João Coimbra anuncia fim da carreira: «Não me lembro da última vez que comecei um jogo sem dor»

Jogador que passou pelo Benfica comunicou a decisão um dia após fazer 35 anos

• Foto: Arquivo/Simão Freitas

João Coimbra anunciou o final da carreira nas suas redes sociais, com um longo texto, no qual refere os problemas físicos que sofreu ao longo das épocas, entre eles as duas cirurgias ao joelho e os dois tornozelos "que parecem quatro".

"O último jogo já foi há mais de um mês, ainda tenho dores ao andar, talvez tenha que voltar a ser operado ao joelho, não quero escrever este texto e não quero que isto acabe", escreveu na sua conta de Twitter. 

O antigo médio, que passou pelo Benfica, considera que podia ter chegado mais longe na carreira. "Sinto que tinha qualidade para me assumir como nunca assumi na primeira liga", destacou o agora antigo jogador, que completou 35 anos esta segunda-feira, terminando a extensa mensagem a agradecer à família.  

Recorde-se que, para além dos encarnados, João Coimbra passou também por Nacional, Gil Vicente, Estoril, Ac. Viseu, União de Leiria e Trofense em Portugal e ainda pelos romenos do Rapid Bucareste, pelos indianos do Kerala Blaster e pelos luxemburgueses do Mondorf-les-Bains, onde pendurou agora as chuteiras. 

Leia o texto na íntegra:

"O último jogo já foi há mais de um mês. Ainda tenho dores ao andar. Talvez tenha que voltar a ser operado ao joelho. Não quero escrever este texto, não quero que isto acabe.

Em criança quando via uma estrela cadente desejava para mim mesmo: quero ser jogador de futebol, como adoro este jogo. Consegui, cheguei onde sempre sonhei! Mas passou tão rápido, agora o sonho acabou.

E o que ficou? Dois tornozelos que parecem quatro. Duas cirurgias ao joelho (talvez com a terceira a caminho), uma quase hérnia lombar, um ombro deslocado, um traumatismo craneo-encefálico com paragem cardíaca momentânea (pelo menos foi o que me disseram na altura pois não me lembro de nada), muitas mialgias e algumas roturas musculares, desgaste mental tremendo que roubou horas e dias de sono. Quantidade incalculável de voltarens, Vício em comprimidos para dormir para ter a certeza que dormia as horas suficientes devido a ansiedades antes dos jogos, com o fim dos contratos. Não me lembro da última vez que comecei um treino ou jogo sem dor (sim comecei, porque durante, muitas vezes as dores desapareciam como por milagre). Até já acho que o cabelo caiu também por culpa do futebol.

O que verdadeiramente importante ficou. Amizades maravilhosas para a vida, histórias e experiências fantásticas, conhecimento de grandes pessoas e de culturas diferentes. Joguei o jogo, nem sempre com a alegria que ele merecia, mas quando acontecia era algo mágico, algo que não volta atrás. Aproveitem cada segundo pois passa muito rápido.

Deixo um agradecimento a todos os envolvidos nesta minha história, a todos os que estiveram presentes muito obrigado. Fica o amargo de boca de que podia ter ido mais longe, sinto que tinha qualidade para me assumir como nunca assumi na primeira liga. 

Foi o que foi, podia ter sido melhor, mas também podia ter sido pior, sem arrependimentos, com a noção de que se fosse mentalmente mais forte poderia me ter mantido e afirmado no topo muito mais tempo. Sim, porque apesar de tudo passei por lá. 

Sempre procurei respeitar tudo e todos, nem sempre consegui algumas atitudes irrefletidas. Uns não as mereciam, outros mereciam bem pior. Saio de consciência tranquila, dei sempre o meu melhor, suei e respeitei sempre a camisola que vesti.

O futebol não é um mundo fácill, de todo, mas é o mundo que amo, onde sempre estive e o mundo por onde quero ficar, pois sinto que ainda tenho muito a retribuir por tudo o que me deu!

Uma palavra final aos meus... tenho a sorte de ter uma família maravilhos. Obrigado por me aturarem.

Venha o próximo desafio."

Por Record
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