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Guarda-redes internacional português em entrevista ao Canal 11
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Rui Patrício foi convidado do programa 'Amor à Camisola' do Canal 11 e abordou, através de vídeoconferência, a forma como a psicologia ajudou a melhorar a sua performance desportiva. O guarda-redes de 32 anos falou ainda sobre a ligação ao 'Global Players' Council', órgão recém-criado pela FIFPro para defender os interesses e os direitos de futebolistas de todo o mundo, no qual o habitual dono da baliza da Seleção Nacional representa os atletas portugueses.
"Comecei a trabalhar com a Ana Bispo Ramires [n.d.r.: convidada, presencial, do programa 'Amor à Camisola'] aos 23 anos e ela veio a revelar-se um pilar na minha vida, na minha evolução como atleta e como pessoa. O que fiz e o que conquistei no futebol em muito se deve ao trabalho fantástico realizado por ela, cujo mérito reconheço sempre. O meu objetivo inicial era melhorar a minha performance desportiva, mas depois trabalhámos todos os contextos da minha vida. Para melhorar a performance é preciso evoluir em todas as áreas", afirmou Rui Patrício, explicando depois as vertentes que têm vindo a ser trabalhadas.
"Trabalhámos cada situação que acontecia no jogo. Porque tinha acontecido? Como corrigir, manter ou melhorar? No início chegava ao jogo e sentia-me cansado após o aquecimento. A Ana fez-me perceber que se devia a acontecimentos ou pensamentos anteriores e que tinham gerado ansiedade ou stress. Essa é a parte mais interessante da psicologia: perceber como é que estamos e o que podemos fazer para evoluir. Treinar estratégias e ferramentas para lidar com as coisas quando elas acontecem e antecipar cenários. Se rebentasse uma bomba ali ao lado, ia continuar focado. É arranjar estratégias de foco e aprender a gerir as emoções. Acho que toda a gente devia fazer esse trabalho. O autoconhecimento é indispensável".
Experiência em Inglaterra
"No Wolververhamton, temos um psicólogo que trabalha diretamente com a equipa técnica. Está connosco se necessitarmos de falar com ele, mas a sua intervenção é ao nível do coletivo. Acredito que o jogador deve procurar ele próprio evoluir nesse campo e recorrer à psicologia. Os clubes também têm um papel fundamental e deviam apostar mais na Psicologia da Performance Desportiva."
Trabalho dos clubes portugueses
"Em Portugal, só agora é que se começa a levar sério a Psicologia da Performance. Antigamente olhava-se com muita desconfiança e a saúde mental do atleta é muito importante. Há falhas que acontecem nos jogos e que eram evitáveis, pois começam a desenhar-se antes da jogada, na cabeça do jogador. Muitas vezes, o que acontece dentro do campo é uma consequência do que está para trás."
Papel no sindicato mundial de jogadores profissionais
"A FIFPro criou o Global Players' Council (GPC), para dar voz aos jogadores e às jogadoras profissionais. Nas nossas reuniões, que agora serão virtuais, comentamos e discutimos temas importantes para a classe - desde a pandemia da Covid à saúde mental, passando pela proteção social dos jogadores. Assuntos que preocupam os atletas. Com o GPC, a FIFPro ganha mais força perante a UEFA e a FIFA. Para mim, é um orgulho ter sido escolhido para representar Portugal."
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