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Axadrezados invictos no 1º lugar da série C são a equipa com mais pontos do CNS...
O tempo não volta para trás mas ajuda a curar todas as mágoas do passado e, apesar das cicatrizes serem uma evidência, o Boavista conta com a ajuda de um punhado de figuras notáveis do mundo do futebol. Rostos de sucessos distantes, mas que parecem eternos e cuja dedicação tem amenizado as dificuldades que o centenário clube do Bessa tem de superar dia após dia desde que foi afastado dos campeonatos profissionais em consequência do caso Apito Dourado.
Dos vários exemplos que continuam a dedicar sua a vida ao clube e a preservar a mística do Boavistão, Petit é, seguramente, a figura mais emblemática. O ex-internacional português regressou ao ponto de partida da carreira para ser jogador, mas uma conjugação de fatores a meio da época passada obrigou-o a abraçar o cargo de treinador.
Uma transição que Petit diz ter sido mais pacífica do que esperava, até porque começou por ser treinador e jogador. No entanto, cedo percebeu que para fazer carreira as duas funções eram incompatíveis, pelo que no último defeso consumou a decisão de pendurar as botas e assumiu a tarefa de ser só treinador.
Um papel que Petit garante desempenhar com orgulho há 16 meses, desta feita acrescido por um sorriso de orelha a orelha por ostentar não só o 1.º lugar da série C do Campeonato Nacional de Seniores (CNS), mas também por estar invicto e liderar a equipa com mais pontos do escalão (36 contra 34 do Mafra).
“Este ano houve tempo para organizar bem a época e escolher os jogadores com o perfil indicado para o Boavista, pelo que o desempenho está a corresponder às expectativas”, desabafa Petit, sem esconder a responsabilidade de continuar a incutir os valores elevados que o título conquistado em 2000/01 exige: “O Boavista habituou-se a ganhar sempre e uma das funções cruciais para conseguir vencer semana a semana é passar essa mística para o balneário.”
Satisfação
No Bessa, o quotidiano continua recheado de contrariedades devido às limitações financeiras. Problemas, contudo, que Petit garante não travarem o ímpeto: “O Boavista é um espelho do país e, apesar das dificuldades, todos temos a noção que fazemos o que mais gostamos, além de que este clube tem uma história tremenda. Para a maioria chegar aqui já é um sonho.”
Relvado sintético será vantagem para ponderar
Na próxima época o Boavista arrisca-se a ser a única equipa portuguesa com um relvado sintético nos nossos campeonatos profissionais. A decisão definitiva ainda não foi assumida pelo presidente João Loureiro, até porque há a hipótese do piso do Estádio do Bessa voltar ao verde natural já no próximo defeso. Por enquanto o baixo custo de manutenção é, conforme Petit defende, uma vantagem sem contrariedades. “Quando joguei na Alemanha já havia um misto de sintéticos e relva natural. Não encontro limitações para a prática do futebol e no inverno até acaba por trazer vantagens, já que a bola rola sempre e permite-nos jogar com um estilo rápido durante toda a temporada”, explicou o antigo médio.
Petit: «Treinar na 1º Liga é um dos objetivos»
Atendendo à decisão da FPF em permitir o regresso do Boavista ao principal escalão do nosso futebol na próxima época, Petit não esconde que faz parte dos seus projetos continuar a ser o treinador axadrezado. “Esse contexto ainda está distante, mas é um dos objetivos desta equipa técnica e faz parte do nosso processo de crescimento, até porque conheço a realidade do clube como poucos, bem como as exigências que se deparam. A relação com a SAD é coesa e estamos todos a remar no mesmo sentido”, comentou Petit.
Tempo de retribuir
Petit, Alfredo, Latapy e Jorge Couto são figuras sonantes em cargos específicos no departamento de futebol, mas o atual plantel, apesar de ter uma média de idades de 24 anos, também conta com alguns nomes emblemáticos do nosso futebol. É o caso de Frechaut, o mediático internacional português de 36 anos, ou de Ricardo Silva, central de 38 anos que é o jogador mais utilizado do plantel. Nomes aos quais se juntam ainda o lateral Pedro Costa, de 32 anos, e o avançado Fary, que já soma 39 primaveras.
Um conjunto de trintões cujo denominador comum sempre foi o Boavista e que encaram o regresso à casa de origem não como um ponto final nas longas carreiras, mas, como Pedro Costa definiu, “a oportunidade para poder retribuir ao Boavista com um pouco de tudo o que a carreira como profissional de futebol permitiu alcançar”.
“O Boavista foi o clube que mais me marcou. Foi nesta casa que aprendi e ganhei títulos. Etapas de crescimento que me marcaram para o resto da vida”, comentou Frechaut, ao passo que Ricardo Silva assume “a importância que a experiência adquirida representa para transmitir valores aos mais novos”.
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