Falar de Sandro Mendes é falar de V. Setúbal e... vice-versa. Com 324 jogos disputados com a camisola sadina, em que apontou 11 golos, o antigo médio é um dos nomes incontornáveis do clube. Terminado o ciclo dentro das quatro linhas, o luso cabo-verdiano assumiu a coordenação da formação, em 2014/15 abraçou um projeto no Alcacerense, mas o regresso a casa não se fez esperar. Hoje, aos 40 anos, Sandro Mendes é o treinador dos sub-19 do emblema do Sado, equipa que tem causado sensação na série D do campeonato de juniores B. No segundo lugar, com 28 pontos, apenas atrás do líder Benfica, que soma 33, o conjunto do Bonfim tem esta jornada um importante embate diante... das águias.
"É daquele tipo de jogos em que todos querem participar, pela atmosfera, por ser contra um clube grande, e é lógico que espero que seja um bom espetáculo e que possamos levar os três pontos", começou por dizer o técnico em entrevista a Record, explicando: "A nossa preparação será igual à de todas as outras partidas. Poderá haver maior ansiedade da parte dos jogadores, mas já não é nada de novo para eles. Vamos tentar fazer o nosso melhor."
Certo é que o início desta aventura no banco de suplentes não está a correr nada mal para o ex-jogador, mesmo que não tenha sido um caminho premeditado. "Tive a sorte de poder ter terminado a carreira de jogador quando achei que era a altura. Depois tudo se foi proporcionando. A verdade é que o 'bichinho' do treino começou a nascer, as chamadas 'peladas' permitem matar saudades do passado, mas sinto-me muito bem nesta nova missão", garante.
Transmissão de experiência
Além de treinador, Sandro Mendes é, naturalmente, visto como um ídolo e uma referência para alguns dos seus pupilos, isto apesar de não se sentir como tal. "Tento ao máximo passar-lhes a minha experiência, há muitos que sentem o que é o Vitória, pois já estão no clube há vários anos, sonham um dia chegar à equipa principal, e o meu objetivo é ajudá-los a evoluir. Penso que até ao momento o tenho conseguido e, acima de tudo, fico feliz por eles porque esta é uma fase muito importante na carreira de qualquer jogador. Claro que para os clubes que têm as equipas B a transição é mais fácil, mas é fundamental conseguir passar-lhes alguns aspetos para que depois o 'choque' de passar de júnior para sénior não seja tão forte", sublinha.
Marcas de uma carreira feliz
Numa retrospetiva de carreira, Sandro Mendes transmite felicidade. Formado no V. Setúbal, aos 18 anos o antigo médio já era titular dos sadinos. "Tive muitos treinadores que me marcaram. Jorge Jesus, Daúto Faquirá, Rui Águas, Diamantino, enfim... Mas há que foi especial porque apostou em mim e me lançou, que foi o Quinito", confessa.
Depois de ter sido internacional sub-21 por Portugal, Sandro decidiu optar por representar o seu país de origem Cabo Verde. Em 1996 encheu-se de coragem e rumou a Espanha para a sua primeira aventura no estrangeiro, onde vestiu a camisola de clubes como o Hércules, Villarreal e Salamanca antes de voltar ao ponto de partida. Seguiram-se cinco temporadas no Bonfim até dar o salto... para um grande. "Chegar ao FC Porto aos 28 anos foi um momento marcante, claro, mas acabou por ser tudo muito rápido. Fui emprestado para a Turquia, ao Manisaspor, e quando voltei percebi que não era opção para o mister Co Adriaanse. Então, mais tarde, optei por rescindir e regressar em definitivo ao V. Setúbal", recorda.
Ambição refletida num sonhoApós tantos anos de dedicação um clube, é inevitável imaginar Sandro Mendes no comando técnico da equipa principal do V. Setúbal. O treinador dos sub-19 admite o sonho, mas, com aquele toque de classe que o destingiu dentro das quatro linhas, 'chuta' a questão... para canto. "Claro que seria uma honra para mim, um orgulho enorme, mas para já não penso nisso. Se algum dia acontecer, será um sonho. Contudo, para já, o V. Setúbal tem um excelente treinador, muito competente, e eu estou apenas focado no trabalho que tenho com a minha equipa. Isso, sim, é a minha prioridade", finalizou.
Por Fábio Aguiar