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Ex-diretor desportivo do São Pedro da Cova começou hoje a ser julgado
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O antigo diretor desportivo do clube de futebol São Pedro da Cova, em Gondomar, acusado de recrutar atletas estrangeiros sem processo de legalização, disse hoje "nunca ter tratado da papelada e das questões burocráticas e financeiras" daqueles.
"Eu não tinha nada a ver com as papeladas e com as questões financeiras e burocráticas", garantiu Vítor Catão perante o coletivo de juízes do Tribunal São João Novo, no Porto, onde hoje começou a ser julgado.
Vítor Catão, juntamente com Armando Santos, ex-treinador do São Pedro da Cova, estão acusados de auxílio à imigração ilegal por terem recrutado atletas estrangeiros, sem processo de legalização, para "formar uma equipa a baixo custo".
A acusação do Ministério Público (MP) refere que "recrutaram e inscreveram 11 atletas de nacionalidade brasileira, que até ao fim da época e saída do clube, não foram titulares de qualquer visto ou título válido que os habilitasse a permanecer ou exercer qualquer atividade em território português".
Aos atletas, os arguidos terão prometido a sua legalização o que, salienta o MP, "nunca fizeram" e alojaram os jovens "em divisões do clube onde pernoitaram em beliches" ou nas suas próprias casas.
O ex-diretor desportivo, que esteve no cargo de 2018 a 2021, ressalvou que só três a quatro jogadores dormiam na sala do estádio que tinha "boas condições", designadamente uma porta, três janelas com luz direta, beliches e alcatifa no chão.
"Houve um jogador que disse que dormia melhor cá do que no Brasil onde dormia num tapete", frisou.
Além disso, acrescentou, as refeições eram asseguradas pelo clube, não tendo os jogadores qualquer despesa com isso.
A juntar a isso, o clube, que atualmente não tem atividade, dava dinheiro aos jogadores para carregarem os telemóveis, comprar escovas de dentes, desodorizante, fruta e iogurtes, lanchar e meter gasolina.
"Nunca ganhei dinheiro com o futebol, aliás sou uma vítima do futebol português", afirmou Vítor Catão.
Por seu lado, o ex-treinador Armando Santos apontou que os jogadores não recebiam salários porque o clube não tinha disponibilidade financeira.
Armando Santos explicou que os atletas recebiam esporadicamente e montantes diferentes quando "as coisas corriam bem".
E que os jogadores, quer portugueses, quer brasileiros, eram tratados de forma igual, não havendo qualquer diferenciação, reforçou.
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