Coroa de flores a Pepe: conheça a origem desta tradição

• Foto: Fernando Ferreira

A homenagem que o FC Porto presta a Pepe, antigo jogador do Belenenses e da Seleção portuguesa, já tem sessenta anos e não tem uma explicação específica a não ser a boa relação entre os clubes e o facto do referido jogador ser, ainda hoje, considerado o primeiro menino de ouro do futebol português.

Mas quem foi, afinal, José Manuel Soares 'Pepe'?, questionam-se muitos. Pode dizer-se que foi a primeira lenda do futebol nacional. Nasceu a 31 de janeiro de 1908 e faleceu prematuramente a 24 de outubro de 1931, protagonizando um dos episódios mais tristes e dramáticos do panorama desportivo português, não existindo ainda hoje um consenso sobre as causas que levaram à sua morte. Carências de ordem alimentar, suicídio ou envenenamento foram hipóteses que se levantaram na altura, mas parece ter sido a última a mais verosímil e plausível, enquanto a tese de suicídio terá sido rapidamente afastada, não só por Pepe ter uma vida feliz - estava noivo, tinha inclusivamente uma amante e ambas compareceram no seu funeral - mas porque trabalhava e fazia o que mais gostava, que era jogar futebol.

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Conta-se, com efeito, que a sua mãe terá preparado um chouriço com soda cáustica em vez de sal e, no dia seguinte, Pepe levou uma sandes desse enchido para o trabalho e, pouco depois de a comer, sentiu-se mal, deu entrada no hospital e acabou por falecer.

Tinha apenas 23 anos e adquiriu desde logo o estatuto de lenda, dado o muito que já tinha dado ao futebol português. Estreou-se com 18 anos no Belenenses e, logo nesse dia, frente ao Benfica assumiu a responsabilidade de cobrar um penálti com a partida empatada. Converteu o castigo e os azuis venceram por 5-4. Um ano depois estreou-se por Portugal e bisou na vitória por 4-0 sobre a França, tendo representado o nosso país nos Jogos Olímpicos. Em títulos, contabilizou dois campeonatos de Portugal e três de Lisboa, detendo o recorde de golos marcados num jogo oficial. Marcou uma dezena na vitória do Belenenses sobre o Bom Sucesso em partida do Campeonato de Lisboa.

Um ano após a sua morte, concretamente em dezembro de 1932, foi inaugurado um mausoléu para perpetuar a memória de Pepe, o qual seria, posteriormente, transferido para o Restelo por ocasião da inauguração do estádio em 1956. É desde essa altura que o FC Porto presta a sua homenagem ao primeiro menino de ouro do futebol português, depositando uma coroa de flores na estátua do jogador antes da equipa entrar em campo.

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Belenenses retribui por Pavão 

Na próxima terça-feira, também o Belenenses vai cumprir, em sinal de retribuição, uma tradição que, neste caso, tem 43 anos e que homenageia Pavão, antigo jogador do FC Porto também falecido prematuramente em pleno relvado quando tinha apenas 26 anos. Antes do encontro para a Taça CTT, os azuis vão depositar também uma coroa de flores no busto de Pavão junto aos balneários e, como sempre acontece, entrarão em campo com a bandeira do FC Porto.

Pavão nasceu em Chaves no ano de 1947 e depois de se distinguir em Trás-os-Montes transferiu-se para o FC Porto, garantindo cedo a titularidade e também o estatuto de capitão de equipa, devido à sua forte personalidade. Como jogador, trabalhava imenso no meio-campo, assumindo enorme polivalência. Era, no fundo, um trinco moderno antes do seu tempo.

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A sua carreira era muito promissora, mas o destino e o infortúnio atingiram-no dramáticamente a 16 de dezembro de 1973 em jogo da 13.ª jornada frente ao V. Setúbal e ao minuto 13. Pavão caiu inanimado no relvado das Antas em virtude de uma paragem cardio-respiratória, ainda foi transportado para o hospital, mas as tentativas de reanimação revelaram-se infurtíferas.

O FC Porto acabaria por vencer por 2-0 a equipa sadina então orientada por José Maria Pedroto. Ainda hoje os adeptos recordam esse triunfo como um dos mais amargos da história do clube

Por João Pedro Abecasis
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