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Aos 46 anos de idade, um ano após ter deixado o apito que o tornou carismático, Jorge Coroado volta ''sem papas na língua'' para apontar o dedo a quem o ''tramou''
– De que forma se pode falar da sua intervenção no processo eleitoral em curso para a FPF?
– Um fogacho! Ou, "um ar que se lhe deu"! Talvez, "chegou, viu e... andou!" Ou, ainda, "um indigitado enjeitado em 48 horas".
– Foi mesmo assim: o caso não durou mais que 48 horas?!
– Exactamente. Por volta das 16 horas de sábado, dia 15, fui convidado. Na segunda-feira seguinte, cerca das 23 horas, fui dispensado. Foi uma coisa que não deu, sequer, para pensar nela.
– Não o frustrou o facto de ter sido enjeitado?
– Não. Pessoalmente, ser dirigente não era algo que estivesse nos meus horizontes próximos.
– Quer dizer que o convite da AF Lisboa o surpreendeu?
– Completamente! Mas como entendo que a AF Lisboa é uma entidade que merece todo o meu respeito, pois sempre me apoiou e incentivou, senti-me na "obrigação" de dizer que "sim". Mas alertei o dr. Carlos Ribeiro para a conveniência de falar com o sr. Pinto de Sousa, para saber duas coisas: se o sr. Pinto de Sousa se sentia (em função do que tinha lido uns dias antes) com personalidade para conduzir os destinos da arbitragem e, também, se ele entendia ser eu uma pessoa com a idoneidade moral para incorporar o CA da FPF.
– Carlos Ribeiro disse-lhe se era a sua primeira escolha?
– Não, nem eu lho perguntei porque isso não me preocupava. A verdade é que naquelas 48 horas ouvi muitas coisas, pessoas a dizerem-me que não seria eu o indicado. Mediante isso, na segunda-feira de manhã falei ao dr. Carlos Ribeiro e disse-lhe para não se "prender" comigo, lembrando-lhe o facto de ter "anticorpos".
– "Anticorpos" que se agravaram com afirmações suas nessa semana, que se pensou serem dirigidas a Valentim Loureiro. Não terá sido por aí que começou a sua retirada da lista?
– É verdade que proferi uma frase – "no futebol português há majores mas há muitos com vontade de serem promovidos a coronéis sem 'jagunços'" –, mas que não se destinava a ninguém em particular. Aceito que as pessoas a associassem ao Major Valentim Loureiro. Mas não era.
– A frase foi dita antes do convite. Tê-la-ia dito se soubesse do convite da AF Lisboa?
– Se calhar sim. Porque o objectivo não era dirigi-la a alguém em particular, e eu quando me dirijo a alguém em concreto faço-o directamente, sem rodeios.
– No entanto, consta que o Major ficou pouco satisfeito...?
– É verdade. Na segunda-feira, depois de almoço, telefonaram-me a dizer que o Major estava muito aborrecido com essa frase e que a Liga não apoiaria a minha indicação. Prontifiquei-me para falar com ele e explicar-lhe que aquilo que dissera não lhe era destinado. Não lhe ia pedir apoio, porque entendo que ninguém candidato ao CA deve pedir apoio, seja a quem for. Telefonei-lhe e fiquei com a ideia de que ele teria entendido o que eu tinha querido dizer. Só ao fim da noite fiquei a saber que não faria parte da lista porque o Benfica fez pressão nesse sentido.
– E aí, qual foi a sua reacção? Aceitou, assim, com a "leveza" com que fala do tema agora?
– Perfeitamente! Sabia de antemão que seria difícil o Benfica apoiar-me, porque o "caso Caniggia" ainda causa incómodos e porque, há cerca de um ano e meio, num colóquio na Voz do Operário, encontrei o sr. António Simões que em conversa me disse: "Ó Coroado, você tem de deixar de ser tão radical e deixar de pensar tanto pela sua cabeça, pois assim terá dificuldades no futuro em ter apoios seja de quem for." Assumo a minha maneira de ser, sempre gostei de cumprir as regras e regulamentos, mas gosto de pensar pela minha cabeça, sobretudo quanto ao que entendo deve ser a arbitragem.
– Não está arrependido!?
– Jamais! Não me vejo a pedir apoios para ocupar cargos directivos na arbitragem.
– Crê ter sido apenas o Benfica a vetar o seu nome?
– Não. Disseram-me depois que os dirigentes do Benfica foram pressionados por certa pessoa, que lhes disse para vetar o meu nome.
