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Venda da SAD impugnada

Sócios só tiveram conhecimento da proposta do genro de Joaquim Oliveira

• Foto: Ricardo Nascimento
A venda de 90% SAD do Penafiel à empresa Gradual Score, por um milhão de euros, está no centro de uma polémica crescente que pode conduzir a uma batalha judicial. Paulo Ribeiro, antigo dirigente e empreendedor local, personifica o descontentamento dos associados que, desde a aprovação do negócio votada a 23 julho, estão a ganhar consciência de que existiam outras propostas, mais vantajosas, das quais não lhes foi dado conhecimento. Por esse motivo, está a ser preparado um pedido de impugnação da assembleia, que está a ser conjugado com uma providência cautelar que pode avançar em paralelo.

O objetivo é de que o processo seja alvo de uma reapreciação. Paulo Ribeiro foi um dos 14 sócios que votaram contra a aprovação da SAD nestas condições. A par da sua vida empresarial, esteve na direção dos durienses entre 2012 e 2017 como vice-presidente do marketing, mas uma série de acontecimentos levaram-no a apresentar a demissão.

"Eu estive cerca de dois meses, entre setembro e novembro do ano passado a negociar com o António Gaspar Dias a compra do clube por 1 milhão e 800 mil euros e a divisão ficaria em 49% para o clube e 51% para a SAD. Acabámos por não chegar a acordo, mas concluímos as conversações até de forma cordata. Mais tarde, numa reunião de direção, decidi apresentar a carta de demissão porque o presidente tem um enorme conflito de interesses e isso só prejudica o clube. Repare, ele vai gerir três empresas: o clube, a SAD e ainda é presidente da Penafiel Verde, uma empresa camarária. Quando se mistura política com futebol, nem é preciso dizer mais nada…", acusou o empresário que, conta, é penafidelense de gema e foi jogador e treinador das camadas jovens do Penafiel.
Paulo Ribeiro dá o passo em frente, mas sabendo que está a dar a voz a muitos penafidelenses preocupados com o futuro do clube e aponta falta de credibilidade e transparência à AG de dia 23, na qual, diz, os números finais não são o que parecem.

"Muitos sócios não sabiam da assembleia geral e a maior parte só soube em cima da hora. Quem votou foi um universo muito reduzido e nem vale a pena apontar quem são, toda a gente sabe. Ainda para mais, o presidente tem a claque bem controlada e isso tem muita importância também. Para quê vender a SAD por um milhão a uma empresa de Lisboa quando temos empresários de Penafiel que podiam comprar por dois ou três milhões? Infelizmente, não foram apresentadas todas as propostas para avaliação dos sócios, só foi apresentada esta para aprovação e nestes números desmesurados…", denuncia Paulo Ribeiro, referindo-se diretamente à Gradual Score, que é agora maioritária da sociedade anónima desportiva dos durienses e é detida por Domingos Garcia, genro do conhecido empresário Joaquim Oliveira, que tem raízes em Penafiel.

Empresários prontos a avançar

Foi no passado dia 23 de julho que os sócios do Penafiel aprovaram, com 84% de votos favoráveis, a constituição de uma SAD. A referida empresa Gradual Score, de Domingos Garcia, assumiu 90% do capital social, deixando os restantes 10% sob a alçada do clube. Porém, ao que Record apurou, e caso se concretize o propósito de anulação dos efeitos dessa reunião magna, existem empresários penafidelenses prontos a avançar de imediato com reais intenções de aquisição da Sociedade, em condições mais favoráveis para o Penafiel. Contactado por Record, o presidente do Penafiel, António Gaspar Dias, não se mostrou disponível para comentar o assunto, optando pelo silêncio, apesar da gravidade das acusações que lhe são dirigidas por sócios do clube.
Por Ruben Tavares
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