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A direcção do Portimonense liderada por João Sintra demitiu-se em bloco, alegando falta de confiança dos sócios, mas vai manter-se em gestão até à realização de eleições, previstas para até final de Julho.
A demissão dos três órgãos do clube, direcção, conselho fiscal e assembleia geral (AG), foi anunciada no decorrer de uma Assembleia-geral Extraordinária que terminou na madrugada de hoje, com a participação de mais de 200 dos 3.000 sócios do clube algarvio que vai disputar a Liga de Honra na época 2006/2007.
Os órgãos dirigentes do clube algarvio justificaram a sua decisão pela "falta de confiança da massa associativa e o alegado interesse de um grupo de sócios em querer assumir a liderança do clube".
A reunião magna do emblema alvi-negro, com um passivo contabilístico de cerca de um milhão de euros, foi das mais participadas e polémicas de sempre, com os sócios a pretenderem esclarecimentos sobre a gestão da direcção ainda antes da entrada na ordem dos trabalhos.
Uma situação que levou o presidente da mesa da assembleia a ameaçar chamar "as autoridades para que os sócios mais exaltados fossem obrigados a abandonar a sala".
Uma das preocupações da massa associativa era saber em que situação se encontram as negociações a decorrer entre a autarquia e os proprietários do terreno onde se encontra instalado o Estádio onde o Portimonense habitualmente disputava os seus jogos, entregue por ordem judicial aos legítimos proprietários e cujo processo se arrastou durante vários anos em tribunal.
Segundo o presidente da mesa da AG, "na próxima quarta-feira de verá haver uma decisão" que pode passar pelo arrendamento do terreno pela Câmara de Portimão para que o Portimonense ali possa efectuar os seus jogos, até que esteja construído o novo complexo desportivo municipal.
Ficou a saber-se também que existe um acordo entre o Portimonense e o Grupo Lena, concorrente à construção do complexo desportivo, acordo esse que permitiu já ao clube um encaixe de cerca de 500 mil euros.
Caso o Grupo Lena não vença o concurso público internacional para a construção daquele complexo, que engloba vários espaços comerciais e habitacionais, o clube terá que restituir a verba entretanto adiantada.
Sem querer esclarecer os contornos de tal contrato, alegando que o caso não era para debater na praça pública, o presidente demissionário, João Sintra, colocou-se à disposição dos sócios interessados em conhecer o projecto.
Na reunião magna do Portimonense foram ainda aprovadas por maioria das contas de gerência referentes ao período 2004/2005, no qual se ficou a saber que o presidente demissionário é credor do clube em cerca de 325 mil euros.
Apesar das dificuldades financeiras que o clube atravessa, o presidente da mesa da assembleia explicou ainda, que o terreno cedido ao Portimonense pelo falecido Major David Neto, apenas para a prática desportiva, "cobiçado por muitos" numa zona nobre da cidade, situa-se no "ponto 80", a mais cara de todo o concelho, num processo iniciado por Alberto Estêvão, ex-director do departamento de Obras da Câmara Municipal de Portimão e ex-presidente do clube.
Alberto Estevão acumulou durante cerca de 11 anos os dois cargos, conseguindo reduzir durante esse período o passivo do clube em mais de 2 milhões de euros.
Em Maio de 2006, foi condenado pelo crime de corrupção, a uma pena de três anos e meio de prisão efectiva.
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