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O modelo de comercialização dos direitos audiovisuais foi aprovado por mais de 92% das sociedades desportivas dos campeonatos profissionais, excetuando o Benfica, que votou contra, e o Nacional, que se absteve. À saída da assembleia geral extraordinário que teve lugar na sede da Liga Portugal, esta sexta-feira, Reinaldo Teixeira, presidente do organismo, revelou-se satisfeito com a votação significativa que a proposta colheu.
"Foi uma assembleia com todas as sociedades desportivas, com questões esclarecidas, que no final teve aprovação de mais de 92%. Teve voto contra do Benfica e uma abstenção do Nacional. Respeitamos as opiniões, não somos uma casa em que para nós a unanimidade tem que existir. Entendemos como razão principal a unanimidade nas questões e esclarecimentos. Sociedades desportivas disseram que estão à vontade para dar-nos um voto em branco. Isso responsabiliza-nos ainda mais para este passo que é muito importante, marca início de uma nova caminhada e de uma nova era", assinalou o líder da Liga Portugal, explicando as etapas que se seguem.
"Este é o primeiro passo para entregarmos à Autoridade da Concorrência. Depois vem a chave de distribuição, que já foi aprovada dentro da Liga Centralização, na generalidade, e daremos passo para que nas próximas semanas se marque assembleia para aprovar chave de distribuição. A chave vai ser submetida a apreciação após nova visita a todas as sociedades desportivas, que queremos que seja feita quanto antes, bem antes da final da época", apontou.
Quanto à posição do Benfica, que votou contra, Reinaldo Teixeira disse que não surpreende mediante o que tem sido dito publicamente. "Quanto à votação do Benfica, tem uma posição clara, transparente, uma posição pública e que, tal como disse antes da assembleia, reitera. Saiu da Liga Centralização, mas mesmo tendo saído contamos com o Benfica como uma sociedade desportiva que tem a dimensão que tem. O Benfica, nos diálogos que tivemos, sempre foi cooperante, participativo. São a sociedade desportiva que mais recebe, o mercado diz que vamos rever isto em baixa, mas sentimos o contrário, sentimos atração pelo produto superior e particularmente nos direitos nacionais e internacionais. A posição foi condizente. O Nacional tem uma vontade de uma chave de distribuição, absteve-se. É importante que se passem estas mensagens: mesmo quem votou contra e quem se absteve, cooperou, participou, esclareceu, pediu esclarecimentos, fez sugestões e estamos num caminho que nos indica que as sociedades desportivas estão comprometidas com esta nova realidade que é o nosso futebol", referiu o presidente da Liga Portugal, garantindo que a lei será cumprida, não havendo margem a retrocessos.
"A lei é para se cumprir e nós fazemos parte de uma sociedade em que é para cumprir a lei. A Liga Portugal cumpre a lei e faz cumprir os regulamentos. Numa votação de mais de 92%, se há dúvidas... A resposta é clara", atirou.
Reinaldo Teixeira falou ainda acerca dos prazos de uma possível venda, assumindo que a negociação pode ser feita a cinco anos. "Nas nossas conversas com a Autoridade da Concorrência foi dito que a venda fosse por três anos, hoje temos preparado podermos vender até 5 anos. O início é na 2028/29, mas este processo começou a partir do momento em que foi feito o decreto-lei e, para nós, começou desde que cá chegámos. Entregámos este draft inicial com 11 meses de antecedência. Reconhecer o profissionalismo, a correção e eficiência com a que a Autoridade da Concorrência sempre lidou connosco", apontou.
Por esclarecer ficaram os possíveis valores para venda. Apesar de ter dito que a sensação é de que o produto é atrativo, Reinaldo Teixeira não concretizou. "O valor é o que o mercado nos der, sendo que o dossiê permite que se a proposta não for no valor que entendamos que é o valor justo, vamos tentar no mercado encontrar melhor valor. Quando dizemos que deve ser em alta, é simples. Batemos o número de espectadores e ao mesmo tempo número de adeptos nos estádios. Estes dois indicadores demonstram bem quanto existem de atração pelo futebol. A juntar a isto, reconhecer o melhor comportamento dos adeptos. Houve menos 37% de incidentes nos estádios o que demonstra cooperação grande, melhor comportamento dos adeptos", referiu.