada equipa seria, provavelmente, prémio exagerado para o espectáculo apresentado. Mas um golo de Quim, ao cair do pano, acabou por dar os três pontos aos insulares que venceram mas não convenceram. A estratégia de Nelo Vingada ficou clara desde o início do encontro. Primeiro, os seus jogadores precisavam de "adormecer" o adversário, quebrar-lhe o ritmo e levar a partida para uma toada de "devagar, devagarinho e parado" que convém sempre mais a quem actua em contra-ataque. O Belenenses, fosse pelo calor, pelo pouco entusiasmo que vinha das bancadas ou pela quebra de ritmo provocada pela paragem da I Liga, engoliu não só o isco como também o anzol e acabou por pagar por isso o preço mais alto. Depois de uma espectacular vitória em casa frente aos leões de Alvalade, os azuis ficaram de mãos a abanar perante outros leões, estes da Almirante Reis.
Os treinadores armaram as suas equipas com base em 4x2x3x1, os donos da casa com Seba, Neca e Marco Paulo a permutarem de posições nas costas de Marcão e os insulares dando a André, na direita, mais liberdade que a Olim, na esquerda. No meio, atrás do ponta-de-lança Quim, posicionou-se Dinda que, apesar de ter actuado apenas 56 minutos, teve um jogo à medida da velocidade a que gosta de jogar...
A primeira parte foi uma "seca" absoluta, sem alma, sem chama, com os passes a serem telegrafados, a bola a andar de pé em pé quase sempre para o lado e, com isso, a não surgirem quase nenhuns lances de perigo. Os azuis, mesmo assim, dominavam territorialmente (coisa que até agradava a Nelo Vingada) e quase que por obrigação chegavam mais vezes à área contrária. Sem benefícios (mas, também, com poucos custos).
No segundo tempo as coisas melhoraram um pouco, mas não muito. Mora, entrado para o lugar de Pedro Henriques tapou melhor André e mais tarde, com Cafú à sua frente, deu alguma dinâmica à asa esquerda de Belém. Nelo Vingada percebeu a tempo e colocou Lino à frente de Albertino para equilibrar as operações. Neste duelo particular entre os técnicos pelo controlo daquela zona do terreno, terá estado o maior interesse táctico da partida. Mas Nelo Vingada acabou por ser mais feliz e, embora já ficasse contente com o empate, saiu do Restelo a sorrir com a "sorte grande".
Já se disse que o embate entre belenenses e maritimistas teve partes absolutamente soporíferas. E acaba por ser emblemático que o golo dos insulares tenha surgido precisamente num momento em que Neca dava o lugar a Guin, os azuis estavam a recolocar-se e esqueceram-se de que o jogo já estava a "andar". Faltavam nove minutos para os 90 e depois, por mais que corressem, os pupilos de Marinho Peres já não deram conta do prejuízo. Filgueira acabou a ponta-de-lança, os centrais e o guarda-redes do Marítimo foram obrigados a trabalho aturado, mas o rumo da partida estava encontrado. O Marítimo levou 80 minutos a "adormecer" o Belenenses e depois comeu-lhe as papas na cabeça.
ANTÓNIO COSTA mostrou uma enorme segurança, controlando sempre os jogadores. Teve um lance complicado para resolver, aos 28 minutos, quando Marcão cruzou a bola com força e esta bateu na mão de Zeca, que estava perto. O juiz de Setúbal (que nos seus tempos de futebolista actuou nas camadas jovens do Belenenses) entendeu ser bola na mão e mandou seguir. Merece, no mínimo, o benefício da dúvida.
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