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Encarregados de educação exigem o apuramento de responsabilidades
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Os pais de atletas sub-17 do Clube de Albergaria admitem avançar com uma denúncia ao Ministério Público (MP) por eventual "omissão de dever de cautela", após a realização de um jogo, no sábado, sob condições meteorológicas adversas.
Após uma reunião de urgência com a direção do clube, que decorreu na terça-feira, os encarregados de educação exigem o apuramento de responsabilidades, considerando que houve "negligência" e "falta de critérios" na gestão de risco, perante o alerta laranja para vento e precipitação no distrito de Aveiro.
"Consideramos que a Associação de Futebol (AF) de Aveiro foi imprudente. Sabiam que a zona estava sob alerta e noutros distritos, como Lisboa, todos os jogos foram cancelados", afirma, Joaquim Ramos Pinto, representante dos pais da equipa sub-17 feminina, em declarações à Lusa.
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Em resposta, o presidente da AF Aveiro, José Neves Coelho, embora defenda a autonomia dos árbitros, adiantou estar a decorrer uma averiguação aos factos, tendo, até ao momento, apenas "dois ou três casos referenciados" num total de cerca de 400 jogos.
O representante dos pais da equipa sub-17 - cujas atletas têm entre 13 e 15 anos - relatou um cenário de insegurança no Estádio Municipal de Albergaria-a-Velha durante a partida contra o Macieira de Cambra.
Segundo os pais, o jogo, referente a uma competição da AF Aveiro, decorreu no período em que existiam alertas para a possibilidade de "eventos extremos de vento", tendo a equipa de arbitragem decidido não interromper o encontro.
"A bola fazia curvas e voltava atrás com o vento. Em lances de bola parada, como cantos ou livres, a bola não ficava imobilizada, o que é uma regra fundamental", explica, sublinhando que os pais têm gravações de vídeo que provam estas condições.
Para além do jogo em si, o perigo estendia-se à infraestrutura, com relatos de "chapas da bancada e painéis publicitários a abanar".
Na reunião, a direção do Clube de Albergaria informou os pais de que já contactou associação, que se mostrou disponível para averiguar os factos.
No entanto, os encarregados de educação exigem mais do que disponibilidade, defendendo uma revisão dos protocolos para jogos de formação em situações de alerta meteorológico e formação específica obrigatória para árbitros sobre gestão de risco e proteção de menores.
A apresentação formal da queixa ao MP continua "em cima da mesa" e será concretizada caso as entidades desportivas não reconheçam as falhas e não implementem mudanças imediatas nos protocolos de segurança para atletas menores.
Já o presidente da AF Aveiro explicou que a instituição já solicitou esclarecimentos ao Conselho de Arbitragem.
"Já pedimos para informar o que o árbitro tinha a dizer nessas circunstâncias", afirmou o dirigente, sublinhando que, por lei, cabe à equipa de arbitragem e aos clubes decidir, no local, se existem condições de segurança.
Sobre a falta de uma suspensão geral da jornada --- como aconteceu em Lisboa ou Setúbal ---, o dirigente esclareceu que tal não aconteceu "porque não havia razões para o efeito", cabendo aos intervenientes no local decidir.
O dirigente assegurou ainda que a associação está disponível para alterar regulamentos e reforçar a formação dos árbitros para prevenir casos semelhantes.
"Estamos a favor da proteção dos intervenientes. A integridade física dos nossos atletas está acima de tudo", assegurou.
No sábado, no Norte do país, duas jogadoras e um elemento da equipa técnica do Nogueirense foram transportados para o Hospital de São João, no Porto, depois de apresentarem sinais de hipotermia, na sequência do jogo frente ao São Romão, da Taça Feminina de Promoção.
O caso foi denunciado nas redes sociais por Jéssica Pinto, jogadora do Nogueirense, que classificou a situação como "surreal e desumana".
Questionada sobre este caso, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) esclareceu que "sensível aos avisos e alertas emitidos pelas autoridades relacionados com as condições meteorológicas no fim de semana passado, esteve em constante articulação com as associações distritais e regionais e os clubes, tendo, por isso, acedido aos pedidos de adiamento que lhe chegaram".
A FPF refere também que "a avaliação das condições para o início do jogo e para o seu normal decurso compete em exclusivo à equipa de arbitragem", constando o sucedido no encontro no relatório da equipa de arbitragem.
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