Duarte Gomes: «Se não há VAR no jogo de ontem, a equipa que iria à final poderia ser outra»

Diretor Técnico Nacional de Arbitragem da FPF diz que "os árbitros têm de melhorar" e revela que "protocolo do VAR terá alterações"

Seguir Autor:

Duarte Gomes faz revelações
Duarte Gomes faz revelações • Foto: Lusa/EPA

Os mais recentes casos polémicos de arbitragem já têm merecido a apreciação de Duarte Gomes e o Diretor Técnico Nacional de Arbitragem da FPF diz mesmo que "os árbitros têm de melhorar", revelando ainda "que o protocolo do VAR irá sofrer alterações"

"Tanto o árbitro profissional, como o amador, têm todos de ser melhores. É uma reflexão que temos há muito tempo: todos queremos melhor futebol, melhores jogadores, treinadores, dirigentes, árbitros, uma liga mais forte... E o segredo é como chegamos lá. Isso tem várias respostas", começa por dizer Duarte Gomes, na palestra que decorre esta tarde à margem da Allianz Cup.

"Temos três agentes desportivos que podem dar o seu contributo: jogadores, treinadores e árbitros. O conforto do adeptos, a qualidade dos relvados, os estádios terem mais ou menos gente, o estímulo do jogador e até a questão de regulamentação da lei do jogo. Sabemos que o árbitro tem um papel decisivo na melhoria da qualidade do jogo. Um mau árbitro pode fazer um mau jogo. E vice-versa. Temos presente essa premissa. E trabalhamos com os árbitros para os qualificarem como podemos. Temos um problema de recrutamento e retenção muito grande e quanto menos quantidade, menor qualidade. Não podemos virar a cara a este dado. É uma das bases do problema", prossegue o Diretor Técnico, concretizando depois com exemplos concretos. 

"Tive o cuidado de ver há pouco tempo os motivos que fazem parar mais o jogo. E não são o número de faltas, são as demoras no recomeço do jogo, os pontapés de baliza, os lançamentos laterais, a assistência médica e transporte do jogar lesionado. São as substituições, o conflito entre jogadores e depois aparecem as infrações e a consulta VAR. De facto, os árbitros têm um papel importante na abordagem técnica que fazem do jogo. Estamos a trabalhar para melhorar isso", explica. 

Duarte Gomes olha inclusivamente para o estrangeiro para estabelecer um paralelo. "Quando dizemos que em Inglaterra é bom, que os árbitros deixam jogar, é incomparável. Como comparar Messi e Ronaldo, ou o amor de mãe e de pai. Os árbitros não conseguem combater a não ser dando mais tempo no final do jogo. São esses minutos a mais que, regra geral, vão criar enormes problemas ao espetáculo Não se pode fazer nada quando o guarda-redes vai ao chão e sabemos que é só um tempo técnico para os treinadores darem indicações. Torna-se muito difícil e depois compensamos com 8 ou 10 minutos e vamos criar problemas. É uma questão comportamental. Se continuarmos a ter jogadores a dar cambalhotas e dirigentes a dissuadir os atletas para que não façam isso... Depois vamos escrutinar um frame para contestar qualquer 'lancinho'. O que vemos em TV não vemos em campo. O VAR não pode fazer nada. É preciso haver pedagogia, mas muitas vezes aprende-se melhor com a punição. Imaginem a circunstância do VAR, que muitas vezes vai errar. Um VAR ter uma situação de segundo cartão amarelo em que não pode dizer nada ao árbitro. Ele não pode intervir numa simulação. É capaz de ser esbatida a breve prazo essa questão no protocolo. Tem de ser resolvido", admite. 

Mudanças à vista

O Diretor Técnico Nacional de Arbitragem da FPF vai mais além na questão das alterações no protocolo. "Os recomeços do jogo, os pontapés de canto, os lançamentos... O VAR não pode intervir. Estamos a falar de uma dimensão do protocolo que teve tempo para amadurecer e está a ser equacionado com algumas alterações. Estamos muito cientes do nosso papel, em termos de prevenção e punição a nível da perda de tempo. Também no número de faltas, mas há uma cultura desportiva que não há em Inglaterra. Em Inglaterra não há jornais desportivos, fala-se menos de arbitragem do que em Portugal. Tive uma conversa com o Marco Silva e ele contou-me uma experiência com um árbitro. No final de um jogo disse-lhe que não gostou da arbitragem. E foram 50 mil libras de multa. A partir desse momento nunca mais falou de arbitragem. Este produto todo mexe com muito dinheiro, com muitas carreiras. A bola que entra conta muito. Se não há VAR no jogo de ontem [], a equipa que iria à final poderia ser outra. Estamos a trabalhar com o que temos, mas sabemos que o papel pode ser melhorado", concretiza Duarte Gomes.

70
Deixe o seu comentário
Newsletters RecordReceba gratuitamente no seu email a Newsletter Premium ver exemplo
Ultimas de Allianz Cup Notícias
Notícias Mais Vistas