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06 abril

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António Simões: «As noites europeias são marco inolvidável»

António Simões é, indubitavelmente, um dos jogadores com maiores e mais brilhantes ligações ao Estádio da Luz. O actual director-geral do Benfica levou multidões ao rubro nas décadas de sessenta e setenta e hoje é com prazer que recorda alguns desses momentos. À cabeça, sem qualquer tipo de dúvidas, o jogo da estreia, no dia 15 de Janeiro de 1962: o adversário dava pelo nome de Sporting e o resultado cifrou-se numa igualdade a três bolas.

"O jogo de maior significado é o da minha estreia. Naquele tempo treinávamos no Campo Grande, junto a uma estância de madeira, num pelado, e pisar o relvado da Luz era o sonho de qualquer jovem. Defrontámos o Sporting, empatámos 3-3 e eu até actuei a extremo-direito, porque o José Augusto tinha dificuldades perante o Hilário e foi jogar na esquerda", conta Simões. De 62 a 75 (14 épocas), quando deixou o clube, fez 311 jogos na I Divisão e obteve 46 golos. Do rol de memórias fala ainda das noites europeias.

"Com toda a sinceridade é difícil escolher mais jogos que me marcaram, porque foram todos. Mas as noites inesquecíveis da Taça dos Campeões Europeus são um marco inolvidável. Eram as noites europeias porque no campeonato só jogávamos à tarde. O modo como a equipa se apresentava e esmagava o adversário, mais todo aquele ambiente... fizeram que o estádio ficasse também conhecido pelo 'inferno da Luz'. Aliás, esta história das siglas é deveras curiosa: o Estádio da Luz identificava o clube, o 'inferno da Luz' atemorizava as equipas europeias e o Estádio Sport Lisboa e Benfica, talvez o de maior significado, acabava por ser o menos conhecido".

As noites europeias justificam outro apontamento delicioso: Simões é ainda hoje o mais jovem futebolista de sempre a ganhar uma final dos Campeões Europeus. Tinha 18 anos e esse período, aliás, foi qualquer coisa de alucinante, pois Simões não tardou a ser campeão pelo Benfica e cinco dias depois tornou-se internacional A pela primeira vez. Pouco tempo antes, acrescente-se, fora campeão europeu de juniores. Alguns anos depois atingiu outro ponto altíssimo da sua carreira, com o 3º lugar de Portugal no Mundial de 66.

Voltando à Luz e aos nosso dias Simões considera que o estádio ficará eternamente ligado a um historial repleto de sucessos. "Mas vai desaparecer, como tudo na vida. Será uma lenda existente através de algo inexistente. Oxalá o novo estádio propicie um ciclo de outros êxitos e tenha também lugar na nossa história."

O dom de bem jogar com ambos os pés

A propósito da estreia de Simões na Luz e do facto de ter actuado a extremo-direito convém aqui sublinhar que o fantástico nº 11 do Benfica e da selecção nacional não era, nem é, canhoto.

"O tema chegou a provocar discussão pública. Todos me chamavam esquerdino, mas isso não corresponde à verdade. O certo é que jogava com os dois pés, com a mesma facilidade, e durante praticamente toda a minha carreira alinhei a extremo-esquerdo, o que fez alguma confusão na cabeça das pessoas", esclarece Simões.

"Costumo dizer que Deus me deu o dom de jogar tão bem com o pé esquerdo como com o pé direito", acrescenta aquele que, para todos os efeitos, trocou os olhos a um extenso rol de adversários (a todos...) actuando na esquerda.

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