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A 29 de Junho de 1994, José Guímaro, da Associação de Futebol de Coimbra, foi detido preventivamente após ouvido por um juiz. Começaram então as preocupações de Manuel Rodrigues, presidente do Leça FC e emissor do cheque (a fotocópia) de 500 contos encontrado na casa do árbitro pela Polícia Judiciária. Manecas, como ficou conhecido e citado nos autos, começou por negar as evidências mas entrou em contradições perante o procurador-geral da República, Almeida Pereira. A 9 de Outubro de 1996 foi iniciado o julgamento do "Guimarogaite", popularizado pelos "quinhentinhos".
Tudo começou no jogo Leça-Ac. Viseu (1992/93) para apuramento do campeão nacional da II Divisão, cujo resultado (3-0) foi referenciado no texto de acusação como tendo sido falseado através da intervenção decisiva do árbitro, nomeadamento "ao ordenar, sem fundamento, em tempo de compensação no primeiro período, a marcação de uma grande penalidade" contra os viseenses. Manuel Rodrigues afirmou "jamais ter sido abordado pelo sr. Guímaro para qualquer tipo de acordo", mas em tribunal ficou provada a existência do ilícito.
José Guímaro passou à história como o primeiro árbitro português a ser condenado por corrupção passiva. Com ele foram também sentenciados Manecas, Manuel Gonçalves Rodrigues e António Ramos. Ainda recorreram ao Supremo Tribunal de Justiça, que manteve a penalização.
A 26 de Junho de 1997, o CD da Liga contrariou o acórdão do Tribunal de Matosinhos e do STJ, considerando que o caso não terá passado de tentativa de corrupção, sofrendo o Leça apenas a subtracção de três pontos. A 23 de Julho de 1998, o CD da FPF corrigiu o veredicto e o Leça desceu de divisão.
Outros casos
"PENAFIELGATE". A época 89/90 foi marcada pelo "Penafielgate". Antes do Penafiel-Belenenses, o árbitro Francisco Silva foi surpreendido com a entrada de Lourenço Pinto no balneário, presidente do CA da FPF, que lhe pediu "o cheque", acenando com uma gravação. O árbitro foi então à mala retirar um cheque de dois mil contos, que lhe foi dado pelo presidente do Penafiel, Manuel Rocha, alegadamente para favorecer a equipa duriense. Francisco Silva já não apita o jogo e é suspenso. Alega ter sido vítima de uma cilada, enquanto Manuel Rocha acusa-o de ter telefonado a pedir o dinheiro. Silva acaba por ser irradiado.
CALABOTE. A 90 minutos do fim da época 58/59, FC Porto e Benfica estão empatados no primeiro lugar. Os dragões, no terreno do Torreense, ganham 3-0, com dois golos nos últimos minutos. Na Luz, O Benfica goleia a CUF por 7-1, com o árbitro Inocêncio Calabote a prolongar o jogo sete minutos para além dos 90 e a marcar três "penalties" a favor do Benfica. Não chega. Os dragões são campeões por um golo. Calabote é acusado de corrupção e afastado da arbitragem.
CALHEIROS. Carlos Calheiros, da AF Viana do Castelo, foi a figura central do caso da viagem paga (750 mil escudos) ao Brasil, alegadamente financiada pelo FC Porto através da agência Cosmos. O Ministério Público confirmou ter existido corrupção, mas não conseguiu provar que a viagem foi paga em troca de favores ilícitos. O CD da FPF decidiu arquivar o processo por falta de meios para investigar.
Apelou por respeito e justiça através de uma nota de imprensa
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