Gondomar estuda três propostas para vender SAD antes da reintegração na 2.ª Liga

Álvaro Cerqueira, presidente do clube, garantiu que uma das ofertas foi feita pelos espanhóis do Celta de Vigo

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Álvaro Cerqueira, presidente do Gondomar
Álvaro Cerqueira, presidente do Gondomar • Foto: DR

O Gondomar está a estudar três propostas para vender a maioria do capital social da respetiva SAD antes da reintegração na 2.ª Liga, disse o presidente do clube do escalão principal da Associação de Futebol do Porto.

"Há três propostas que foram apresentadas em Assembleia Geral (AG) e que estão a ser analisadas. Estamos a ver as condições de cada uma e a tentar perceber a que acordo é que podemos chegar", adiantou à agência Lusa Álvaro Cerqueira, líder máximo do emblema nortenho desde 2004.

O presidente do Gondomar garantiu que uma das propostas foi feita pelos espanhóis do Celta de Vigo, conforme noticiou o Jornal Económico na semana passada, mas não quis revelar quem são os outros interessados.

"Isto é confidencial até as coisas estarem feitas. Não está nada resolvido", advertiu, ciente de que o Gondomar passou a ser um "clube apetecível" desde que o tribunal ordenou o regresso do clube à II Liga, da qual tinha sido relegado administrativamente para as provas não profissionais em 2009, na sequência do processo de corrupção desportiva Apito Dourado.

Em 2025, o Supremo Tribunal Administrativo negou provimento ao recurso interposto 11 anos antes pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF), numa decisão já transitada em julgado, após o Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa ter considerado nulo o acórdão do Conselho de Justiça federativo, que ditou a despromoção do Gondomar, por alegada corrupção.

A reintegração do clube na 2.ª Liga está a ser tratada junto da FPF e da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), sendo que Álvaro Cerqueira exige cautela nas negociações dos nortenhos com os futuros investidores.

"As pessoas dizem que temos agido muito rapidamente, mas andamos há meio ano nisto e a SAD ainda não está entregue a ninguém. Porquê? Há que saber a quem é que a vamos entregar. Ou temos garantias ou então fazemos como alguns clubes e tudo vai ao ar em um ou dois anos", notou.

Em junho, os associados do Gondomar aprovaram em AG extraordinária os novos estatutos do clube nortenho, tendo em conta que a constituição jurídica em sociedades anónimas desportivas ou em sociedades por quotas é condição obrigatória para competir nas provas profissionais portuguesas.

Os moldes da reunião magna e os atos que daí decorreram desagradaram alguns sócios, estando mesmo na base de uma ação que foi intentada há dois meses contra o Gondomar no Tribunal Judicial da Comarca do Porto.

"Um sócio fez isso para atrasar a venda da SAD. Ele julga que está a fazer uma grande coisa, mas só está a prejudicar o clube. A primeira coisa que tinha de fazer era falar na AG em vez de colocar um processo em tribunal", lamentou Álvaro Cerqueira, rejeitando as acusações de que a sua direção altera os estatutos do Gondomar e toma decisões sem ouvir os associados.

Entre outubro e dezembro, foram realizadas três novas AG extraordinárias para deliberar, entre outros pontos, sobre a constituição de uma SAD para a equipa sénior de futebol do Gondomar e a venda da maioria do capital.

O autor da ação judicial não discordou da criação da SAD, mas apelou à transparência na sua venda, numa altura em que o Gondomar é sexto colocado na elite do futebol distrital portuense, à qual desceu em 2024/25.

Para trás ficaram 12 épocas no Campeonato de Portugal (CP) - passou a ser o quarto escalão nacional em 2021/22, com a criação da Liga 3 -, mais quatro campanhas na então designada II Divisão B, então terceiro patamar.

"As pessoas esqueceram-se do Apito Dourado, menos quem estava neste clube. Para ter saído uma decisão judicial em 2014 e outra mais recente, é porque alguém esteve a fazer alguma coisa para defender os interesses do Gondomar", reconheceu Álvaro Cerqueira, que já era presidente nas cinco temporadas consecutivas em que os nortenhos alinharam na II Liga, entre 2004/05 e 2008/09, logo após terem vencido a Zona Norte da II Divisão B.

Em 08 de junho de 2009, a Comissão Disciplinar da LPFP puniu o Gondomar, que já tinha descido por ter sido último classificado na então Liga de Honra de 2008/09, com desclassificação e 78.000 euros de multa, por ter sido provada corrupção ativa em seis dos 22 jogos que estiveram em causa. Dois casos foram arquivados e em 14 apenas foi provada corrupção na forma tentada.

No entanto, judicialmente foi considerado inválido o recurso a escutas telefónicas para a decisão que sustentou a despromoção do clube para as competições não profissionais.

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