Pedro Proença: «Na forma de comunicar, não é este o caminho que queremos»

Presidente da Liga pede mudança na linguagem e apela à união dos clubes

• Foto: José Reis

Os últimos dias têm sido marcados por algumas trocas de galhardetes entre clubes e por uma enorme polémica em torno das arbitragens dos jogos da Allianz Cup, uma situação que, aos olhos de Pedro Proença, não é satisfatória e que deve ser mudada o quanto antes.

"Na forma de comunicar, não é este o caminho que queremos, não estamos satisfeitos. Temos tentado incutir nos clubes, nas sociedades desportivas, que aquilo que nos devia separar são os 90 minutos de jogo, no resto devíamos estar unidos. Vamos continuar a trabalhar e a fazer o nosso trabalho. O futebol tem de ser tratado como se de uma indústria se tratasse. Este plano ainda não é acompanhado por alguns. Sabemos que é uma indústria de emoções, mas temos patrocinadores, operadores, e esta linguagem tem de ser rapidamente interiorizada. Se não, lá está, corremos o risco de perder a galinha dos ovos de ouro", começou por dizer o presidente da Liga Portugal numa mesa redonda intitulada 'Ética na Comunicação do Futebol Profissional, assumindo, ainda assim, que já se acostumou a estar forma de viver o desporto.

"Já nada me entristece. Antes de estar na Liga era árbitro e a convivência com a falta de racionalidade foi algo com que me habituei. Mal de nos se nos deixássemos levar por este processo comunicacional adotado nos últimos dois dias. Fazemos do futebol uma festa, uma festa única. Claro que gostávamos que a linguagem fosse diferente, mas gosto de perspetivar isto na ótica positiva", acrescentou, apontando que esta revolta é sintoma de uma maior valorização da Allianz Cup, algo que acaba por ser bom.

"Há três anos um jogo da meia-final desta prova não punha nada em causa. Agora isso acontece e é sinal de que a Liga está a fazer o seu trabalho bem. Esta competição hoje gera vontade de vitória, leva a que as pessoas tenham esta discussão irracional, que algumas vezes ultrapassa as formas de comunicar que gostaríamos de ver em alguns autores. Mas olhámos pelo lado positivo. Trata-se de uma competição que teve os direitos tiveram de ser vendidos a sinal fechado e hoje a final vai ser dada em sinal aberto. O trabalho foi feito de forma pensada e atingiu o objetivo", asseverou, frisando que o modelo existente "é extremamente apetecível".

Quanto às polémicas relativas às arbitragens, o Presidente da Liga elogiou a introdução do VAR, mas absteve-de comentar tudo o resto, lembrando que a arbitragem é um pelouro que não está sob tutela do seu organismo. 

"A arbitragem e a disciplina não são da responsabilidade da Liga. Bendita altura em que se tomou decisão de introduzir o vídeo árbitro, mas a forma que é gerida esse sector nada tem a ver com a Liga. Confundem-se aspetos que não podem ser confundidos", concluiu.

Por José Miguel Machado
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