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02 maio

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Benfica-Fenerbahçe, 3-1: Sonho nasce no inferno

Cardozo voltou a ser o homem das grandes decisões. Sim, quem mais poderia ser?

Benfica-Fenerbahçe, 3-1: Sonho nasce no inferno
Benfica-Fenerbahçe, 3-1: Sonho nasce no inferno • Foto: PAULO CALADO

Aconteceu! O Benfica volta a uma final europeia 23 anos depois da derrota frente ao Super Milan de Rijkaard, Gullit e Van Basten. As águias foram melhores, muito melhores, e dificilmente os 55 mil que ontem foram à Luz puseram em causa as melhores e possibilidades da equipa de Jorge Jesus se fazer ao caminho para Amesterdão, tais foram os argumentos apresentados na discussão com os turcos.

Consulte o direto do encontro.

Depois da intensa batalha de Istambul, há uma semana, o Benfica só se colocou em vantagem pela primeira vez na eliminatória ontem aos 66’, quando Tacuara Cardozo – quem mais poderia ser se não o matador?! – bateu Demirel, depois de um remate cruzado feito no coração da área. Mas a intensidade do jogo das águias desde cedo embalou o estádio para uma noite memorável, potenciada logo aos 9’, com um golo soberbo de Gaitán... que começou no banco, em Jorge Jesus.

Já na Madeira, na primeira “final” da Liga, o treinador do Benfica surpreendera com a titularidade de André Almeida, no lugar de Melgarejo. E ontem repetiu a opção. Com uma vantagem. O “novo” lateral pareceu feito para o lugar e encheu o corredor, a defender e a atacar, permitindo que Gaitán pudesse soltar-se no centro do terreno, criando desequilíbrios preciosos. E a jogada do primeiro golo é exemplar, com Lima a descair no flanco e a servir Gaitán, a entrar pela direita.

Os turcos viram-se abalados de alto abaixo. A qualidade do seu jogo já demonstrava grande respeito pelo Benfica, mas a perderem tão cedo foi demasiado.

Imprevisto

Mas é quando o plano parece tão perfeito e o seu cumprimento obedece a todos os pressupostos que acontecem acidentes imprevistos, como foi o penálti que deu o golo do empate e lançou o Benfica na perspetiva da eliminação. Erro de perspetiva!

O Benfica tinha a final na pele, só não podia vacilar nas suas convicções. E aí fez-se sentir a força da assistência, convencida em relação a supostas injustiças de arbitragem. Até ao 2-1, autoria de Cardozo, viveu-se na Luz um ambiente absolutamente frenético que fez os turcos sentirem-se pequenos e os terá levado a pensar que, afinal, a algazarra de Istambul pode ser uma brincadeira ao pé de uma multidão convencida da superioridade da sua equipa, o Benfica.

Ainda em vantagem na decisão que o poderia levar à final, o Fenerbahçe quis baixar o ritmo do jogo. Aykut Kocaman mandou aproximar mais as suas linhas, para tirar espaço ao adversário, mas este sacou de uma solução tão bem utilizada desde que Jesus deu luzes à equipa sobre o valor que pode ter um lançamento de linha lateral. Salvio meteu a bola na área, Luisão intrometeu-se e Cardozo marcou, abrindo asas para a final europeia, tão desejada por Jorge Jesus e que foi objeto de promessa eleitoral de Luís Filipe Vieira.

Lima e Enzo Pérez ainda protagonizaram lances que podiam ter resultado no quarto golo, mas o físico já não obedeceu.

O Fenerbahçe tentou um último quarto de hora de pressão sobre o Benfica, a partir da entrada de Stoch. E Jesus, antes de fazer entrar o terceiro central (Roderick), lançou o extremo Urreta, para impôr respeito a uma equipa que acreditou pouco nas possibilidades de tornar real o sonho europeu, mas que num lance desesperado podia mudar tudo.

Trinta e oito anos, as águias não voltaram a dar 7 ao Fenerbahçe, mas estes 3 valem muito mais, uma final.

Árbitro: Stéphane Lannoy (Nota 1)

Não foi um dia feliz para a arbitragem francesa. É verdade, Garay cometeu penálti, mas antes disso já houvera um fora de jogo de Sow não assinalado. Num confronto marcado por uma série de casos graves, chocou particularmente a forma como deixou escapar pequenas faltas dos turcos, durante a primeira parte, e fez exatamente o mesmo ao Benfica, na segunda. Melhor... só para a próxima.

NOTA TÉCNICA

Jorge Jesus já fez o trabalho de campeão, conferindo qualidade à equipa, ontem só tinha de repetir o guião dos últimos tempos: obrigar os jogadores a acreditar. (4)

Aykut Kocaman esteve à partida muito condicionado pelas ausências de Meireles, Topal e Webó, mas falhou na motivação da equipa, que entrou a medo. (2)

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