– Essas pressões foram exercidas, então, por quem? Pelo Major Valentim Loureiro? É ele quem "veste a pele de cordeiro mas é o lobo mau", como disse há dias?
– Sim. Disseram-me que ele não acreditou no que lhe contei. Além disso, o Major também não se deve sentir muito satisfeito com algumas coisas que tenho escrito sobre a Liga. Mas aceito isso sem dramas.
– Não vai esclarecer esta situação com o Benfica...?
– Não creio. A decisão não veio do topo... As informações quando chegam aos generais são veiculadas pelos sargentos ou pelos oficiais subalternos. E há pessoas no Benfica que tiveram uma passagem pela arbitragem, e até fizeram coisas úteis, mas enfermam de um mal que grassa no futebol português, e principalmente neste sector, que é privilegiarem a empatia pessoal com as pessoas em detrimento da valia e da competência de cada um, dando mais importância à palmadinha nas costas do que à sinceridade.
– Estranhamente, ou talvez não, veio do Norte um apoio nesta sua nova situação de conflito com o Benfica, de Pinto da Costa. Como o entendeu?
– Não suspeito da bondade das palavras, mas obviamente que fiquei à espera do "troco". E acabo por ser envolvido num fogo, num tiroteio, para o qual não contribuí em nada, porque não pedi nada a ninguém. Enfim, souberam bem aquelas palavras, sobretudo em contraponto com algumas menos positivas que ouvi durante o meu tempo de árbitro. Ou seja, essas palavras são gratificantes mas não me obrigam a ser grato.
– E o Sporting, depois do "caso" da "azia", sabe se tomou alguma posição nesta conjuntura?
– Que tenha conhecimento, não. Tenho um relacionamento cordato com os actuais dirigentes do Sporting, sem quaisquer problemas ou deferências especiais.
«Diplomacia, sim mas jamais me calaria...»
– Ponderaria mudar a sua atitude, assumindo que determinados cargos exigem uma maior diplomacia, não a frontalidade que o caracteriza?
– É verdade que há cargos que exigem diplomacia, mas esta também tem limites. E quando se adulteram factos, regras, aí jamais me calaria! Porque uma das coisas que eu prezo imenso é o comportamento ético de todos aqueles que gravitam na esfera da arbitragem. Neste ano "por fora", apercebi-me que é nas camadas inferiores que muitos dos vícios se enraízam e que, depois, chegando ao topo da pirâmide, dificilmente são erradicados. E, curiosamente, aqueles que se arvoram em arautos defensores da causa, que invariavelmente procuram falar sobre regulamentos, sobre a alteração da Lei de Bases, etc., não os vejo apelarem aos seus filiados para que tenham comportamentos dignos da função que desempenham.
– E acha que o seu temperamento não o prejudica?
– Já pensei nisso. E olhe que não é só no futebol. Mas se estivesse preocupado com isso tentaria dar outra imagem, mas não seria o Coroado.
«Há quem dê três meses de vida a este CA»
– Que futuro augura para o próximo CA da FPF?
– Acho que tem pernas para andar e fazer um belo trabalho. Tem condições para explanar o seu projecto, pois ele permitirá, num futuro breve, termos valores para ocuparem os lugares dos que em breve deixarão a primeira categoria nacional.
– Há quem defenda que o sr. Pinto de Sousa está "ultrapassado"...?
– Para além de ser uma pessoa consensual, o sr. Pinto de Sousa tem muitos conhecimentos, uma enorme experiência na condução da arbitragem, e é, por razões de formação pessoal, uma pessoa que privilegia o diálogo, embora haja quem vaticine que este CA não vá durar mais do que três meses. Não por culpa do sr. Pinto de Sousa, mas por razões idiossincráticas de alguns dos membros que o vão compor.
«APAF é zero e Vítor Reis um aprendiz»
– Nunca poderia esperar o apoio da APAF. Seria estultícia da minha parte! Toda a gente sabe o que eu penso da actuação dos dirigentes da APAF. É zero, enquanto associação. Os seus filiados são outra coisa. Aos árbitros atribuo-lhes o máximo respeito e consideração. Aliás, ao contrário do que um aprendiz de feitiçeiro da arbitragem tem dito, o sr. Vítor Reis, actual líder da APAF, tenho ideias e projectos. O sr. Vítor Reis também pode ter ideias, mas quando nem sequer foi capaz de defender, no CA da FPF, a sua classificação, tendo ficado primeiro em 24º e depois em 25º e despromovido, quando o regulamento não previa essa situação, é evidente que não lhe posso dar importância.
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