Cafú: «Até nos pintaram a pantera de azul»

Foi o dianteiro que feriu de morte o Dragão, na 1.ª derrota dos azuis e brancos no novo estádio...

Cafú: «Até nos pintaram a pantera de azul»
Cafú: «Até nos pintaram a pantera de azul» • Foto: manuel araújo

Foi o dianteiro que feriu de morte o Dragão, na 1.ª derrota dos azuis e brancos no novo estádio...

RECORD – Foram quatro épocas com a camisola de xadrez, de 2002 a 2006, e certamente um dos seus momentos altos aconteceu no dia 26 de novembro de 2004, quando marcou um golo no Dragão e, para além de ter dado a vitória ao Boavista, entrou também na história, pois foi a 1.ª vez que o FC Porto perdeu no seu novo estádio. Foi mesmo um momento muito especial?

CAFÚ – Muito. Claro que me lembro muito bem desse jogo e desse golo. São momentos que ficam sempre na memória. Tinha feito anos (27) poucos dias antes e os meus pais estavam cá nessa semana. Foi uma grande alegria. Marcar ao FC Porto é sempre gratificante e, por outro lado, fiquei também na história. Lembro-me que nesse jogo, antes do golo que marquei, já no tempo de compensação, tive duas ou três lances em que podia ter ido para o golo mas marcaram sempre fora-de-jogo... e acho que não estava. Graças a esse golo e a essa vitória tive uma semana fabulosa, sempre a dar entrevistas e a ser destaque nos jornais.

R – Foi uma vitória que serviu para ultrapassar uma pesada derrota em Alvalade, numa época (2004/05) na qual o Benfica foi campeão precisamente com 3 pontos de vantagem sobre o FC Porto. Recorda-se?

C – Então aquela derrota ainda foi mais importante (risos). Enfim, foi um daqueles jogos de que nunca mais nos esquecemos.

R – Como era disputar pelo Boavista um jogo com o FC Porto?

C – Era sempre um dérbi. Na semana que antecedia esses jogos já sentíamos a tensão do jogo, seja nos treinos, seja nas conversas de café, na rua... Lembro-me que antes de um desses jogos até nos pintaram de azul a pantera que está no Estádio do Bessa! Quando íamos lá jogar, o autocarro passava e as pessoas atiravam coisas contra ele, era uma rivalidade muito intensa. O Boavista era uma equipa que fazia frente ao FC Porto. Aliás, em 2001 o Boavista foi mesmo campeão nacional!

R – Hoje, estamos perante esse mesmo Boavista que impunha grande respeito ao seu rival citadino?

C – Vejo neste Boavista uma equipa que ainda se está a encontrar. Este Boavista não tem, obviamente, o poder que o do meu tempo tinha. Vai ter uma época muito dura e difícil, na qual o único objetivo só pode passar por conseguir a permanência na 1.ª Liga, para no futuro se poder pensar em algo mais. Apesar de contar com o Petit, que sabe tudo sobre o clube, o Boavista tem poucos jogadores. O Petit está a fazer um bom trabalho com o que tem, procurando incutir na equipa aquela mística, aquela forma de jogar, o que vai demorar o seu tempo, não aparece de um dia para o outro. Há que ter alguma paciência.

R – Está a gostar deste FC Porto?

C – Sim. Claro que ainda não se vê nos processos aquela garra e aquele andamento, pois há muitos jogadores novos. O FC Porto está também muito diferente do que eu defrontei no Boavista O Brahimi é impressionante a jogar.

R – Que conselho daria aos jogadores do Boavista para este jogo?

C – Principalmente, fazer um jogo perfeito. E correrem muito. A diferença vai estar aí. Porque em termos qualitativos a vantagem está no lado do FC Porto.

«Gosto muito desta vida e não penso no futuro»

R – Aos 36 anos, está a jogar no Feirense, na 2.ª Liga, depois de duas épocas na Alemanha e seis no Chipre, onde representou quatro clubes. Ainda se sente com força?

C – Bem, o Fary tem 39 e está na 1.ª Liga, noBoavista. Quanto a mim, a única perspetiva é seguir a fazer o que mais gosto. Gosto disto. Gosto dos jogos, gosto da vida de balneário. O Fary deve pensar o mesmo. Enquanto tivermos motivação para nos levantarmos todos os dias e ir treinar, está-se bem. Representei os maiores clubes do Chipre e foi uma experiência ótima, apesar da crise do país. Um dos clubes até acabou. Também foi maravilhoso passar pela Alemanha.

R – Já pensou no que vai fazer quando encostar as chuteiras?

C – Ainda não. É incrível, mas penso muito pouco nisso. O que sei fazer, o que gosto de fazer... é isto. Não penso muito em ser treinador mas sei também que no futebol às vezes as coisas acontecem sem pensarmos muito nelas. Gostava de ficar ligado ao futebol. Por ora, quero ajudar o Feirense a estabilizar e a fazer um campeonato bom.

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