Cem anos de FPF

Cem anos de FPF
• Foto: ANTONIO COTRIM

O dia 31 de março de 1914 ficou na história do futebol português como o da fundação da União Portuguesa de Futebol, entidade reguladora da modalidade em Portugal que, mais tarde, a 28 de maio de 1926, assumiria o atual nome – Federação Portuguesa de Futebol.

Um século mais tarde, a FPF deixou de ser uma entidade amadora, com rumo indefinido e sem capacidade de organização administrativa ou competitiva, como acontecia em 1914, para se transformar numa da federações de referência no panorama europeu e mundial, que alberga uma das seleções nacionais do top 10 da FIFA e coleciona uma série de títulos europeus e mundiais nos mais diferentes escalões de formação.

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Porém, a ideia de origem mantém-se: fomentar o futebol, organizar competições de clubes e ser responsável pelas seleções nacionais. Hoje, a FPF tem 22 associações distritais filiadas, além de albergar entidades representativas dos diferentes agentes da modalidade (treinadores, jogadores, árbitros, dirigentes, médicos), cerca de 450 mil atletas registados, e o papel de líder entre as diferentes federações desportivas em Portugal.

Na origem, há 100 anos, ninguém poderia prever esta evolução. Foram apenas três as associações fundadores da FPF, Lisboa, Porto e Portalegre, curiosamente nascidas ainda antes da associação do Porto. Naqueles tempos, os jogos entre equipas de Lisboa e Porto eram irregulares e, por isso, um dos fundamentos para a criação da FPF era a constituição de competições nacionais.

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No entanto, o primeiro campeonato nacional, denominado Primeira Liga, só surgiu em 1934/35. A partir de 1938/39, começa a disputar-se, finalmente, um campeonato nacional que se mantém até hoje.

Ao longo deste século, as datas mais significativas prendem-se com a progressão da Seleção Nacional. O primeiro jogo foi em 1921, frente a Espanha; a primeira participação no apuramento do Mundial foi para a edição de 1934 e a primeira participação no apuramento do Europeu aconteceu em 1959, na estreia da prova.

O ano de 1966 conheceu a estreia de Portugal na fase final do Mundial de futebol e logo com a conquista do terceiro lugar. Em 1989, confirmando o grande trabalho na formação, surgiu o primeiro título mundial de sub-19.

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Clubes e formação entre os melhores

Em fevereiro de 1989, Portugal conquistou o título de Campeão do Mundo de sub-19, em Riade, na Arábia Saudita. Foi o ponto mais alto (repetido dois anos depois, em Lisboa) de uma série de grandes resultados na formação, com vários títulos europeus e dezenas de lugares no pódio na Europa e nas provas mundiais. Ao nível de clubes, Benfica, Sporting e FCPorto conquistaram um total de dez títulos europeus ou mundiais. O reconhecimento da qualidade do futebol português passou ainda pelos seus árbitros, com várias presenças em campeonatos da Europa e do Mundo e com Pedro Proença a dirigir a final do Europeu de 2012.

Três gerações de excelência na Seleção

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Eusébio o Rei dos Magriços

A Europa já ouvira falar de Eusébio em 1962, por causa da final da Taça dos Campeões Europeus ganha pelo Benfica ao Real Madrid, mas foi no Mundial de Inglaterra, em 1966, que o Mundo inteiro decorou o seu nome e o coroou como Rei. Ajudou Portugal a conquistar o terceiro lugar logo na primeira presença no Mundial e sagrou-se, ele próprio, melhor marcador da prova, com 9 golos, 4 deles num épico jogo frente à Coreia do Norte.

Quando concluiu a carreira na Seleção Nacional somava 64 jogos e 41 golos, um recorde que durou quase 40 anos. Entre os muitos prémios, está a Bola de Ouro, em 1965, tornando-se o primeiro português eleito melhor jogador do Mundo.

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Espalhou magia e golos além-fronteiras e, por isso, o Mundo chorou a sua morte, em janeiro passado, a poucos dias de completar 72 anos.

Figo e a Geração de Ouro

Luís Figo foi o expoente máximo da chamada Geração de Ouro dos anos 1990 que conquistou a Europa e o Mundo nas seleções de formação. No entanto, também ao mais alto nível, Figo foi o melhor de todos, tornando-se o segundo português a receber a Bola de Ouro, em 2000, um ano antes de a FIFAo considerar o melhor jogador do Mundo.

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Nos três clubes estrangeiros em que jogou foi sempre campeão nacional.

Deixou a Seleção Nacional com o recorde de 127 jogos, nos quais marcou 32 golos. Foi o primeiro português a disputar cinco fases finais de grandes competições (entre Mundiais e Europeus).

CR7 o novo imperador

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Depois de Eusébio e Luís Figo, Cristiano Ronaldo é o novo imperador do futebol português. Foi o mais jovem de todos a receber o primeiro dos dois troféus de Melhor do Mundo (2008 e 2013), o mais novo a chegar aos 100 jogos (depois de Couto e Figo) e, pelo meio, já se tornou o melhor marcador de sempre da Seleção Nacional.

No Mundial, igualará Figo ao jogar cinco fases finais (entre europeus e mundiais) e, se conseguir manter o ritmo que revela nos últimos jogos da Seleção, quem sabe se não imitará Eusébio para se tornar o melhor marcador do Mundial brasileiro.

Os adjetivos começam a ser poucos para retratar o desempenho de Cristiano Ronaldo. Títulos nos clubes não lhe faltam, mas a sua sede de conquistas não tem limites e tem direito a sonhar com o título mundial com Portugal.

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