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Pela segunda vez, o Benfica foi eliminado da Taça de Portugal por uma equipa de uma divisão inferior. A ferida infligida pelo Gondomar é mais profunda por tratar-se de um clube de duas divisões abaixo (II B) e de uma derrota caseira, mas o V. Setúbal, em 1961 (então na II Divisão), já havia causado sensação ao eliminar as águias, nos oitavos-de-final.
Aconteceu a 1 de Junho, numa quinta-feira de feriado, e aos mais atentos a data revela-se particularmente intrigante. É que o Benfica sagrara-se campeão europeu de clubes, pela primeira vez, no dia anterior, 31 de Maio, ante o Barcelona, em Berna. Na tarde do dia 1, no Campo dos Arcos, em Setúbal, a formação encarnada apresentou-se sem as principais figuras, que nessa mesma manhã foram recebidas em delírio pelo povo, no aeroporto da Portela. E como alguns suplentes também acompanharam a equipa a Berna, o Benfica enfrentou o V. Setúbal com um grupo de jovens mal preparados para defender a vantagem (3-1) conseguida na primeira mão.
Na equipa alinhou Eusébio (finalmente inscrito), mas o resultado foi desolador: derrota por 1-4 e eliminação. Ao intervalo, os sadinos venciam por 2-0 – golos de Quim. Pompeu aumentou a vantagem, mas o "Pantera Negra" igualou a eliminatória, num golo espectacular em jogada individual. De seguida desperdiçou uma grande penalidade. A nove minutos do fim, Pompeu fez o 4-1.
Curioso que a Imprensa pouco valor deu a esta vitória do V. Setúbal, pois todo o País se unia em volta da conquista encarnada na Taça dos Campeões. A eliminação da Taça não foi contestada por qualquer adepto e, ao contrário de anteontem, os agrupamentos surgiram durante o dia para festejar o feito ímpar do futebol português, não para pedir a cabeça do treinador. O Leixões levou a Taça de Portugal nesse ano.
Para a história, eis as equipas: V. SETÚBAL – Mourinho; Polido, Galaz e Manuel Joaquim; Jaime Graça e Alfredo; Quim, Emídio Graça, Miguel, Pompeu e Cafum. BENFICA – Ramalho; Sidónio, Pinto e Maximiano; Amândio e Humberto; Nartanga, Eusébio, Jorge, Espírito Santo e Inácio.
'Poker' do Manel
O que pode mais custar a um benfiquista? Perder com o Sporting, é claro. E se for por 7-1? Então estamos perante a maior humilhação na história do campeonato nacional. Aconteceu a 14 de Dezembro de 1986, no Estádio de Alvalade. Manuel Fernandes viveu um momento para contar milhares de vezes aos netinhos, pois nem sempre se marcam quatro golos ao rival. Mas não foi o único. A 17 de Outubro de 1965, em pleno reinado do Benfica de Eusébio, o leão Lourenço foi à Luz fazer o mesmo (2-4), desferindo um rude golpe no orgulho da águia. Ao contrário de 86/87, os encarnados deixaram o título escapar para Alvalade. Em 46/47, os "Violinos" foram imortalizados na vitória por 6-1, a pior derrota encarnada durante 40 anos.
Mão-cheia na Luz
Quarta-feira, 18 de Setembro de 1996. O Benfica recebeu o FC Porto na segunda mão da Supertaça, com a esperança de recuperar da magra desvantagem (0-1) trazida das Antas. Vestidos de azul-e-branco estavam João Manuel Pinto, Zahovic e Drulovic, hoje todos no plantel encarnado, e, claro está, Jardel. A equipa portista, orientada por António Oliveira, só parou no quinto golo e infligiu a pior derrota caseira ao Benfica (0-5). Antes, só o Manchester United havia marcado cinco na Luz (1-5), na Taça dos Campeões de 1966. A derrota da equipa de Paulo Autuori é um marco da Supertaça e nos confrontos entre os dois clubes, uma vez que, na altura, a maior lembrança portista reportava a 38/39, quando ganhou 6-1 no campeonato.
'Veni, vidi', Vigo
Uma data riscada no calendário do Benfica: 25 de Novembro de 1999. Na Taça UEFA, a visita a Vigo apresentava-se difícil mas ninguém esperaria uma goleada do Celta tão contundente: 7-0. O técnico Jupp Heynckes não acreditou no que aconteceu à sua equipa. Em termos de competições europeias, era preciso recuar a 1963 (0-5 em Dortmund), 1966 (1-5 na Luz ante o Manchester United), 1976 (1-5 em Munique, frente ao Bayern) e 1984 (1-4 em casa perante o Liverpool) para se falar de desgraças. Mas Vigo foi traumático.
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